Quinta-feira, 27 de novembro de 2025 - 13h14

Em uma
ação decisiva no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, a
Polícia Técnico-Científica de Rondônia (POLITEC-RO) identificou e ajudou a
desarticular uma rede internacional de pedofilia, a partir da análise de um
telefone celular apreendido. O caso, que envolveu o uso de inteligência
artificial para criar conteúdo ilícito, culminou na prisão de um suspeito de 20
anos, destacando o papel crucial da perícia oficial criminal no enfrentamento a
crimes cibernéticos que ameaçam a sociedade rondoniense e além.
A investigação começou em Porto Velho, após a
descoberta de conteúdo ilícito no dispositivo do suspeito. Segundo fontes
policiais, a namorada do investigado encontrou vídeos pornográficos manipulados
com rostos de crianças e alertou as autoridades. Com base nessas informações
preliminares, as autoridades obtiveram mandado judicial da Vara de Crimes
Contra Crianças e Adolescentes para busca e apreensão, encaminhando o aparelho
à POLITEC-RO para perícia especializada.
No
laboratório de Informática Forense do Instituto de Criminalística em Porto
Velho, a equipe pericial criminal da Polícia Científica de Rondônia realizou
análises minuciosas, superando desafios técnicos como a necessidade de troca de
componentes no dispositivo para extração de dados. Com o apoio de recursos
especializados, os peritos oficiais criminais confirmaram a presença de
milhares de imagens e vídeos de abuso sexual infantil armazenados no telefone.
O material fazia parte de uma rede global de pedofilia, com grupos de conversa
envolvendo participantes de diversos países.
As
perícias criminais revelaram que o suspeito utilizava um aplicativo de
mensagens camuflado para acessar e divulgar conteúdo ilícito. Esse app,
pertencente a uma empresa sediada nos Estados Unidos, permitia o tráfego de
materiais envolvendo crianças de todas as idades, incluindo bebês
recém-nascidos vítimas de estupro gravado e compartilhado pelos próprios
agressores. Além disso, o investigado manipulava fotos com ferramentas de
inteligência artificial para gerar imagens pornográficas com rostos infantis,
agravando a gravidade do crime.
"O
uso de IA para criar imagens falsas agrava o problema, pois facilita a produção
e disseminação de conteúdo sem vítimas reais identificáveis, mas com impacto
devastador na sociedade", explicou um perito criminal especialista em
crimes digitais, sem vinculação ao caso específico.
A POLITEC-RO
emitiu laudo pericial que comprovou a materialidade dos delitos, incluindo a
instalação e uso do aplicativo para veiculação de pornografia infantil. Dado o
alcance internacional da rede, o caso deverá ser encaminhado à Polícia Federal
para continuidade das investigações, uma vez que envolve múltiplos países e
exige coordenação além das fronteiras estaduais.
Após a emissão do laudo, as autoridades
solicitaram a prisão preventiva do suspeito, deferida pela Justiça. Na
terça-feira, 25 de novembro, ele foi localizado e detido, sendo encaminhado ao
sistema prisional de Rondônia, onde permanece à disposição do Judiciário.
Penalidades e Alerta à Sociedade
No Brasil, armazenar material de pornografia
infantil é crime punível com 1 a 4 anos de reclusão. O compartilhamento eleva a
pena para 3 a 6 anos, enquanto a produção pode resultar em 4 a 8 anos de
prisão, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código Penal.
Especialistas alertam que o uso de IA em crimes sexuais contra menores representa
uma nova fronteira, exigindo atualização constante de leis e tecnologias. A Polícia Técnico-Científica de Rondônia enfatiza
que perícias em dispositivos eletrônicos são essenciais para identificar
produtores, distribuidores e consumidores desse tipo de conteúdo, contribuindo
para a proteção de crianças e adolescentes.
A Polícia Técnico-Científica de Rondônia, órgão
vinculado ao governo estadual e especializado em perícias oficiais criminais como
informática forense, balística, DNA, dentre outras, desempenha papel crucial
nessas operações. A POLITEC-RO garante a cadeia de custódia de vestígios
físicos e cibernéticos, subsidiando investigações e contribuindo para a
elucidação de delitos complexos.
A
POLITEC-RO enfatiza a necessidade de denúncias para combater essas redes.
Canais como o Disque 100, 181 ou 190 estão disponíveis 24 horas. "A
sociedade deve ficar atenta a sinais de abuso online, como perfis suspeitos ou
conteúdos inapropriados em dispositivos familiares", orienta a Secretaria
de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania - SESDEC. A colaboração da
sociedade é fundamental para combater redes que exploram a vulnerabilidade
infantil, garantindo um ambiente mais seguro para as famílias do estado.
Esse caso expõe a vulnerabilidade de crianças em ambientes
digitais e a eficácia da integração das Forças Policiais, Ministério Público e Judiciário.
Em Rondônia, ações como essa visam não apenas punir, mas prevenir, protegendo o
futuro das gerações mais jovens.
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