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Gente de Opinião

Abnael Machado

TELECOMUNICAÇÕES


O Jornal Folha de São Paulo em sua edição de 22 de setembro de 2013, publicou a matéria oriunda da pesquisa do articulista Alexandre Rodrigues, intitulada “Crônica de uma morte anunciada – O eterno retorno dos telegramas”, sobre o surgimento da telecomunicação, sua evolução tecnológica, seu utilitário emprego, em especial sob a forma de telegrama. O qual agilizou os relacionamentos sociais, as informações bélicas estratégicas e as transações comerciais. Entrando em declínio continuo a sua utilização, e anunciada a sua extinção ao surgirem novas tecnologias de comunicações tais como telefone, e-mail, celular, internet, conforme ocorreu na Índia após anos de prejuízos, o governo decidiu no mês de julho/2013 encerrar o serviço de expedição de telegrama.

No Brasil a concorrência do e-mail e celulares implicaram na redução em seguidos anos, dos quantitativos de telegramas expedidos. Os correios e telégrafos se modernizou revertendo a situação e declínio. De 6,8 milhões de telegramas expedidos em 2003, alcançou 19.978.539, em 2012.

Dom Pedro II, em 1852 inaugurou a primeira linha de telegrafo, sendo fundamental na guerra do Paraguai (1864/1870), transmitindo informações do campo de batalha para a corte no Rio de Janeiro; e desta, recebendo as devidas instruções.

As transmissões internacionais de dados em alta velocidade, em rede mundial, iniciaram-se 1874, via cabo submarino construído ligando a Brasil a Europa (Portugal).

Destaca que o serviço de telegrafo ainda foi importante para a integração nacional, realizada pelas obras de desbravamento da comissão Rondon, chefiada pelo militar do exercito, Candido Mariano da Silva, Rondon construindo oito mil quilômetros de redes telegráficas ligando as regiões Norte e Centro – Oeste ao Rio de Janeiro, então capital federal.

 Estes empreendimentos de maior relevância social, política, antropologia e econômica, a partir de 1970, quando se iniciaram as transmissões via satélite, a rede telegráfica foi abandonada, suas instalações depredadas e seus postes derrubados.

Acrescento a referência à Comissão Rondon, que sua missão era executar um projeto imprescindível ao desenvolvimento econômica do pais, planejado por Dr. Afonso  Augusto Moreira Pena, Presidente da República (1906/1909), tendo por metas a execução de empreendimento consolidadores da incorporação  do Acre, Purus, Juruá e do Javari ao Brasil, Feitos por intermédio da construção de uma linha telegráfica no norte e noroeste de Mato Grosso e no sul e sudoeste do  Amazonas, interligando-os á Cuiabá; exploração cientifica desses espaço determinando suas coordenadas geográficas, suas topografias, hidrografias, climatologias, constituições dos solos, mineralogia, botânicas, fauna e etnografia; construções de estradas de penetração; assentamento de povoados agrícolas e pecuários; integração voluntária das nações indígenas  á comunidade brasileira. E primordialmente concretizar a presença e a ação do poder do estado até os confins do território nacional, tendo evidente caráter estratégico e defensivo.

O Presidente convocou o então Major Rondon e lhe expôs o seu projeto, consultando-lhe se era exeqüível a sua realização naquele espaço despovoados e destituídos de recursos próprios? Rondon respondeu-lhe que era só querer. O Presidente afirmou: “Pois eu quero, e lhe confio a execução desse trabalho, com plenos poderes, tratando o Major dos seus assuntos diretamente comigo”.

Rondon em 23 de fevereiro de 1907, assumiu a Chefia da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas. No dia 04 Março do mesmo ano, foi nomeado engenheiro-Chefe do Distrito Telegráfico sediado em Cuiabá. E em 10 de junho iniciou os trabalhos de construção da linha de transmissão sob os encargos de três seções: A, B e C, incumbidas das seguintes atribuições:

A - Construção de um ramal Telegráfico ligando São Luis de Cáceres á cidade de Mato Grosso (ex- Vila Bela);

B - Construção da linha tronco ligando Cuiabá a Santo Antônio de Rio Madeira;

C – Reconhecimento do espaço fisiográfico e estudos preliminares para definir o traçado da linha tronco.

Rondon chefiando a seção C, deslocou – se de Brotas, no dia 24 de Junho / 1907, para descobrir o Rio Juruena, o alcançando percorrendo 967 Km, no dia 20 de outubro/1907, instalou a estação telegráfica Parecis, concluindo os trabalhos de reconhecimento do trecho compreendido entre Diamantino/Rio Juruena, regressando a Diamantino, ai chegando, dia 28 de novembro/1907.

Em 29 de julho de 1908, a 2ª expedição deslocou- se de Aldeia Queimada para o Rio Juruena chegando a este, no dia 27 de agosto. Sendo construídas as instalações do acampamento, abrigando 52 soldados sob o comando do temente José Joaquim Ferreira da Silva, inauguradas em 7 de setembro.  Os trabalhos de reconhecimento forma retomados no dia 10 de setembro, dirigindo-se para Rio Madeira, alcançando a Serra do Norte (Parecis), a 401 Km de Aldeia Queimada, no dia 27 de outubro/1908, sendo declarado findos os trabalhos da 2ª expedição, retornando a São Luis de Cáceres.

A 3ª expedição com o encargo de construir a linha telegráfica interligando Juruena a Santo Antônio do Rio Madeira, com ramais Para o Rio Guaporé, Guajará Mirim e Rio Branco/AC, foi organizada em 1909 dividida em duas seções a do Norte e do Sul. A primeira sob o comando do capitão Manuel Teófilo da Costa Pinheiro, encarregada de explorar a Rio jaci – Paraná e em sua cabeceira instalar acampamento e aguardar Rondon com seus comandados.

