Sábado, 7 de março de 2026 - 09h05

Estamos aturdidos, alguns literalmente
mortificados com os atuais bombardeios, as gravíssimas violações da ordem
internacional e das soberanias, tanto quanto estamos chocados pelas mortes de
centenas de meninas em uma escola. Como se diz, o Império não contra ataca; o
Império apenas ataca ferozmente. Ninguém pode prever a escalada da guerra
contra o Irã, muito menos assegurar quem não será o próximo alvo. A obscuridade
reina, o apelo à morte está a espreita nas sombras de uma consciência que nunca
existiu, porque o poder e a cobiça do capital jamais permitiram. Parece caos,
um pesadelo desorganizado, mas não é. É um concerto dos piores, dos mais
maléficos seguidores do dinheiro monetizado, pulverizado em ódio e dor. Enfim,
para ajudar um pouco nessa compreensão, trago a citação mais célebre de um
pensador do século passado, Walter Benjamin (ele próprio uma vítima do Nazismo),
e sua proposição de método (contrapelo) e de ação política (verdadeiro estado
de exceção):
Esse
método é o da empatia.
Sua origem é a inércia do coração, a acedia,
que desespera de apropriar-se da verdadeira imagem histórica, em seu relampejar
fugaz. Para os teóricos medievais, a acedia
era o primeiro fundamento da tristeza [...] Os despojos são carregados no
cortejo, como de praxe. Esses despojos são o que chamamos bens culturais. O
materialista histórico os contempla com distanciamento. Pois todos os bens
culturais que ele vê tem têm uma origem sobre a qual ele não pode refletir sem
horror [...] Nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um
monumento da barbárie. E, assim como a cultura não é isenta de barbárie, não o
é, tampouco, o processo de transmissão da cultura. Por isso, na medida do
possível, o materialista histórico se desvia dela. Considera sua tarefa escovar a história a contrapelo [...] A
tradição dos oprimidos nos ensina que o “estado de exceção” em que vivemos é na
verdade a regra geral. Precisamos construir um conceito de história que
corresponda a essa verdade. Neste momento, perceberemos que nossa tarefa é
originar um verdadeiro estado de exceção; com isso, nossa posição ficará mais
forte na luta contra o fascismo. Este se beneficia da circunstância de que
seus adversários o enfrentam em nome do progresso, considerado como uma norma
histórica. O assombro com o fato de que os episódios que vivemos no século XX
“ainda” sejam possíveis, não é um assombro filosófico. Ele não gera nenhum
conhecimento, a não ser o conhecimento de que a concepção de história da qual
emana semelhante assombro é insustentável (Benjamin, 1987, p. 225-6 – grifo
nosso).
O
que Benjamin não diria do breve século XXI? Não diria que temos ares puros,
consciências limpas, mãos sem sangue. E nós, o que dizemos desse assombrado
período da História moderna? Alguém, inclusive, pode ter vontade de jogar uma
bomba atômica. De qualquer modo, conseguimos visualizar que a Guerra-Fria
sempre esteve quente, apenas foi e continua sendo lateralizada, expandida em
revoluções coloridas, guerras sujas ou irregulares. O fato é que guerra nunca
faltou – e talvez esta seja a última, pelo descalabro nuclear que poderia
provocar.
...
BENJAMIN, W. Obras escolhidas -
Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da
Cultura. (3ª ed.). São Paulo: Editora Brasiliense, 1987.
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