Porto Velho (RO) domingo, 22 de maio de 2022
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Cerco policial a Rio Pardo reedita os anos 1970


  Cerco policial a Rio Pardo reedita os anos 1970 - Gente de Opinião


EPAMINONDAS HENK
De Buritis

 

Depois do confronto com a tropas policiais militares na semana passada, no qual se defenderam com pedras, paus e rojões, camponeses de Rio Pardo gritam palavras de ordem: “Abaixo a criminalização da luta pela terra! Fora Ibama e ICMBio, agentes do imperialismo na Amazônia!”.
 

Na reação à aos ataques sofridos no dia 13 de novembro, camponeses tocaram fogo num carro da PM e noutro, do ICMBio, na sequência da apreensão de diversas motocicletas e da prisão de dois camponeses. Houve bloqueio na estrada e destruição de pontes no acesso. O acesso precário a Rio Pardo, a cerca de trezentos quilômetros de Porto Velho, é feito por Buritis.
 

Soldados ficaram encurralados e cercados por centenas de camponeses. Revidando com disparo de balas de borracha, a polícia feriu algumas pessoas. Cerco policial a Rio Pardo reedita os anos 1970 - Gente de Opinião
 

O atual impasse fundiário em Rondônia, desta vez conhecido por “revolta do Rio Pardo”, assemelha-se ao ocorrido a partir de meados dos anos 1970 no interior de Cacoal, Ji-Paraná e Vilhena. No mais recente enfrentamento, alguns moradores reagiram
 

“Não somos bandidos, nem criminosos, somos gente e queremos trabalhar”, desabafam, amparados pela militância da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia(LCP) e Amazônia Ocidental.
 

Eles estão ali há dez anos, ocupando uma parte da Floresta Nacional do Bom Futuro e agora são escorraçados pela Força Nacional e pela PM, corporações que dão segurança a fiscais do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). A estes são atribuídos métodos violentos contra as famílias, com a destruição de lavouras, casas incendiadas, confisco de ferramentas agrícolas e aplicação de multas.
 

Em 2012, os governos federal e estadual assinaram acordo visando à retirada das famílias dos lotes situados no interior da Floresta Bom Futuro, para posterior assentamento numa área de terras que seria providenciada pelo Incra. No final do ano passado, as famílias frustraram-se: em vez de receber seus lotes, ouviram ordens de despejo durante operação conjunta do ICMBio, Força Nacional e Exército Brasileiro. “Se permanecessem 90 dias fora da área, a situação seria regularizada”, disseram-lhes. Não houve solução e pelo menos 270 famílias retornaram às terras.
 

Em nota, a LCP diz que os moradores “cansaram-se de humilhações, violações e abusos das forças policiais”. Indignados com o ICMBio, eles exigem solução prometida. por políticos, Incra e Ministério do Meio Ambiente, segundo as quais, um acordo permitiria sua presença nas terras ocupadas.  “Os governos aliados de Dilma (PT) e Confúcio/Raupp (PMDB) são os únicos responsáveis pelo que possa vir a acontecer com os moradores de Rio Pardo”, acusa.

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