Porto Velho (RO) terça-feira, 20 de novembro de 2018
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Gente de Opinião

Abnael Machado

Origem da cidade de Porto Velho (I)




Trajetória -
Cronologia


1-   1866/1870 - Espaço no qual encontra-se a cidade de Porto Velho na margem direita do rio Madeira situado a sete quilômetros abaixo da cachoeira de Santo Antônio, foi acampamento de um destacamento de soldados do regimento do Jamari. Ao se retirarem o local passou a ser denominado Porto Velho dos Militares, pelos moradores de suas adjacências.

2-   1871/1872 – Foi o local ocupado pelo Frei Jesualdo Macchett e seus companheiros frei Teodoro Maria Portararo de Massafra e frei Samuel Mancini, vindos de São Carlos, próximo à foz do rio Jamari, no qual residiam.  Ergueram uma grande cruz, pretendiam estabelecer uma missão a fim de aldear e catequizar os indígenas da nação Caripuna. Porém desistiram por falta de apoio e da proximidade do povoado de Santo Antônio do Alto do Madeira, escolhido para ser o ponto inicial de uma ferrovia projetada a ser construída no vale do alto rio Madeira.

3-   1872 – Após os religiosos franciscanos terem abandonado o local, este foi ocupado por agricultores, sitiantes e fornecedores de lenha aos navios movidos a vapor d'água que trafegavam entre Belém/PA, Manaus/AM e Santo Antônio/MT. No Porto Velho dos Militares se estabeleceu o cidadão Pimentel, em um sítio que se tornou ponto de parada das pequenas embarcações e canoas que se dirigiam a Santo Antônio, bem como de encontro de caçadores, pescadores, seringueiros e patrões. Esse local passou a ser denominado "Ponto Velho" e "Porto do Velho".

4-   1882 – Foi o Porto Velho do s Militares, o Porto do Velho, Ponto Velho indicado pelo engenheiro brasileiro Carlos Morsing, chefe da Comissão Morsing, para ser o ponto inicial da Ferrovia a ser construída no Alto Madeira, em cumprimento a um dos itens do tratado de amizade, comércio, navegação e extradição (Tratado de Ayacucho) firmado entre o império do Brasil e república da Bolívia, em 1867. Conforme consta no relatório do jornalista Ernesto Matoso relator dessa Comissão, a indicação de Morsing, da localidade conhecida por Porto Velho dos lenhadores, ou Porto Velho dos Militares ou também Ponto Velho das Caçadas, a 7 Km abaixo da cachoeira de Santo Antônio, para ser o local de início da construção da ferrovia.

5-   1890/1907 – Esta localidade foi integrado ao seringal Crespo, o qual tinha suas instalações gerenciais no Milagres, atual Bairro da Balsa, adquirida pelo Coronel José da Costa Crespo, do governo do Amazonas, por 600$000 (seiscentos mil reis) as terras compreendidas entre o Igarapé dos Milagres (ao Norte) e o Igarapé Boeira (atualmente igarapé Grande deságua no Porto Cainágua), ao sul limite com seringal Santa Martha. A leste o rio Candeia limite com a província de Mato Grosso e a oeste o rio Madeira. Nessa área situava-se o Porto Velho dos Militares ou o Porto do Velho. As terras do seringal Crespo se estendiam do Igarapé Grande (ao sul), até a praia do Tamanduá no rio Madeira (ao Norte).

6-   1907 – A empresa construtora May And Jekyl, contratada por Percival Farquhar para construir a ferrovia Madeira-Mamoré, no dia 25 de junho de 1907 se instalou no Porto do Velho. O seu proprietário protestou contra a invasão de suas terras legalmente adquiridas por compra, vendidas pelo governo do Amazonas. Foi tentado um acordo via administrativa entre os litigantes. José da Costa Crespo, exigiu da Comissão Fiscal da Madeira Mamoré Railway Co. Ltda, o pagamento de 120.000$000 (cento e vinte mil Contos de Reis), não aceito por esta. Submetida a questão a decisão jurídica, José Crespo perdeu a posse da propriedade, sem nenhuma compensão Monetária.

7-   1907 – A empresa Madeira Mamoré Railway Co. Ltda. Compra da empresa Comercial boliviana Suarez & Hermanos por 2.000 libras esterlinas, o seringal Candelária II, no qual instalou o hospital Candelária e construiu um porto na foz do Igarapé Grande (atual Bate Estaca), em sua margem direita no seringal Santa Marta de propriedade do italiano André Frandolli. Ainda não havia transferido sua sede de Santo Antônio para o Porto do Velho. Esse Porto construído destinava-se a ancoradouro dos navios de grandes portes e calados, e ao desembarque de material pesado. A empresa conseguiu via judiciária, a desapropriação do Seringal Santa Martha, tomando sua posse. Ao transferir sua sede, o citado cais, passou a ser identificado por Porto Velho de Santo Antônio.

A Madeira-Mamoré Railway se apossou do espaço compreendido entre o igarapé Milagres e o igarapé Grande (atual bate Estaca), instalando-se em um porto velho a 7 km abaixo da cachoeira de Santo Antônio do Alto Madeira.  (Continua...)

ABNAEL MACHADO DE LIMA
Prof. de História da Amazônia/Universidade Federal do Pará
Prof. de Geografia Regional/Universidade Federal de Rondônia
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de Letras de Rondônia

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