Sexta-feira, 17 de agosto de 2012 - 15h49

Final de 1980. Recém tinha chegado em Porto Velho para estruturar a primeira redação do jornal Estadão do Norte ao lado de colegas que vieram juntos dos jornais paranaenses Fronteira do Iguaçu (Cascavel) e Folha de Londrina (Londrina).
Certo dia chega na redação do Estadão um cearense, dono de um sitio próximo ao igarapé Bate Estaca. Era baixinho, raquítico e queria contar o caso de uma sucuri que há tempos vinha devorando carneiros, porcos, galinhas. Até seu cachorro de estimação tinha sido devorado pela monstrenga. “Pois hoje finalmente consegui pegar a bicha. Era quase cedinho quando ouvi o cachorro gritar. Peguei a peixeira e me joguei em cima da danada, ela me deu uma laçada, brigamos muito, mas cortei a cabeça. Matei, vocês precisam ver”, dizia.
Não acreditei na história, chamei o colono de mentiroso e rolei de dar gargalhadas. “Como poderia este baixinho insignificante matar uma serpente daquele tamanho?”, indagava.
Mas de tanto ele insistir acabei convencido a visitar a chácara onde a Sucuri – com quase seis metros – realmente tinha sido abatida. Lá chegando – estavam comigo os colegas Alcir, Saulo, Telmo Fábio e Paulo Ayres – fiquei pensando se não era o caso de tirar fotos da baita e envia-las para o Paraná, chamando para nós tamanha façanha. Na época a foto ganhou notoriedade e vários jornais do Oeste paranaense publicaram - mais por causa do tamanho da serpente, incomum nos campos de soja paranaense – do que pela história mal contada, já que a coragem – todos sabiam – não era o nosso forte.
As mentiras geralmente têm perna curta, mas a minha da sucuri durou exatos 32 anos. Ocorre que esta foto chegou ao Museu da Imagem e do Som de Cascavel e a arquivista Silvia Prado pediu ontem mais informações a respeito da sua origem. Gente, juro que não sou mais um farsante. Mas rogo, que mais adiante, não descubram também que a baita onça que “capturei” em 87, perto de Humaitá, era apenas um gato do mato...
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