Terça-feira, 23 de junho de 2026 - 07h57

CALCULO
O anúncio do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, de apoio à
pré-candidatura do senador Marcos Rogério ao Governo de Rondônia foi muito mais
do que um gesto protocolar. Foi um movimento político calculado, antecipado e
carregado de simbolismo eleitoral.
LEITURA
Ao subir ao palco do evento promovido pelo PL e declarar apoio ao
senador, indicando ainda o delegado Camargo como pré-candidato a
vice-governador, Léo sinalizou que já fez sua leitura do cenário de 2026 e
decidiu entrar em campo antes da maioria dos atores políticos.
REFERÊNCIA
Não se trata de um político qualquer. Hoje, Léo Moraes ocupa uma posição
rara na política rondoniense: é um dos poucos líderes capazes de mobilizar
simpatia popular para além das fronteiras partidárias. Sua alta aprovação administrativa
e sua capacidade de comunicação o transformaram em uma referência eleitoral de
peso, mesmo sem disputar mandato neste pleito.
PROMESSA
Ao justificar o apoio pelo volume de recursos destinados por Marcos
Rogério a Porto Velho e pela promessa de novos investimentos, Léo também
estabeleceu um contraste direto com o atual governo estadual, ao lembrar os R$
200 milhões que, segundo ele, teriam sido prometidos e não entregues à
capital. Ele agora aposta na promessa renovada por Marcos Rogério.
ANTECIPOU
O movimento surpreendeu porque muitos apostavam que a adesão ocorreria
apenas durante as convenções de julho. Não foi o que aconteceu. Léo decidiu
antecipar o apoio e assumir os riscos inerentes a uma eleição que promete ser
disputada e, possivelmente, resolvida apenas no segundo turno.
GARANTIA
É verdade que a história eleitoral mostra que apoios políticos não são
transferidos integralmente. O eleitor costuma fazer suas próprias escolhas,
guiado por identificação, confiança e empatia. Nem mesmo alianças consideradas
decisivas conseguiram, em eleições passadas, garantir uma transferência
automática de votos.
ANÁLISE
Mas ignorar o peso político de Léo Moraes seria um erro de análise. Em
Rondônia, lideranças com capacidade real de influenciar o eleitorado são cada
vez mais raras. E Léo reúne carisma, visibilidade e aprovação administrativa,
combinação que poucos possuem atualmente.
DESAFIO
Se conseguir transferir apenas uma parcela de seu capital político -
algo em torno de 30% - já terá produzido um impacto significativo na corrida
pelo Palácio Rio Madeira. Para Marcos Rogério, o apoio representa um ganho
estratégico inegável. O senador é reconhecido pela sólida formação política,
experiência parlamentar e domínio dos temas administrativos. Poucos questionam
sua capacidade técnica para governar. Seu desafio, porém, nunca esteve no
currículo.
ARROGÂNCIA
A dificuldade de Marcos Rogério reside justamente na construção de uma
conexão emocional mais ampla com o eleitorado. Em determinados momentos, sua
postura firme e excessivamente autoconfiante acaba transmitindo uma imagem de
distanciamento, característica que pode gerar resistência em um eleitor cada
vez mais atento ao comportamento dos candidatos. Um perfil assimilado pelo
eleitor de um cidadão vaidoso e arrogante.
EMPATIA
A política contemporânea exige mais do que preparo. Exige proximidade,
empatia e capacidade de gerar identificação. É justamente nesse ponto que Léo
Moraes pode se tornar peça fundamental. O prefeito possui atributos que
complementam fragilidades percebidas na candidatura do senador.
PROTAGONISTA
Ao fim e ao cabo, Marcos Rogério recebeu um dos apoios mais relevantes
da atual disputa. E Léo Moraes, mesmo sem disputar cargo algum, demonstra que
continuará sendo um dos protagonistas centrais das eleições de 2026 em
Rondônia.
BOLHA
A indicação do deputado estadual Delegado Camargo, pelo Podemos, para
compor como candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Marcos
Rogério representa uma escolha coerente com a identidade política que o PL
pretende consolidar na disputa estadual.
GRAVITANDO
Entre os nomes pesquisados dos para a vaga, em pesquisas internas,
Camargo apareceu com o melhor perfil e o de maior capilaridade dentro do campo
conservador. Ainda assim, sua presença pouco amplia o alcance eleitoral da
chapa, pois gravita na mesma bolha ideológica do candidato ao governo.
LASTRO
Individualmente, não acrescenta novos contingentes de votos, mas confere
lastro ao discurso de endurecimento da segurança pública que Marcos Rogério
passou a entabular com maior intensidade, tema que, ao que tudo indica, ocupa
posição relevante nas pesquisas qualitativas do partido.
