Sábado, 5 de março de 2016 - 07h02
O deputado Léo Moraes (PTB) é proponente da audiência pública que será realizada no dia 5 de maio, às 10h, na Assembleia Legislativa, para debater sobre a possibilidade de rompimento das barragens das usinas hidrelétricas do rio Madeira.
Especulações veiculadas nos meios de comunicação e com ampla repercussão local, despertaram o interesse do parlamentar em abordar o tema de forma mais precisa.
Segundo Léo Moraes, em novembro de 2015, na Assembleia Legislativa do Amazonas, uma audiência pública proposta pelo deputado estadual, Dermilson Chagas (PDT), debateu o tema "Impactos ambientais da instalação das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau na calha do Madeira".
No ato, o doutor em Biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Philip Fearnside, afirmou que a falta de uma avaliação séria antes da obra colocou as barragens sob risco de rompimento.
O pesquisador explicou que os estudos para a construção das hidrelétricas previam apenas as cheias anteriores e não levaram em consideração as mudanças climáticas previstas para o futuro.
Segundo Fearnside, a previsão de mudanças climáticas é de que haverá mais enchentes de grande proporção.
“Na enchente de 2014 chegou ao limite. Então, segundo Fearnside, há o risco do que elas não suportem e venham se romper, podendo haver uma tragédia na nossa capital”, destacou Léo Moraes.
O deputado ressaltou que, ainda de acordo com o biólogo, os vertedouros, que servem para escoar a água acumulada no reservatório durante o período de chuva, não possuem capacidade para enchentes no futuro.
Segundo informações, a Santo Antônio Energia teria alterado o projeto da hidrelétrica, sem realização de novos estudos de impacto ambientais. Já o Ministério Público Federal (MPF) especificou que o Conselho Regional de Engenharia de Rondônia (Crea) e o Sindicato dos Engenheiros de Rondônia (Senge) questionaram as modificações na barragem de Santo Antônio, apontando supostas falhas nos projetos.
Diante disso, citou Léo Moraes, o MPF argumenta que, sem a devida fiscalização, caso ocorra rompimento das barragens, os trabalhadores envolvidos no empreendimento teriam pouca ou nenhuma chance de sobrevivência.
“Desta forma, pedimos com urgência esta audiência pública, para que possamos cobrar dos consórcios responsáveis, explicações e ao mesmo tempo solicitar medidas urgente que tentem minimizar os prejuízos de ordem social, ambiental e econômico que os municípios da calha do Madeira já estão sofrendo”, concluiu o deputado Léo Moraes.
Fonte: Juliana Martins
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