Segunda-feira, 6 de dezembro de 2021 - 14h55

A pesquisadora da vacina da Oxford-AstraZeneca,
Sarah Gilbert, disse que "esta não será a última vez que um vírus ameaçará
as nossas vidas e os meios de subsistência e pediu mais financiamento para que
a ciência esteja melhor preparada. "Os avanços que fizemos e o
conhecimento que adquirimos não devem ser perdidos", afirmou.
"Assim como investimos em forças armadas,
serviços secretos e diplomacia para nos defendermos de guerras, devemos
investir em pessoas, pesquisa, manufatura e instituições para nos defendermos
de pandemias", sustentou Sarah Gilbert, citada no jornal britânico The
Guardian.
No início de 2020, quando a covid-19 surgiu pela
primeira vez na China e a doença se espalhou, Sarah Gilbert, professora de
Vacinologia da Universidade de Oxford, e sua equipe criaram uma das vacinas
contra o SARS-CoV-2.
Atualmente, a cientista diz que a doença está longe
do fim e que a variante Ômicron, altamente mutável, não deverá ser a última.
Para ela, o próximo vírus pode ser pior. "Pode ser mais contagioso, ou
mais letal, ou ambos".
"Não podemos permitir uma situação como a que
passamos e, depois, descobrimos que as enormes perdas econômicas que sofremos
significam que ainda não há financiamento nos prepararmos para uma
pandemia", acrescentou.
"Os avanços que fizemos e o conhecimento que
adquirimos não devem ser perdidos", alerta a pesquisadora, chamando a
atenção para a necessidade de continuar mantendo o investimento em ciência.
As declarações foram divulgadas depois de o Reino
Unido ter registrado, nesse domingo (5), 246 casos da variante Ômicron e quase
44 mil novas infecções diárias, com 54 mortes a cada dia.
Foi descoberto, na variante Ômicron, que a proteína
spike contém mutações já conhecidas, responsáveis por aumentar a
transmissibilidade do vírus, disse Gilbert. "Mas há mudanças adicionais
que podem significar que os anticorpos induzidos pelas vacinas, ou pela
infecção com outras variantes, podem ser menos eficazes na prevenção da
infecção pela Ômicron. Até sabermos mais, devemos ser cautelosos e tomar
medidas para desacelerar a disseminação dessa nova cepa".
Mark Woolhouse, cientista que presta assessoria ao
governo do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirma, citado pela
BBC: "Se as tendências atuais aqui e na África do Sul continuarem nas
próximas semanas e meses, a nova Ômicron poderá substituir a Delta como estirpe
dominante no mundo".
No fim de semana, o governo britânico anunciou que
quem viaja para o Reino Unido tem de fazer teste de covid-19 no local de
partida. A Nigéria foi adicionada à lista vermelha dos países potenciais importadores
de Ômicron, por estar associada aos novos casos da variante em território
britânico.
"Se a Ômicron está aqui no Reino Unido - e
certamente está -, se há transmissão comunitária no Reino Unido - e certamente
parece que sim -, então é essa transmissão comunitária que impulsionará a
próxima onda", disse Woolhouse.
O cientista acrescenta que as novas restrições
pecam por serem tardias e são muito tímidas, para fazer face a "uma onda
potencial da variante no Reino Unido".
De acordo com o The Guardian, o grande percentual
de novos casos, em geral, está relacionado a pacientes não vacinados. O líder
trabalhista Keir Starmer, aproveitando essa informação, critica de forma
veemente os que resistem à inoculação: "É frustrante e preocupante que os
médicos estejam acompanhando muitas camas hospitalares, e os recursos do
Serviço Nacional de Saúde estejam sendo usados por aqueles que optaram por não
receber a vacina".
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