Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026 - 09h25

JOGADA
Ao filiar o
governador Marcos Rocha ao PSD e, mais do que isso, abrir mão da direção
regional do partido, Expedito Júnior realizou um movimento raro na política:
abriu mão do poder formal para ampliar influência real. A operação escancarou
sua principal virtude — uma capacidade incomum de articulação, leitura de
cenário e construção de alianças em terrenos movediços.
RESILIENTE
Derrotado em três
disputas pelo governo de Rondônia, inclusive para Marcos Rocha, Expedito
Júnior jamais foi riscado do jogo, apesar das profecias apressadas de alguns
avexados. Ao lado do senador Confúcio Moura, é o político mais longevo do
estado, sobrevivendo a ciclos eleitorais graças à habilidade de se reinventar e
de renascer das cinzas a cada eleição estadual.
APOSTAS
Poucos políticos
rondonienses acertaram tanto em apostas consideradas improváveis. Ivo Cassol e
Hildon Chaves, por exemplo, hoje são personagens centrais da política estadual,
foram escolhas de Expedito quando quase todos torciam o nariz para as chances
eleitorais. Descobrir talentos e lançá-los em campanhas inimagináveis sempre
foi uma de suas marcas mais consistentes. Mais calejado e bem menos
voluntarista opera a política mais por vocação do que por ambição.
CHANCE
Há uma percepção
equivocada de que Expedito abandona aliados pelo meio do caminho; na prática,
foram muitos os ex-aliados que se voltaram contra ele — e nem isso foi
suficiente, ao longo do tempo, para eliminá-lo eleitoralmente. Não é santo, mas
está longe de ser demônio. Há razões políticas de sobra para criticá-lo, mas
subestimá-lo é um erro recorrente. Pré-candidato a deputado federal, se souber
usar suas habilidades de bastidores a favor próprio, pode voltar a ficar de bem
com as urnas e sonhar na maturidade com os projetos quando jovem. O que não pode
é cometer erros do passado imperdoáveis no presente.
VENTRÍLOQUO
O grupo que começa a se consolidar em torno da candidatura de Adaílton
Fúria (PSD) ao Governo de Rondônia — agora reforçado pela filiação do
governador Marcos Rocha — já passa pelo previsível bombardeio pré-eleitoral.
Nada fora do script. Em períodos assim, a artilharia dispara antes mesmo de o
palanque ser montado. Entre os alvos preferenciais está Expedito Junior que,
mesmo sem mandato há mais de duas décadas, continua provocando reações
desproporcionais. Não exatamente pelo tamanho formal de seu espaço
institucional, mas pela reconhecida habilidade de articulação política e pela
capacidade de costurar alianças onde muitos só enxergam rivalidades.
FANTOCHA
O roteiro não é novo. Foi assim na eleição de Hildon Chaves, quando adversários
previam que o então candidato seria um mero fantoche de Expedito. O tempo
tratou de desmontar a caricatura. Agora, por figurar como um dos principais
articuladores da pré-candidatura de Fúria, as mesmas ladainhas reaparecem nas
redes sociais, requentadas como argumento de ocasião. A história política de
Rondônia não registra candidato ingênuo que tenha vencido eleição majoritária
para aceitar o papel de marionete. Tampouco há registro de ventríloquo capaz de
sustentar mandato alheio sem que o titular tenha vontade própria. Na política
real — não na ficção das redes — cada eleito governa com o peso das próprias
escolhas.Parte superior do formulárioParte inferior do formulário
PODCAST
Nesta terça-feira, após um ano ininterrupto no ar, o podcast Resenha
Política completa seu primeiro aniversário, alcançando uma audiência
sólida e qualificada — o que nos impõe a responsabilidade de entregar
entrevistas consistentes e informações exclusivas. Para marcar a data, entrevistamos
o governador Marcos Rocha (PSD), em uma conversa que certamente repercutirá no
cenário político estadual.
PAPO
Em um papo franco, sem rodeios, Marcos Rocha abriu o jogo: fez previsões,
enfrentou perguntas ásperas, confirmou que sua permanência no governo não é
blefe e anunciou que pretende atuar diretamente na eleição do futuro
governador, além de trabalhar para formar uma bancada robusta de deputados
federais e estaduais. A entrevista, com mais de uma hora de duração, precisou
ser dividida em duas partes para atender aos veículos radiofônicos e
televisivos que também veiculam o programa.
