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Gente de Opinião

Samuel Saraiva

Não é o erro que nos perde, mas a covardia que nos impede de ousar


Não é o erro que nos perde, mas a covardia que nos impede de ousar - Gente de Opinião

ENGLISH - ESPAÑOL

 

Nus chegamos, nus partimos; frágeis, nada possuímos nem levamos. Ainda assim, escolhemos viver ajoelhados diante de tradições ditadas por mentes dominadorasregras que nunca se aplicaram a si mesmas. Para preservar o conforto da obediência, multidões terceirizam o próprio juízo e passam a tratar a covardia como virtude. Pensar, decidir e viver exigem coragempor isso evitam tudo isso, apenas sobrevivendo, condicionados ao medo da censura coletiva.

O erro não os assusta. O pânico real é a autonomia. Preferem dogmas mofados à responsabilidade da liberdade e chamam essa fuga de moral. Repetem que ser feliz é um desvio ético, enquanto transformam a renúncia à vida em mérito. No fim, morrem obedientes e moralmente intactosaliviados por nunca terem cometido o pecado de viver.

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ENGLISH

 

It Is Not Error That Destroys Us, but the Cowardice That Prevents Us from Daring

We arrive naked and depart naked; fragile, owning nothing and taking nothing with us. Yet we choose to live on our knees before dictated traditions forged by domineering minds—rules they never applied to themselves. To preserve the comfort of obedience, crowds outsource their own judgment and rebrand cowardice as virtue. Thinking, deciding, and living demand courage—so they avoid all three, merely surviving, conditioned by the fear of collective censorship.

Error does not frighten them. Autonomy does. They prefer moldy dogmas to the responsibility of freedom and call this retreat morality. They insist that happiness is an ethical deviation, while elevating the renunciation of life to merit. In the end, they die obedient and morally intact—relieved they never committed the sin of living.

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ESPAÑOL

No es el error lo que nos pierde, sino la cobardía que nos impide atrevernos 

Llegamos desnudos y partimos desnudos; frágiles, sin poseer ni llevar nada. Aun así, elegimos vivir arrodillados ante tradiciones dictadas por mentes dominadorasnormas que nunca se aplicaron a sí mismas. Para conservar la comodidad de la obediencia, las multitudes delegan su propio juicio y convierten la cobardía en virtud. Pensar, decidir y vivir requieren corajepor eso lo evitan todo, limitándose a sobrevivir, condicionados por el temor a la censura colectiva.

El error no los intimida. Lo que los aterra es la autonomía. Prefieren dogmas enmohecidos a la responsabilidad de la libertad y llaman a esa huida moral. Repiten que ser feliz es una desviación ética, mientras elevan la renuncia a la vida en mérito. Al final, mueren obedientes y moralmente intactosaliviados de no haber cometido el pecado de vivir.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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