Porto Velho (RO) segunda-feira, 18 de novembro de 2019
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Gente de Opinião

Abnael Machado

ADEUS 2015 – CEM ANOS DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO


ADEUS 2015 – CEM ANOS DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO - Gente de Opinião

Abnael Machado de Lima

Os mais relevantes episódios de sua trajetória no decurso do centenário de sua história.
 

EM 1914

Em 02 de outubro de 1914 por intermédio da lei n°757, sancionada por Dr. Jonathas de Freitas Pedrosa, governador do estado do Amazonas, foi criado o município de Porto Velho, com sede no povoado da mesma denominação, situado na margem direita do alto curso do Rio Madeira, desmembrando-o do município de Humaitá/AM.

FAZEMOS UM PARENTESE

(O povoado de Porto Velho “dos brasileiros” formou-se espontaneamente, a partir de 1907, instalado além das instalações ferroviárias da empresa Madeira-Mamoré Railway Co., norte americana, sob o protesto dos seus administradores por considerarem os seus moradores, intrusos, marginais, invasores do espaço de propriedade da empresa. Questionamento e enfretamento entre as partes, os quais persistiram ate 1931, ano no qual o governo federal brasileiro, assumiu a administração da Madeira-Mamoré).

Em 24 de dezembro de 1914, por decreto s/n, foram nomeados para exercerem os cargos de superintendente (Prefeito), o Major reformado do exército, Fernando Guapindaia de Souza Brejense; de secretário, Manuel Pires de Castro, de intendentes, José Jorge Braga Vieira, José Z. de Camargo, Luzitano Corrêia Barreto, Manoel Félix de Campos e Antônio Sampaio; de suplente de Intendente Aderico Castilho, Achiles Reis, Horácio Bilhar, Alfredo Clínico de Carvalho e José Pontes. Esses constituíam o Conselho municipal (equivalente à Câmara Municipal).

Em 1915

Dia 24 de janeiro de 1915 às nove horas da manhã, realizou-se na residência do Intendente Manoel Félix de Campos, situada na Rua dos Portugueses (atual Barão do Rio Branco), a sessão solene de instalação do Município de Porto Velho, presidida pelo Superintendente Fernando Guapindaia de Souza Brejense.

Sua administração foi tumultuada pelo permanente conflito com os administradores da Madeira-Mamoré, os quais apoiados pelos corruptos agentes federais incumbidos de fiscalizá-los, não a exerciam comprados pelas propinas lhes repassadas pela Empresa[1]. Eram coniventes com os seus desmandos, não reconhecendo o poder legal das autoridades estaduais e municipais, ingerindo-se em matérias de direito privativas do município, coibidas por Guapindaia. Em represália foi despejado ele e a sede municipal das casas lhes cedidas pela Madeira-Mamoré, bem como cancelado o passe-livre em seus trens. Prestaram apoio aos portugueses amotinados contra o superintendente, inclusive lhes repassando rifles.

Procedimentos que não o demoveu de fazer prevalecer a lei e as prerrogativas legais da municipalidade. Providenciou a organização institucional e estrutural do município e do povoado urbanizando-o em conformidade com a planta elaborada pelo mestre de obras José Ribeiro de Souza e aprovada pelo Conselho Municipal.

Mesmo limitado pelos exíguos recursos financeiros, empreendeu relevantes atividades em prol do desenvolvimento econômico, político e social, tais como a urbanização, a construção de pontes sobre os igarapés, interligando ruas, construção da cadeia, do mercado municipal, do Cemitério dos Inocentes, da Escola Municipal Jonathas Pedrosa e outros bens públicos. Em 3 de fevereiro foi criada a Delegacia de Polícia, tendo por Delegado o Tenente Aristide Leite. Em 12 de dezembro foi fundado o Jornal “O Município”, pelo senhor João Alfredo Mendonça.

Em 1916

Foram instalados os consulados da República da Bolívia, Cônsul J. Gutierrez, e da República do Portugal, Cônsul Antônio Rodrigues da Silva.

Foram fundadas a Sociedade Beneficente Portuguesa, a Irmandade de Santa Bárbara e o Clube de Futebol União Esportiva. Instalado o Diretório Municipal do Partido Republicano Conservador/PRC, pelo senhor José Vieira Braga e fundada a Associação Dramática de Porto Velho.

Em 1° de dezembro a primeira eleição municipal presidida pelo Major Guapindaia, para os cargos de Superintendente (Prefeito), Intendentes (Vereadores) e Suplente de Intendentes, sendo eleito pelo Partido Republicano Conservador/PRC o Dr. Joaquim Augusto Tanajura, Superintendente; Luzitano Corrêa Barreto, José Z. Camargo, Álvaro Dantas Paraguassú, Antônio Sampaio e Otávio dos Reis Intendentes; Álvaro de Oliveira Rosas, Bernadino de Almeida Lima, Júlio Coelho Carvalho e Faustino Lopes de Souza, Suplentes.
Sendo lhes dado posse em 1° de janeiro de 1917 pelo Major Guapindaia, com mandatos até 31 de dezembro de 1919. Missão cumprida com denodo e compromisso cívico, pelo Major Guapindaia[2].

