Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026 - 17h25

DUALIDADE
Quem conhece minimamente o método pelo qual o Partido dos Trabalhadores escolhe
seus candidatos sabe que ali não há consenso, apenas cessar-fogo temporário. As
tendências internas disputam espaço como se cada reunião fosse uma guerra de
trincheiras. Entrar no PT acreditando em candidatura garantida é erro primário
de quem não leu o manual ou fingiu que leu. Tudo indica que foi esse o equívoco
cometido pelo ex-deputado federal Expedito Neto, até ontem presidente do PSD
rondoniense, partido hoje dirigido pelo próprio pai, Expedito Júnior, uma
curiosa mistura de herança familiar, ambição pessoal e confusão ideológica.
OSTRACISMO
Quem conhece Neto de perto garante que a pré-candidatura ao governo que tenta
vender ao PT não passa de um exercício de vaidade política. Um passatempo para
tirar o nome do limbo em que foi lançado após a última derrota eleitoral. Não
se trata de projeto, estratégia ou construção coletiva, mas de um esforço quase
terapêutico para voltar às manchetes, ainda que como figurante principal de uma
peça improvisada.
MANCHETES
O detalhe é que a brincadeira encontrou plateia. Parte da cúpula petista
enxergou na aventura do filho de Júnior uma chance rara de reposicionar o
partido na mídia estadual, algo que o PT não conseguia fazer sem escândalos ou
notas de repúdio. Expedito Neto, recém-filiado, passou a circular sorridente ao
lado dos medalhões locais do partido. O resultado foi imediato: manchetes,
fotos, entrevistas e a ilusão momentânea de protagonismo.
ALIENÍGENA
O que parecia apenas mais um arroubo de um político descartado começou a
incomodar a militância mais ideológica, que não se vê, nem por descuido, sob a
liderança de Expedito Neto. E o desconforto não é gratuito. O novo petista
ainda confunde conceitos básicos da esquerda e demonstra uma intimidade com o
discurso progressista tão profunda quanto a de um turista estrangeiro tentando
decifrar o cardápio.
CONVERTIDO
Nos bastidores, ninguém ignora a real motivação da conversão súbita. No PSD, os
espaços foram ocupados por Adailton Fúria e outros filiados mais competitivos
eleitoralmente. Sem influência, sem poder interno e sem votos garantidos,
Expedito Neto descobriu no PT um novo abrigo e um microfone disponível. A
ideologia veio depois, se é que veio.
OPORTUNIDADE
A perda de prestígio no PSD explica parte da animosidade contra antigos aliados
e até o rompimento político com o próprio pai. Ao farejar espaço no PT, partido
carente de nomes e ainda mais de votos, agarrou a chance como quem encontra
boia em mar revolto e se lançou como pré-candidato à sucessão de Marcos Rocha.
Se será ungido ou descartado após as tradicionais disputas internas da
esquerda, só os diretórios saberão.
RIFADO
Como resumiu um dirigente petista, se o acolhimento servir apenas para
reposicionar o partido no noticiário, não como aposta eleitoral real, a missão
já estará cumprida. Expedito Neto parece não ter clareza de onde se meteu. Não
tem garantias, não tem grupo consolidado e não tem sequer a segurança de ter o
nome homologado na convenção. Se acabar rifado, ficará o registro histórico de
como alguém conseguiu tumultuar o tabuleiro eleitoral com eficiência superior à
da própria oposição.
POLARIZAÇÃO
Até aqui, o cenário caminhava para uma polarização previsível entre Adailton
Fúria, pelo PSD, e Marcos Rogério, pelo PL. Um embate clássico entre centro
pragmático e direita ideológica, com vantagem competitiva para quem errasse
menos. A entrada de Expedito Neto no PT mudou o jogo, mas não da forma que seus
novos aliados imaginam.
LULISMO
Ao se aproximar do PT, Expedito Neto arrasta consigo uma consequência tóxica
para o PSD. Mesmo sem vínculo orgânico, Adailton Fúria passa a ser alvo fácil
da narrativa de associação ao lulismo. Em Rondônia, onde Lula e o PT ostentam
rejeição avassaladora, essa pecha funciona como um selo de risco eleitoral. Não
importa o discurso moderado ou o histórico administrativo. A associação
simbólica basta.
BENEFICIADO
Quem agradece, silenciosamente, é Marcos Rogério. A fragmentação do campo
adversário e a tentativa de reintroduzir o PT no debate estadual empurram o
eleitor conservador para seus braços. Com o rótulo de lulista colado no PSD e o
PT reaparecendo como coadjuvante incômodo, Marcos Rogério passa a disputar a
eleição em terreno mais confortável, posando de polo antagônico claro e
previsível. A estratégia pode não eleger Expedito Neto, mas já ajuda a eleger
alguém. E não é do PT.
