Sexta-feira, 3 de setembro de 2021 - 09h38

Único membro da bancada
federal rondoniense a votar contra a proposta de reforma do Imposto de Renda, o
deputado federal Léo Moraes (Podemos) justificou sua posição como uma medida de
coerência. “Sempre votei contra qualquer aumento, qualquer alteração de imposto
ou tributação majorada. Por isso votei contra”, argumentou.
O deputado disse que a
aprovação do texto “teve seu aspecto positivo, como taxar lucros e dividendos, uma
demanda da esquerda. Mas, poderíamos ousar mais, falar, por exemplo da taxação das
grandes fortunas. Outro ponto positivo foi a atualização do cadastro da pessoa
física, pelo qual mais pessoas foram abarcadas pela isenção do IR”, avaliou.
Em sua análise, Léo Moraes diz
que a atualização do cadastro da pessoa física foi usada como mote, “mas é uma
medida que ia acontecer de qualquer forma, já que é obrigatória. Não precisava
ser dessa forma. Leva a crer que foi um grande benefício, quando na verdade,
era uma atualização que já deveria existir para inserir mais gente na isenção
do IR”.
O parlamentar chama a atenção,
entretanto, para as empresas. “Para a pessoa jurídica, no setor de serviços, na
indústria, no setor produtivo, foi muito ruim. Isso deságua em quem consome,
isto é, em toda a sociedade, que vai pagar a mais pelos produtos, porque o
valor a mais vai ser embutido. Como é
sabido, o empresário, o industrial repassa todo custo adicional para o
consumidor final”.
Na
Câmara federal houve quem comemorasse, como o deputado Hugo Motta
(Republicanos-PB), autor de um dos destaques, com o argumento de estar “fazendo
justiça, pois estamos cobrando de quem pode pagar. Estamos cobrando um pouco
mais daqueles que mais têm". Só não disse que esse ”pouco a mais” vai ser
repassado.
Léo Moraes explicou ainda que
um dos exemplos de que haverá impacto no valor dos serviços e produtos, é que a
indústria e o comércio eram contra. Segundo ele perdeu-se uma grande
oportunidade de discutir algo mais consistente que é a taxação de grandes
fortunas, uma corrente mundial. Nos EUA,
por exemplo, os bilionários pedem para serem taxados’.
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