DESGASTE
Embora o governador destaque ações que, segundo ele, ampliaram e melhoraram o
atendimento na saúde pública estadual, a situação na capital continua alvo de
críticas contundentes, sobretudo quanto à falta de atendimento humanizado no
Hospital João Paulo II. Soma-se a isso a promessa, feita na campanha e
reiterada na reeleição, de construção de um novo Pronto-Socorro — frustrada
após a escolha de uma empresa que não reunia condições mínimas para executar a
obra. O desgaste é evidente. Um novo hospital poderia minimizar os danos
políticos acumulados e aliviar uma gestão marcada por decisões administrativas
controversas e por uma condução mais afeita ao “choque” de gestão do que à
sensibilidade exigida na área da saúde.
OPÇÃO
Sobre a filiação ao PSD de Rondônia, com o aval de Gilberto Kassab, Marcos
Rocha afirmou que, por diversas vezes, recebeu garantias do presidente nacional
do União Brasil, Antônio Rueda, de que assumiria o diretório regional da
legenda. O tempo passou, e a promessa não se concretizou. Quando veio o convite
do PSD, trouxe também a garantia de comando estadual do partido e autonomia
para organizar o grupo político sob sua liderança. Segundo Rocha, essa foi a
razão determinante da mudança. No dia da filiação, Rueda ainda teria tentado
demovê-lo, reiterando a promessa, mas já era tarde. Quanto ao PL,
lembrou que o partido tem liderança consolidada sob Marcos Rogério, seu
adversário na última disputa, com quem mantém relação política
distante. A alternativa foi migrar com seu grupo para o PSD.
ADESÕES
Rocha revelou ter informado a Kassab que projeta repetir o desempenho das
eleições proporcionais de 2022, quando conseguiu eleger seis dos oito deputados
federais de Rondônia alinhados ao seu projeto. Antecipou que o deputado federal
Thiago Flores deverá acompanhá-lo no PSD, tão logo se abra a “janela
partidária”. Outros parlamentares e um número considerável de prefeitos também
demonstrariam interesse em aderir. Todos, segundo o governador, estarão
empenhados em eleger boas bancadas e apoiar Fúria como seu sucessor. A meta é
ambiciosa: fazer nas eleições “barba, cabelo e bigode”. Há quem duvide e aposte
que o projeto pode desidratar no percurso. O tempo, como sempre, será o juiz
final. Vale a pena conferir a entrevista completa no Resenha Política.Parte
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MÁGOA
Chamou atenção o fato de o governador Marcos Rocha praticamente ignorar o
vice-governador Sérgio Gonçalves ao longo de toda a entrevista. Nenhuma menção
direta, nenhum gesto de reconhecimento político — silêncio absoluto. Apenas ao
final da conversa, ao rememorar os bastidores da última eleição, Rocha voltou
ao episódio que classificou como “traição”, revelando a mágoa que, segundo ele,
o impediu de disputar uma vaga considerada promissora ao Senado. A referência,
ainda que sem citar nomes, teve endereço certo. Em política, às vezes, o que
não se diz fala mais alto do que qualquer declaração explícita. São relações
azedadas que dificilmente voltarão ao que era antes.
FÉ
Embora seja um legislador diligente e fortemente ancorado em sua
influência religiosa, o deputado estadual Delegado Camargo (PODEMOS) exagera na
retórica ao se insurgir contra o projeto do Executivo que regulamenta a loteria
estadual. A cruzada moral soa desproporcional diante de um fato elementar: são
raríssimos os fiéis que nunca fizeram uma “fezinha” numa aposta da loteria
federal. A oposição do parlamentar à regulamentação não passa de uma pantomima
cuidadosamente encenada para fidelizar o eleitorado conservador — ainda que,
nesse mesmo campo, quase todos conheçam o caminho da casa lotérica. Atire a
primeira pedra quem jamais preencheu um volante, sobretudo nas viradas de ano,
quando a Mega-Sena engorda cofres, paralisa o país e transforma a esperança em
espetáculo televisionado. Demonizar a loteria estadual enquanto o brasileiro
consome a federal com fervor beira a hipocrisia seletiva. O Governo de Rondônia
não deve recuar por conta de indignações performáticas, ainda que elas vistam o
manto da fé.
FATO
Eis que ocorreu
exatamente o que esta coluna previu: a empresa responsável pelo recolhimento do
lixo da capital não conseguiu cumpri com o contrato e pediu para se retirar.
Era previsível – somente setores vesgos não viam – porque é um serviço que
exige expertise e capacidade técnica. Nenhuma outra empresa do ramo, exceto a
que vinha recolhendo os resíduos sólidos da capital, possui as condições que o
município necessita. Isto é fato. Insistir no contrário é procrastinar a
pendenga.
CAOS
Antes mesmo do
contrato principal — vencido pela empresa Marquise, reconhecida pela solidez e
competência técnica — entrar em vigor, a atual concessionária, agora
dispensada, venceu um contrato emergencial, firmado sob o argumento da
judicialização do certame regular. O que deveria ser uma solução temporária
transformou-se rapidamente em um problema estrutural, abrindo caminho para o
caos que hoje se impõe à cidade.