Em 1917

Em 15 de abril fundação do jornal Alto Madeira, por Dr. Joaquim Augusto Tanajura associado com os senhores Cincinato Elias Ferreira e Francisco Cezar Queiroz.

Elevação do Termo Judiciário à categoria de Comarca, por intermédio da Lei n. 900, de 31 de agosto, sancionada por Dr. Pedro de Alcantra Bacellar, Governador do Estado do Amazonas.

Lançamento da pedra fundamental da construção da Catedral, no dia 3 de maio, em ato solene presidido pelo bispo prelado do Estado do Amazonas Dom Irineu Joffely. Em 20 de julho por intermédio da lei nº. 43, a Intendência doou à Diocese do Estado do Amazonas, uma quadra de terreno urbano para a construção da Catedral.

Inaugurado o Hotel Brasil, o primeiro deste gênero, de propriedade da empresa Madeira-Mamoré.

Em 1918

Refundação da Loja Maçônica União e Perseverança, em 24 de janeiro, transferida pelo senhor Manoel Martins da Silva, de Abunã, onde foi fundada, para Porto Velho. Instalada em 18 de janeiro de 1919. Eleito venerável o senhor José Jorge Braga Vieira.

Em 1919

Instalado o 1° Cartório de Registro Civíl, em 20 de janeiro, tendo como tabelião, o senhor José Vieira Souto.

Fundada a associação Esportiva e Recreativa Ypiranga Clube.

Expedição da Lei nº. 1.011, de 7 de setembro, sancionada por Dr. Pedro de Alcântara Bacellar, Governador do Estado do Amazonas, elevando o povoado de Porto Velho à categoria de Cidade.

Em 1922

Fundada a Escola Dom Bosco, pelo Padre João Nicoletti e o professor Egídio Burtgnon.

Em 1924

Em 13 de maio instalação da Superintendência, no prédio comprado por Joaquim Augusto Tanajura, Superintendente, do empresário João Soares Braga. Sede administrativa da Prefeitura até 1964. Em 13 de maio, Tanajura inaugurou as redes de água e de energia elétrica.

Instalação provisória do Grupo Escolar Estadual Barão do Solimões, criado 1923, no prédio da Sociedade Beneficente Portuguesa (atual sede da Policlínica da Polícia Militar).

Revolução contra o governo federal, deposição de Tanajura e Arthur Napoleão Lebre, respectivamente, Superintendente e Presidente do Conselho Municipal, pelo Capitão Luiz Marinho de Araújo. Derrotados os revoltosos, os dois foram reintegrados nos seus cargos, no mês de setembro.

Em 1926

Construção do primeiro Templo Católico em Porto Velho, a Capela de São Francisco, erguida por iniciativa da sra. Maria Alves de Andrade, com recursos financeiros próprios e donativos da comunidade.

Em 1927

Em 7 de setembro inaugurado o Hospital São José, projetado e construído pelo Padre João Nicoletti, com apoio do Bispo Dom Pedro Massa, da Sociedade Beneficente Portuguesa e da sociedade São Vicente de Paulo.

Em 1931

Fundado o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora pelas irmãs salesianas dirigidas pela irmã Carlota Rena. Em 10 de julho a empresa Madeira-Mamoré Railway Co., e suas subsidiárias, pelo disposto no Decreto nº. 20.200, passaram a ser administradas pelo governo federal brasileiro, sendo nomeado Superintendente da ferrovia o Tenente do Exército Aluízio Pinheiro Ferreira.

Em 1932

O Contingente Especial de Fronteira do Exército, criado pelo Aviso Ministerial nº. 518, de 23 setembro, instalou-se provisoriamente, em um dos galpões da Madeira-Mamoré, sob o comando do Tenente Raimundo Zeno Pinheiro Ferreira.

Em 1934

Inicio de construção da rodovia Amazonas/Mato Grosso, pelo tenente Aluízio Ferreira.

Pagamento com dinheiro falso, pela Madeira-Mamoré, ao hospital São José por serviços hospitalares lhes prestados.

Em 1936

Em 3 de maio inauguração da linha aérea Rio de Janeiro/Porto Velho, pela empresa alemã Condor subsidiária de Lufthansa.

Em 1939

Em 15 de junho instalação da agência do Banco do Brasil sob a gerência do bancário Arnóbio Rosa Faria.

Em 1940

Visita nos dias 11,12 e 13 de outubro, do Presidente da República, Dr. Getúlio Dorneles Vargas, ocasião entre tantos eventos em sua homenagem, inaugurou a usina de geração de energia elétrica, o prédio dos Correios e telégrafos e conjunto residencial Caiari.

Em 1942

Foi instalada a Capitania dos Portos, criada pelo Decreto nº. 6.369, em 11 de dezembro de 1941. Superintendente, o Tenente da Marinha, Emiliano de Melo Sampaio.

