Porto Velho (RO) domingo, 24 de outubro de 2021
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Aroldo Vasconcelos

Pesquisa industrial anual aponta declínio


Pesquisa industrial anual aponta declínio - Gente de Opinião

A Pesquisa Industrial Anual (PIA) 2019, divulgada no dia 21 de julho pelo IBGE, mostra que, em 2019, o setor mais produtivo da indústria foi o de petróleo e gás, e o segundo setor foi o de produtos derivados de petróleo. Isto possibilita a geração dos empregos que pagam alguns dos melhores salários da indústria. Não foi por acaso que a principal motivação econômica do golpe de 2016 foi o petróleo. Na medida em que os poços vão sendo vendidos para fundos de investimentos, estes liquidam salários e benefícios, aumentando suas margens de lucratividade.

O que é essa tal PIA?

O governo federal, por meio do IBGE, investiga anualmente (em 2020 não foi realizada e/ou divulgada, ainda) informações sobre as características estruturais básicas do segmento empresarial da atividade industrial no País, tendo como unidade de investigação a empresa industrial formalmente constituída, isto é, aquela registrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, da Secretaria da Receita Federal, e cuja principal fonte de receita seja a atividade industrial.

Com base na elevada produtividade, o setor pode gerar grandes investimentos, como ocorreu em no início da década passada, quando, por exemplo a Petrobrás investiu sozinha o equivalente a R$ 150 bilhões em valores atuais.

A participação do Brasil na produção industrial mundial caiu de 1,24%, em 2018, para 1,19%, em 2019.

Apesar das perdas, o Brasil tinha conseguido se manter entre os 10 maiores produtores no ranking mundial até 2014. Em 2019 recuou para a 16ª posição. Com a recessão econômica brasileira, visível nos anos de 2014-2016 o ritmo de perda de musculatura da indústria do país se intensificou.

Em 2014, o Brasil era o 10º maior produtor industrial do mundo, mas perdeu posições a cada ano e em 2019, foi superado pela Espanha, caindo para a 16ª posição.

A crise da indústria nacional, que já vinha ocorrendo de forma estrutural, desde a década de 1980, foi colocada em um patamar mais profundo há sete anos.

Setores de Estado aparentemente, ou displicentemente, querem que o Brasil se torne um mero vendedor de matérias-primas agrícolas e minerais para o mundo rico. Sendo isso uma verdade, o temor para os empresários da indústria é que em breve seja realmente um dilema estar no segmento que, naturalmente é o que mais gera emprego e trabalho.

 

O desempenho das exportações da indústria de transformação brasileira no mundo também revela a perda de competitividade do Brasil. A participação do Brasil nas exportações mundiais da indústria de transformação chegou, em 2019, à cerca de 0,82%, igualando o menor percentual da série histórica, registrado em 1999.

A perda de relevância do Brasil nas exportações mundiais da indústria de transformação ocorreu mesmo diante da depreciação do real nos últimos anos, que deveria estimular exportações.

Estudos da CNI – confederação Nacional das Indústrias, aponta que o país perdeu quase 30 mil indústrias no período entre 2013 a 2019.

Na revista Industria Brasileira edição nº 056 de junho desse ano, nota-se que existe uma agenda da indústria brasileira para uma retomada de seu perfil de fato e de direito como player continental (América) e mundial, mas que muito é preciso ser feito em relação a legislação e ao apoio devido pelo Estado.

Questões legais relacionadas com licenciamento ambiental, desoneração, clareza fiscal e redução efetiva da burocracia são fundamentais para esta nova década.

Modernizar o licenciamento ambiental, por exemplo, ponto importante dessa agenda industrial para o Brasil, é imprescindível, segundo o presidente da CNI, empresário Robson Braga.

E o que dizer das regiões centro-oeste e Amazônia que ainda não tem efetiva regularidade e normas claras e simplificadas para a regularização fundiária que promova o desenvolvimento sustentável com segurança...(?)

O setor rural do agronegócio, como atividade primária, e, lógico com suas cadeias produtivas que agregam agroindústrias, seguem “salvando” o PIB, a custos altos para o mercado interno, diga-se de passagem, mas até quando commodities vão assegurar desempenho menos ruim...(?)

É preciso, entre outras coisas, o pais retomar projetos e planos claros de incentivo ao segmento industrial, com possibilidades de o retrocesso já em pauta, se tornar crônico em poucos anos.

Graça e Paz.

PS.: anotem aí, por favor: O Brasil perdeu quase 30 mil indústrias de 2013 a 2019. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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