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Carlos Sperança

Avanço das facções em Rondônia e a tutela do Acre


Avanço das facções em Rondônia e a tutela do Acre - Gente de Opinião

Quem reina

O novo tarifaço imposto ao Brasil pelos EUA neste início de junho desfez as boas expectativas em torno dos entendimentos entre o empresariado brasileiro e a parte mais sensata e pragmática do governo americano. Difícil não ver isso como fruto da infantilidade dos staffs de Lula e de Bolsonaro, cada qual tentando vender via propaganda uma inexistente vitória sobre o outro.

A realidade aponta que os dois perderam: a viagem do presidente Lula aos EUA virou fumaça e a do presidenciável Flávio Bolsonaro à Casa Branca virou traição ao país. A divisão nacional em duas alas é a causa das dificuldades do Brasil frente à conjuntura mundial, mas os dois lados se julgam vencedores dos embates inúteis que travam. O desastre da divisão do país entre grupos que se agridem o tempo todo vem de aceitar os papéis propostos pela estratégia de “dividir para reinar”. Uma tática já usada pelo imperador romano Júlio César décadas antes de Cristo e modernizada por Maquiavel ao sugerir que um capitão deve se esforçar ao máximo para dividir as forças do inimigo. 

No vácuo desse antagonismo se deu a expansão do crime organizado, jogando a Amazônia em uma crise, mais que ambiental, também de segurança e governança. Coisas de um país desunido que atrasa seu futuro de progresso com brigas inúteis. O desafio para a diplomacia brasileira e para os três poderes da República é unir a nação, pois o povo não merece sofrer mais.

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Poucas lideranças

Das lideranças políticas que emergiram, nas eleições gerais de 1982, a primeira realizada pelo estado – menos para governador- poucas sobreviveram. Dos deputados estaduais eleitos naquele pleito, ainda estão vivos e fortes Tomás Correia, que também foi prefeito de Porto Velho, Sadraque Muniz (Ji-Paraná), Amir Lando que foi senador da República e ministro da Previdência e Ernandes Amorim, que também foi prefeito de Ariquemes e senador da República. Lando vai disputar uma cadeira ao Senado e Amorim entra na peleja por uma cadeira na Assembleia Legislativa. Tomás Coreia e Sadraque Muniz se aposentaram das pelejas eleitorais.

Avanço das facções

Conter o avanço das facções criminosas em Rondônia é um grande desafio para as próximas administrações de Rondônia. O crime organizado, além de prosperar com o tráfico de drogas e de armas, contrabando de ouro e extração de madeira clandestina e grilagem de terras para a revenda aos incautos, agora se infiltrou na política, nas empresas participando de licitações vultuosas nas prefeituras. Uma das estratégias é eleger vereadores para forçar licitações vantajosas com os prefeitos chantageados que acabam se submetendo as situações criadas pelo crime organizado.

A pulverização

Com a pulverização dos votos nas eleições estaduais nos polos regionais, pequenos municípios têm obtido representatividade no parlamento estadual e inclusive emplacado presidentes da Assembleia Legislativa. Assim foi com a eleição e Carlão de Oliveira (Alta Floresta), Neodi Carlos (Machadinho do Oeste) e Maurão de Carvalho, de Ministro Andreazza. A eleição de representantes de pequenos municípios, casos de Lebrinha e Crispim na região do Vale do Guaporé é decorrente da divisão de votos nos polos regionais mais importantes, como Cacoal, Ji-Paraná e Vilhena cujas comunidades poderiam eleger maior número de parlamentares.

Espigão do Oeste

O município de Espigão do Oeste festeja seus 45 anos de emancipação política e administrativa nesta terça-feira com uma história de lutas, cujo início com disputas sangrentas pela terra. A cidade com influência pomerana, que teve como sua principal liderança política a prefeita e depois deputada estadual Lucia Tereza, pelas disputas frequentes, nos idos da sua colonização era conhecida como “Espingardão do Oeste”. Hoje em dia, bem urbanizada e industrializada a grande preocupação das autoridades locais e estaduais é com relação as estiagens. O município tem sofrido muito nos últimos anos com a seca e invariavelmente tem sido socorrido por municipalidades vizinhas.

Pé na estrada

Depois de enfrentar alguma resistência até no meio do partido, o ex-deputado federal Expedito Neto retomou sua campanha ao governo de Rondônia, hasteando a bandeira do presidente Lula e enfatizando as obras federais em Rondônia. Nascido em Porto Velho, mas com bases eleitorais na Zona da Mata, polarizada por Rolim de Moura, e Cacoal, região do Café, Expedito Neto se dedica a unidade da legenda para as convenções partidárias depois de algumas turbulências quando se discutia até sua substituição como postulante ao Palácio Rio Madeira, sede do governo estadual.

A tutela do Acre

O Estado do Acre, que tutelou Rondônia durante seu período de território federal – tudo se resolvia por lá em quase todas as instâncias - festeja nesta segunda-feira, dia 15 de junho, 64 anos de emancipação política e administrativa. Rondônia se tornou um filhote ingrato dos acreanos, já que tomou dos vizinhos a Ponta do Abuna, onde toda a estrutura implantada nos distritos de Nova Califórnia, Extrema, Fortaleza do Abunã era do estado mãe. Do Banacre as empresas de telefonias e a hegemonia populacional dos acreanos no balneário Fortaleza do Abunã, a soberania acreana não foi levada em conta nas pendengas territoriais. 

Invasão acreana

Revoltada pela perda da causa da perda territorial da Ponta do Abunã em meados dos anos 80, a  então governadora do Acre Yolanda Fleming mandou tropas da PM ocuparem a região –que diga-se de passagem nunca foi bem atendida pela prefeitura de Porto Velho e governo de Rondônia devido à distância de até 350 quilômetros da sede – mas logo em seguida Rondônia, ainda na gestão do governador Jeronimo Santana recuperou a região conflitada. Até hoje centenas de moradores de Nova Califórnia e Extrema buscam o atendimento de suas demandas em Rio Branco, já que a capital acreana é bem mais próxima do que Porto Velho

Uma curiosidade

Na divisa de Rondônia com o Acre, a quase 400 quilômetros de Porto Velho florescia um povoado com migrantes sulistas em meados dos anos 80. Apreciador de histórias de faroeste através de bolsilivros, o então vereador Joao Paulo das Virgens, nomeado secretário de interior pelo então prefeito da capital José Guedes –fundador dos bairros Tancredo e JK – lia um destes volumes tratando da corrida do ouro a Califórnia, nos Estados Unidos, refestelado sob arvores frondosas. Acordando da soneca pós almoço, inspirado pela leitura criou a denominação do povoado. Eureca! Nascia então Nova Califórnia.

Via Direta

*** Com a proximidade do evento Super El Nino, os governos de Rondônia, Acre e Amazonas já preparam os gabinetes de crise hídrica para enfrentar a estiagem, a falta de água e as previsíveis e temidas queimadas *** Tendo em vista a crise econômica provocada pela guerra no Irã até o custo da construção civil subiu em Poro Velho. Inclusive pela escassez de mão de obra, um quesito preocupante *** A prefeita de Ariquemes Carla Redano comemora o avanço das obras da nova rodoviária municipal. Acredita que vai ser um novo cartão postal para a capital do Vale do Jamari *** O dinheiro sumiu na capital rondoniense, mas  mesmo assim as imobiliárias elevaram o preço do aluguel. As queixas se multiplicam.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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