Em 1943

Fundado em 11 de agosto o Aeroclube de Porto Velho.

Instalação da agência do banco da Borracha, em 17 de abril, sob a gerência do empresário Raimundo Cantuária.

Criação do território Federal do Guaporé, com áreas desmembradas do Estado do Amazonas e Mato Grosso, pelo Presidente da República, Dr. Getúlio Dorneles Vargas, por intermédio do Decreto-Lei nº. 5.812, de 13 de setembro. Tendo a cidade de Porto Velho por Capital e Aluízio Pinheiro Ferreira como governador.

Em 1945

Instala-se em Porto Velho a 2º. Companhia Rodoviária Independe unidade do Exército, sob o comando do Capitão engenheiro, Ênio dos Santos Pinheiro, incumbida de prosseguir a construção da rodovia Amazonas/Mato Grosso, até Cuiabá. Porém um trágico e inexplicável episódio, o desaparecimento do Tenente Fernando Gomes de Oliveira, na floresta se São Pedro do rio Preto, no qual se encontrava estacionado um pelotão sob seu comando, ocasionou a desativação da companhia, e mais uma vez a paralização da construção da rodovia.

Em 1946

Realização do primeiro pleito eleitoral para a escolha do Deputado Federal representante do Território do Guaporé no Congresso Nacional. Confronto entre Aluízio Pinheiro Ferreira líder da coligação PSD/PTB e Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha, líder da UDN. Foi eleito Aluízio Ferreira.

Em 1947

Criação da Escola Normal “Carmela Dutra”, por intermédio do decreto n°47 de 12 de dezembro.

Em 1952

Prisão por ordem do governador Jesus Bulamarque Hosannah de vários cidadãos, entre os quais Ari Tupinambá Pena Pinheiro e Renato Medeiros, médicos; Wadih Darwich Zacarias e Omar de Oliveira, engenheiros; Manoel Bezerra, Sadi, Elizer e Bonerges, graduados funcionários públicos, empresários e outros, sob a acusação de que em conluio com seus camaradas comunistas bolivianos, estarem arquitetando a realização de uma revolução armada instituindo uma república socialista integrada pelo território do Guaporé e os departamentos do Beni e do Pando. Conforme delação e lista nominal dos conspiradores lhes passada por um suposto agente secreto do serviço de inteligência da Bolívia. O governador que havia agido precipitadamente, por conta própria cientificou ao ministro do Interior e Justiça, ao qual era subordinado, esse ordenou a imediata libertação dos presos, e o exonerou do cargo de governador.

Em 1956

Substituída a denominação de Território federal do Guaporé por Rondônia pela lei nº. 21.931, de 17 de fevereiro, originária do projeto do Deputado federal Áureo de Melo, sancionada pelo Presidente da República, Dr. Juscelino Kubstschek de Oliveira.

Em 1964

Golpe militar de 31 de março, chega à Porto Velho na pessoa do capitão do exército Anachreonte Coury Gomes, no dia 22 de abril, auto intitulado agente da Revolução. Nesse mesmo dia, às 21 horas, ocupou o Palácio, assumi o governo nomeando-se interventor, indivíduo arrogante, praticou as mais descabidas arbitrariedades, encarcerando os cidadãos, cujo único crime era o de exercerem cargos públicos administrativos e serem membros do PSP, partido apoiante da Revolução. Atos totalmente irregulares, em vista de que o Governador do Território encontrava-se nomeado desde o dia 24 de abril. A comunidade portovelhense foi violentada e humilhada pela megalomania de um lunático.

Em 1966

Instalação do 5° Batalhão de engenharia e Construção, em 21 de fevereiro, com a missão de restaurar a BR 29.

Em 1969

Eleições de vereadores para a constituição das Câmaras municipais, restabelecidas pelo Decreto- lei n°411, de 8 de janeiro, apos 32 anos de terem sido cessados os seus funcionamentos.

Em 1975

Foi criada pela lei municipal n°108 de 8 de julho a fundação de Ensino Superior de Porto Velho, mantendo os cursos de Ciências Contábeis e Ciências Econômicas.

Em 1981

Criação do Estado de Rondônia por intermédio da lei complementar nº. 41 de 22 de dezembro, sancionada pelo Presidente da República General João Batista Figueiredo, tendo Porto Velho por Capital política administrativa.

Em 1982

Instalação do Estado, em 4 de janeiro, iniciando-se uma nova fase na política, administrativa, econômica social, de expansão educacional e cultural, nesses 33 anos, tendo Porto Velho como polo de decisões.



[1]           Referência no livro Farquhar o Ultimo Titã - de GAULD, Charles -
Ed. Cultura - 2006 - São Paulo;

[2]          Em reconhecimento ao patriótico trabalho de instalação e estruturação do município de Porto Velho, sugeri ao presidente da assembleia legislativa e reitero, a sugestão, que o prédio da sede da assembleia seja denominado Fernando Guapindaia, em justa homenagem, perpetuando sua memória.

ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº.  de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia - ACLER.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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