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Gente de Opinião

Abnael Machado

Centenário da loja Maçônica UNIÃO E PERSEVERANÇA 1916/2016



Professor Abnael Machado de Lima*
 

A trajetória histórica da loja Maçônica União e Perseverança se entrelaça com a de Porto Velho, por serem os seus destacados protagonistas, obreiros ativos dessa agremiação.

Foi fundada na vila de Presidente Marques/MT, atualAbunã, em 14 de julho de 1916 por iniciativa do maçom José Pordeus Alencar, o qual congregou os obreiros dispersos nos povoados nascentes, nos seringais, no labor das diversas atividades econômicas.

Nessa primeira sessão foi deliberado transferir a sua sede para o povoado de Porto Velho/AM.

Inicialmente reuniram-se os maçons Martinho Ribeiro Pinto, Manoel Ferreira Guimarães,    José Casemiro Bayma, Aberlado Mejias Peláes, Henrique de Carvalho Santos, José Jorge Braga Vieira, Manoel Martins da Silva, Antônio Joaquim Candéias, Prudêncio Bogea de Sá, João da Silva Madaleno, Domingos Saboia, Miguel Andrade Pastone, José Peixo Dias, José Pinto da Fonseca e José Pordeus Alencar.

Elegeram uma diretoria provisória sob a venerância de José Braga Vieira, no dia 24 de janeiro de 1918, evento publicado no Jornal Alto Madeira.

Instalaram-se provisoriamente, na residência do juiz municipal Martinho Ribeiro Pinto e posteriormente numa das casas da empresa Madeira-Mamoré Railway Company situada na avenida Faquhar, atrás do prédio da usina de energia elétrica, assim permanecendo até a loja ser transferida em definitivo para o prédio construído na década de 1920, situado na rua José Bonifácio esquina com a rua Dom Pedro II, no qual permanece.

Antes porém foi fundada em 1909, a loja Maçônica dos Temporários, composta por maçons de diversas nacionalidades contratados pela empresa Madeira-Mamoré. Reuniram-se em assembleia em plena floresta, instalando-a, essa funcionou uma vez, conforme é relatado no livro de memórias, de autoria do engenheiro norte-americano Frank W. Kravigny, um dos protagonistas desse evento.

Assim sendo, a premasia de ser a primeira loja maçônica fundada no atual espaço de Rondônia, é conferida à União e Perseverança.

A desabrida oposição lhe imposta pelos intransigentes líderes da Santa Igreja Católica Romana, denegrindo-a em suas prédicas taxando-a de ser arte diabólica, erva daninha prejudicadora da arvore do bem, máquina da formação liberal de ideias subversivas e anti-clericais*. Ameaçando com excomunhão e a condenação ao fogo eterno do inferno, os que se imbuísse com a maçonaria.

O padre João Nicoletti em 1932, propós comprar o prédio da União e Perseverança com o apoio da prelazia, para afastar os maçons das proximidades da Catedral. Porém esses obices não foram capazes de deterem a expansão maçônica em quantidades de obreiros e de lojas em Porto Velho e em todo o espaço de Rondônia, contribuindo para seu desenvolvimento social. Político, econômico e cultural.

Ciosa do seu compromisso com o alcance dos objetivos da prevalência da fraternidade, da igualdade e liberdade posto em prática por homens livres e de bons costumes.

No decorrer de sua profícua existência tem cumprido o seu dever de promover o bem estar social, comprovado indelevelmente, pelas realizações de tantas fraternais ações, entre as quais as criações da escola Samaritana e do curso profissionalizante de técnico em contabilidade “ Estudo e Trabalho “.

A primeira destinada às crianças  do bairro suburbano da Olaria, de população carente, atendendo-as com ensino, material escolar e lhes presentiando  com brinquedos no natal. O segundo, para oportunizar os jovens concluintes do ensino secundário, desprovidos de recursos financeiros para ingressarem no ensino superior fora do Estado, terem acesso aos empregos disponíveis no mercado de trabalho. Realizações dos mais destacados relevos sociais e econômicos.

Saudações e agradecimentos de um dos seus obreiros de mais elavado  grau, pela oportunidade de me ter sido propiciado o acesso aos conhecimentos maçônicos enriquecedores de minha formação intelectual e cultural.

Parabéns União e Perseverança.

- Desbravadores* II volume - Vitor Hugo
 

 

Em: 12/02/2016

*ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº. de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia - ACLER.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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