Dia 18 de agosto os expedicionários iniciaram a exploração do Rio jaci – Paraná subindo seu curso ( 328 Km), acampando próximo a sua a nascente, no dia 20 de novembro/1909.

A segunda comandada pelo coronel Rondon, encarregada de fazer o reconhecimento e abrir picadões de 8 a 10 metros de largura no espaço entre os rios Juruena e Madeira. Os expedicionários saíram do posto do Jurena no dia 06 de junho/1909, seguindo na direção do Norte pela picada aberta na selva no ano anterior, chegando ao topo da Serra do Norte (Campos Gerais dos Parecis), no dia 29 de Junho/1909, o denominando Vilhena, assentando acampamento, permanecendo cinqüenta dias realizando o levantamento dos dez rios com nascentes no módulo de Uru, com curso de suas águas divergindo em diferentes direções, construíram o posto telegráfico José Bonifácio e um varadouro de Vilhena á foz do Rio Corumbiara na margem direita do Rio Guaporé fronteira com a Bolívia. Dia 18 de agosto /1909 levantaram acampamento seguindo rumo ao Norte em densa, desconhecida e desabitada floresta. Os primeiros habitantes (seringueiros), encontraram na segunda metade do mês de dezembro, moradores dos seringais os rios Parto, Canaã e Jamari, os quais lhes foram utilíssimos. O proprietário do seringal Bom Futuro, os hospedou e disponibilizou uma lancha para os conduzir a Santo Antônio do Rio Madeira, sendo aceita, iniciaram a decida do Rio Jamari no dia 20, chegando á sua foz na margem direita do Rio Madeira no dia 25, subindo por este, chegando no povoado de Santo Antônio do Rio Madeira no dia 31 de dezembro de 1909. Rondon expediu ordem ao capitão Manoel Teófilo da Costa Pinheiro, a retornar com seus comandados a Santo Antônio. Declarou concluídos os trabalhos da 3ª expedição, registrando 237 dias de atividades constando a exploração e o levantamento de 2.835 km percorridos, sendo 1.697 km por terra e 1.138 km via fluvial em canoa.

Os trabalhos da Comissão Rondon prosseguiram nos anos subseqüentes, não só a construção da linha telegráfica (1.493 km), entre Cuiabá/MT e Santo Antônio do Rio Madeira, a instalação de quarto estações e vinte quarto posto telegráficos, destes dezesseis no atual espaço físico de Rondônia, a linha Telegráfica foi inaugurada em sessão solene realizada em 1º de Janeiro de 1915, na Câmara Municipal de Santo Antônio do Rio Madeira, mas também em pesquisas e descobertas cientificas, elaboração de mapas hidrográficos (descobertos dezesseis rios), topográficos, mineralógicos, botânicos, zoológicos e etnológicos. coleta e catalogação de:

8.770 exemplares Botânicos:

7.502 – “ – Zoológicos;

712 –‘’– Entomologia;

6.082 – “ – Etnográficos;

41 – “ – Mineralógicos;

Entregues ao museu Nacional do Rio de Janeiro.

Livros Publicados:

Tratado sobre Botânicas 13 Volumes;

- “ -        - “ -      Zoologia 12 Volumes;

- “-        - “ -       Mineralogia; e

- “-        - “ -       Geologia 5 Volumes;

- “-        - “ -       Águas Termas 2 Volumes;

- “-        - “ -       Etnográfica 1 Volume;

Em conclusão, a construção da linha Telegráfica Estratégia Mato Grosso/Amazonas e sua implementação no período de 1909 a 1919, no espaço entre a Serra do Norte e Santo Antônio o Rio Madeira, foi de fundamental importância para formalização e ocupação da área geográfica atualmente limitada pelo Estado de Rondônia, bem como para a conscientização da necessidade do estabelecimento de uma convivência pacifica e de mútuo respeito entre as nações indígenas e entre estas e as população coloniais agrícolas e extrativistas em formação e expansão nesse espaço amazônico.

Roquete Pinto propôs ao Governo Federal, que o Norte e o Noroeste do Estado de Mato Grosso fossem denominados Rondônia, em reconhecimento ao trabalho e seus desbravamento pela comissão Rondon. E construída uma rodovia na picada da linha telegráfica Cuiabá a Santo Antônio do Rio Madeira.

Neste centenário da Comissão Rondon rememorar o feito épico do mais relevante interesse nacional, em que se revestiu a construção de Linha Telegráfica Estratégica Mato Grosso/Amazonas. Sob o encargo desse civilista e impoluto cidadão militar Cândido Mariano da Silva Rondon, é um dever cívico homenageá-lo, objetivando a preservação do seu exemplo de comprometimento com a promoção do progresso e do desenvolvimento socioeconômico participativo, em prol do bem estar de todos os componentes dos segmentos estruturais sociais do Pais.

Tópicos sintéticos dos artigos publicados no jornal Alto Madeira, nas edições  consecutivas de 19 a 28 de janeiro de 1910 comemorativas ao centenário da atuação da Comissão Rondon, no espaço limitado pelo Estado de Rondônia.

É deplorável que a incúria dos governantes civis e militares, por falta de compromisso com o zelo, a defesa dos bens públicos e a preservação do patrimônio histórico e cultural do pais, permitiram e participaram da depredação e abandono do válioso material empregado na construção da maior e mais importante obra realizado no Brasil. Do mesmo modo foi procedido com o acervo resultante das pesquisa cientificas, com os livros publicados, com os filmes e as fotografias registrando o desempenho dos componentes da Comissão em suas especificas atribuições.

ABNAEL MACHADO DE LIMA

Membro do Instituto Geográfico de Rondônia

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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