ENTREVISTA
Mas uma vez o
governador Marcos Rocha marcou e desmarcou conosco a gravação de mais um
podcast Resenha Política. Da outra vez a razão foi a agenda, desta,
infelizmente, não houve explicação. No entanto, fica aberta a agenda para
entrevista quando o governador quiser. No sábado, então, faremos com a reitora
da Unir, professora Marília Pimental, e o ex-Comandante Geral da PM, Coronel
Régis Braguin, recém-exonerado do cargo pelo governador. As entrevistas
vão ao ar na próxima semana, terça-feira e quinta-feira.
CUSTO
A concessionária Nova BR-364 resolveu sofisticar o discurso e rebatizou a velha
deficiência estrutural de “custo invisível”. O conceito é criativo, mas
convenientemente seletivo. A estrada é ruim, o transporte encarece e, portanto,
o pedágio caro surge como solução racional. O detalhe omitido é que, desde o
primeiro dia de cobrança, o custo deixou de ser invisível para virar débito
explícito no bolso do usuário. Invisível, até agora, segue sendo a
transformação prometida da rodovia.
ESTATÍSTICA
Ancorar a defesa em dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 é tecnicamente
elegante, mas operacionalmente inútil. Percentuais não corrigem ondulações, não
eliminam riscos e não melhoram a dirigibilidade. O motorista rondoniense não
trafega em planilhas, trafega numa BR que ainda carrega marcas do abandono
histórico. Estatística explica o diagnóstico, mas não legitima a cobrança
antecipada por uma cura que ainda não chegou.
PEDÁGIO
A Nova 364 afirma que o pedágio representa “apenas” 12% de acréscimo no custo operacional.
O problema é que esse percentual é concreto, imediato e mensal, enquanto as
grandes obras seguem presas ao cronograma contratual, não à realidade da pista.
A revolta nasce do óbvio: o contrato começou pelo bolso do usuário e não pela
entrega das melhorias estruturais. Não se trata de resistência ideológica ao
pedágio, mas de inconformismo prático com a inversão da lógica.
PREMIUM
A concessionária
tenta desmontar a pecha de “pedágio mais caro do Brasil” como se fosse exagero
retórico de redes sociais. Não é. A comparação com outras concessões mostra
tarifas elevadas por quilômetro rodado em um estado de renda média inferior e
dependente do transporte rodoviário para tudo — do alimento ao combustível.
Soma-se a isso a ausência inicial de duplicações, terceiras faixas e melhorias
estruturais perceptíveis. O rótulo não surgiu por militância, mas por
experiência cotidiana: paga-se muito, recebe-se pouco. E, enquanto o pedágio é
premium, a rodovia segue longe do padrão prometido.
PERCEPÇÃO
Anunciar investimento de R$ 360 milhões nos primeiros 100 dias impressiona no
release, mas não convence no asfalto. Investimento que não é percebido pelo
usuário vira abstração contábil. Enquanto isso, o pedágio é visível, recorrente
e inescapável. No embate entre narrativa econômica e sensação real de quem
dirige, a concessionária perde a disputa — e o rondoniense continua pagando a
conta.
EXIMINDO
Vi o senador Jaime Bagattoli (PL), em uma postagem nas redes sociais,
atribuindo ao colega Confúcio Moura (MDB) a culpa pelas taxas extorsivas do
pedágio da BR-364. Ora, é cômico, não fosse trágico, ver um senador — com as
mesmas prerrogativas e responsabilidades institucionais — tentar se eximir para
escapar das críticas aos preços abusivos.
SILÊNCIO
A verdade é simples:
Confúcio Moura elogiou o modelo do processo de privatização, não as tarifas
impostas ao usuário, embora também tenha se omitido quanto as cifras. Já
Bagattoli só passou a vociferar contra os valores depois que a população
reagiu, indignada, e cobrou dos seus representantes federais uma posição
pública. Até então, o silêncio era ensurdecedor.
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O pesquisador das campanhas políticas Gerson Magalhães é o entrevistado de Robson Oliveira
Veja a entrevista completa com Gerson Magalhães o melhor pesquisador das campanhas políticas de RO.

Léo Moraes é respeitado pela maioria da classe política. A popularidade é real.
ANIVERSÁRIONos últimos anos, por razões demais para serem listadas sem enfado, tenho evitado convites de políticos para festas, convescotes e celebra
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