SEGURANÇA
A expansão das facções criminosas em Rondônia transformou a segurança
pública em um dos principais motes da campanha bolsonarista. O tema ganhou
ainda mais apelo político depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, passou a classificar organizações criminosas latino-americanas como
grupos terroristas. Em sintonia com essa narrativa, a chapa procurou alinhar seu
discurso ao imaginário do enfrentamento sem tréguas ao crime organizado.
MARKETING
A estratégia ficou
evidente no evento realizado no espaço Talismã, onde foi exibido aos
correligionários um vídeo cuidadosamente produzido pela equipe de marketing.
Nele, Delegado Camargo protagoniza cenas de treinamento tático, empunhando
armamento de uso militar, numa estética claramente inspirada nos filmes de ação
americanos.
RAMBO
O parlamentar encenou
com desenvoltura o personagem elaborado sob encomenda, numa espécie de
"Rambo dos trópicos", conduzindo exercícios militares como se
preparasse uma tropa para uma guerra. No desfecho da produção, aparece exibindo
um sorriso de êxtase, como quem deixa transparecer certa nostalgia dos tempos
de polícia e do comando do quarteirão.
CONTROVÉRSIA
Do ponto de vista
cinematográfico, a peça é bem produzida e cumpre seu papel de mobilizar a
militância. A mensagem, porém, desperta inevitável controvérsia. A ideia de que
a segurança pública possa ser solucionada prioritariamente pela demonstração da
força e pela lógica do confronto remete a experiências como as implementadas no
Rio de Janeiro, marcadas por operações de forte impacto midiático e resultados
permanentemente questionados e sem as soluções.
CONFRONTO
A literatura especializada
em segurança pública sustenta, em larga medida, que o enfrentamento ao crime
organizado depende da combinação entre inteligência, investigação, integração
das forças policiais, prevenção e políticas sociais, e não apenas de uma lógica
resumida ao "atira primeiro, aborda depois". Ainda assim, para a
maioria da plateia presente, a encenação cumpriu plenamente seu objetivo: levou
ao delírio uma militância que enxerga na força ostensiva a principal resposta
para um problema cuja complexidade desafia soluções simplificadas. E deixou o
pré-candidato em êxtase ao vê-lo no papel de Rambo. Caso a chapa vença,
certamente nas conversas internas a Secretaria de Segurança Pública vai ser
comanda pelo nosso Rambo dos trópicos de sotaque gaúcho.
CONSENSOS
Ao observar a crise entre o prefeito Tony Pablo e a Câmara de Vereadores
de Cacoal, fica evidente que falta ao chefe do Executivo uma compreensão mais
refinada das engrenagens da política institucional. Liderança classista e
liderança política são exercícios distintos. O que funciona na advocacia nem
sempre produz resultados quando se governa uma cidade e se depende da
construção permanente de consensos.
DIALOGANDO
Tony é reconhecido pela inteligência e firmeza de posições, mas a
inflexibilidade costuma cobrar preço alto na política. Prefeitos não governam
apenas com convicções; governam também com diálogo, concessões e habilidade
para administrar conflitos.
ERRO
Por outro lado, a estratégia adotada pela presidência da Câmara de
bloquear sistematicamente projetos do Executivo revela um erro igualmente
grave. Quando divergências pessoais passam a orientar decisões institucionais,
quem perde não é o prefeito, mas a população.
PREJUÍZO
O episódio envolvendo a votação de uma simples adequação orçamentária é
emblemático. Sem orçamento, a administração enfrenta dificuldades para honrar
compromissos básicos, inclusive na saúde. Nesse caso, o prejuízo recai sobre
servidores e cidadãos.
RAZÃO
A política tem suas vaidades, mas o contribuinte não pode ser
transformado em refém delas. Entre a rigidez do prefeito e a birra do
Legislativo, Cacoal precisa de menos disputa de egos e mais responsabilidade
pública. Mas neste caso Tony Pablo tem a mais completa razão uma vez que
sustou emendas impositivas – muitas não aguentam uma boa investigação – o fez
visando os servidores da saúde e a população que dependem dos serviços
essenciais funcionando. Os edis insurretos deveriam ter vergonha na cara.
PODCAST
Nesta quinta-feira, no podcast Resenha Política, veicularemos a
entrevista do pré-candidato a governador pelo MDB, Pedro Adib. Bom de papo –
fala pelos cotovelos -, mostrou-se bem preparado para a disputa e capaz de
abordar vários temas com mais qualificação que os adversários. Na próxima
semana será a vez do pré-candidato do PSOL, advogado José Teodoro. Faltando
apenas ser entrevistado o pré-candidato do PT, Expedito Neto. Várias vezes
convidados tem evitado a entrevista com evasivas, mas o espaço continua
democraticamente aberto. Acesse todos os conteúdos de politica pelo site
resenhapolitica.com
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