EQUÍVOCOS
A empresa de coleta
de lixo de Porto Velho protagonizou um verdadeiro espetáculo para vencer o
contrato: barulho, promessas grandiloquentes e discurso de eficiência. Bastou
assumir para revelar completa incapacidade operacional. O serviço simplesmente
não funciona. As ruas estão sujas, o lixo se acumula e a cidade paga o preço de
uma escolha mal feita. Há mais de dez anos Porto Velho não enfrentava um
colapso tão grave na coleta de resíduos sólidos. O que se vê hoje é o retrato
fiel de decisões administrativas temerárias e de um processo licitatório que
privilegiou o discurso, não a competência.
VÁCUO
Para agravar o
desastre, decisões contraditórias da Justiça e exigências desproporcionais do
órgão fiscalizador desmontaram a única estrutura que efetivamente dava conta do
serviço. A empresa que recolhia o lixo com regularidade, zelo e capacidade
técnica foi alijada do contrato em meio a um conflito judicial mal conduzido e
politicamente mal resolvido. Criou-se um vácuo operacional absurdo. A disputa
virou um jogo burocrático, distante da realidade das ruas, enquanto a cidade
afunda no lixo. Fiscalizar é necessário; inviabilizar um serviço essencial,
não.
ERROS
A resposta da
municipalidade é previsível e ruim em razão da legislação: chamar outra empresa
às pressas para “tapar o buraco”, como se coleta de lixo fosse serviço
improvisável. O resultado já está escrito. Em pouco tempo ficará evidente que a
nova convocada também não tem estrutura, pessoal nem expertise para atender
Porto Velho. Às vésperas do carnaval, caminha-se para um caos sanitário
anunciado. No fim das contas, quem paga essa conta não são os gabinetes, nem os
autos do processo, mas a população — refém de brigas de bastidores, vaidades
institucionais e de uma sucessão de erros que transformaram um problema
administrativo em uma crise urbana de grandes proporções.
RISCOS
A BR-364, espinha
dorsal de Rondônia, virou sinônimo de tarifa alta e contrapartida baixa e o
discurso da modernização e da eficiência privada esbarra na realidade de pistas
esburacadas, sinalização precária e congestionamentos nos trechos urbanos, além
de registros de mortes. Pior: cobra-se antecipadamente por obras que ainda não
saíram do papel, o que revela evidente abuso contratual. Na prática, a
concessionária investe — em tese — com caixa formado a partir da arrecadação
das próprias tarifas, ou seja, com dinheiro dos rondonienses. Onde estão os
investimentos com recursos próprios da empresa que serviram de argumento para
justificar a privatização? Se o risco é privado, o capital também deveria ser.
JUSTIÇA
A decisão da Justiça
Federal que suspendeu a cobrança do pedágio foi um freio necessário diante de
indícios de descumprimento contratual e questionamentos legítimos sobre o valor
das tarifas. Foi um gesto que ecoou o sentimento coletivo de injustiça.
Contudo, é fundamental que essa suspensão seja confirmada em definitivo ou que
resulte na revisão concreta dos valores cobrados. Não basta interromper
temporariamente; é preciso reavaliar a modelagem do contrato para que as
tarifas caiam e reflitam a realidade econômica do estado. Justiça não é apenas
suspender — é corrigir distorções de forma permanente e garantir que o usuário
não pague por um serviço que ainda não recebeu.
ACIDENTES
A concessão foi
vendida como solução para os gargalos históricos da BR-364, com promessas de
duplicação célere nos trechos mais críticos. O que se vê, porém, é morosidade
nas obras e um número preocupante de acidentes, muitos deles fatais. Cada
atraso na duplicação representa risco concreto para quem depende da rodovia
diariamente. Rondônia não pode aceitar que metas contratuais virem peças
publicitárias enquanto vidas são perdidas no asfalto estreito. Investimento
prometido precisa sair do papel com urgência. A duplicação não é luxo — é
questão de segurança, responsabilidade contratual e respeito à população que
sustenta, com seu próprio dinheiro, a concessão.
Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
Em um papo franco e sem rodeios, Marcos Rocha abriu o jogo
Durante a entrevista, Chamou atenção o fato de o governador Marcos Rocha praticamente ignorar o vice-governador Sérgio Gonçalves ao longo de toda a e

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Veja a entrevista:

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Ao que parece, Chaves começa a gostar do cenário estadual e ensaiar de vez a pré-candidatura a governador e evitando críticas ao sucessor. O silêncio
Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)