Segunda-feira, 9 de março de 2015 - 11h20

Apesar de a agrovila contar com vários equipamentos coletivos, como escola, posto de saúde, centro comunitário, casa de farinha, estufa para produção de hortaliças e viveiros para a criação de peixes, as moradoras dizem que a maior dificuldade enfrentada atualmente pela população é a falta de transporte público para se deslocar à cidade, bem como, o transporte de alunos. “A estrada está sendo conservada com máquinas, mas ainda não temos transporte”, disse Rosicléia Batista, que reside com a família há seis anos no local. Ela também conta que depois do mês de dezembro não foi feita mais a coleta de lixo na vila e as famílias estão se virando como podem para acondicionar o lixo, que não pode ser queimado e nem descartado.
Desde que foram reassentadas na agrovila, as produtoras recebem apoio dos técnicos da empresa Santo Antonio Energia e da Emater-RO para desenvolver a produção e iniciativas de geração de renda. Na sede do centro comunitário, elas montaram uma oficina de costura com máquinas doadas pela empresa, mas têm planos de construir a oficina num novo local.

Na opinião de Rosicléia, a nova oficina será a casa das costureiras, com dependências também para sala para de provador e depósito. Com isso, pode-se liberar a sede do centro comunitário para as outras atividades sociais e recreativas. Próximo à casa de costura, elas querem também construir um galpão para a realização da feira para a comercialização dos produtos, assim, não precisarão se deslocar. Segundo ela, com a presença da comunidade do entorno, haveria movimento para a venda de toda a produção.
Atualmente, na sede do sindicato, elas se reúnem frequentemente para confeccionar roupas, como pijamas, camisolas, toalhas e panos de prato, mas o forte da produção, por enquanto, está na confecção artesanal de bonecas em tecido e caixas de papelão decoradas para acondicionar presentes. Essa produção é comercializada na feira quinzenal, realizada nas dependências da Emater-RO. Elas reclamam da dificuldade para transportar as mercadorias.
“Ao mesmo tempo em que temos tranquilidade e segurança, temos dificuldade de acesso e falta de transporte coletivo”, reclama Gracinete, que reside na vila com o esposo e um casal de filhos ainda pequenos. Ela também lamenta a falta de opção para continuar os estudos, porque concluiu o Ensino Médio na Capital e veio para a vila assim que se casou. “Aqui a escola atende às crianças até o 4º ano, mas não existe um programa de alfabetização para adultos”, informou, lamentando a falta de opção para avançar nos estudos.
Assim como Gracinete, sua sogra Grima, de 70 anos, também lamenta a falta de transporte para os estudantes, informando que “o bandeirinha” cobra R$ 10 cada vez que uma pessoa atravessa o rio Madeira. Para ir à escola todos os dias, são R$ 20. A família mantém três adolescentes estudando na cidade e desembolsa R$ 300 por mês com deslocamento. Segundo ela, tem muitas crianças sem escola na região por falta de transporte escolar.
Convidadas pela extensionista social da Emater-RO, Maria Lúcia Aires Pinto, as produtoras da comunidade Novo Engenho Velho participarão nesta terça-feira (10) de uma comemoração alusiva ao dia Internacional da Mulher, na comunidade Riacho Azul, a cerca de 20 minutos. Além de festejar, elas irão refletir sobre a necessidade de fortalecer laços para lutar pela melhoria das condições de vida e de trabalho da comunidade.
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