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Álcool é o maior problema de saúde pública, diz psiquiatra, durante semana de enfrentamento às drogas


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Regina Correia, Daniel Amaral, Adriane Soares e Brisa Soares

As palestras do psiquiatra Thiago Fidalgo e do psicólogo Paulo Calheiros, além da mesa de debates, confirmaram o consumo de álcool como o maior problema social e de saúde pública, durante a ‘Semana de enfrentamento ao uso de álcool e outras drogas’, no auditório da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Porto Velho.

O crack, a cocaína e outras mais de 400 drogas identificadas pela Organização mundial de Saúde (OMS) também preocupam os profissionais de saúde e a comunidade pelo avanço descontrolado do consumo em todos os países do mundo e o temor da legalização de algumas drogas no Brasil.

Psiquiatra e coordenador do setor de Adultos do Programa de Orientação e Atendimento à Dependentes (Proad) do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Thiago Fidalgo falou dos padrões de consumo de diversas drogas, tratamentos propostos e medicamentos mais usuais, psicoterapias e ferramentas de apoio; medidas preventivas ao uso de drogas e o papel das escolas na prevenção e na capacitação dos jovens para fazer escolhas saudáveis e saber tomar boas decisões, se prevenindo quando as drogas aparecerem nas vidas deles.

Fidalgo afirmou que a droga mais importante a ser enfrentada é o álcool, do qual 12% da população brasileira acima de 15 anos é dependente. “É um úmero assustador. Imagine que um em cada 10 dos seus amigos são viciados em bebidas alcoólicas”, explicou.

O psiquiatra mostrou outros números igualmente alarmantes, ao citar que 7% das crianças e adolescentes, entre 12 e 17 anos, são dependentes, e lembrou que mais de 90% dos jovens fazem uso de álcool em ‘bind’ (expressão em inglês para beber grandes quantidades de álcool em pouco tempo), e essa prática está associada a diversos problemas, como acidentes de carro, brigas e sexo desprotegido.

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Psiquiatra Thiago Fidalgo traçou o perfil do dependente químico

“Por que uma pessoa fica dependente de drogas, comida, sexo, compras e não de martelada no dedo? Porque só viciamos no que nos dá prazer, no que ativa a zona de recompensa do cérebro. O crack é a droga preferida da mídia, mas o álcool é o maior problema social e de saúde pública”, afirmou Fidalgo.

Psicólogo e professor de psicologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Paulo Calheiros falou sobre a pesquisa das principais características dos usuários de crack e a importância desse estudo no tratamento dos dependentes. “O que os pacientes nos falam tem enorme importância quando se pensa na recuperação desses usuários de drogas no Estado de Rondônia”, pontuou Calheiros.

Outro tema apresentado pelo professor foi a criação do Centro Regional de Referência para Formação de Profissionais que lidam nessa área, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad).  Essa estrutura terá como objetivo capacitar todos os envolvidos no processo de recuperação dos usuários de crack e outras drogas. Calheiros lembrou a existência de uma “fronteira enorme com um dos países que mais produzem drogas e estamos na rota do tráfico”.

No final da manhã foi formada uma mesa de debates abordando ‘Rede de Prevenção e Assistência Local’, da qual participaram a coordenadora estadual de saúde mental, Regina Correia; o diretor do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas de Porto Velho, Daniel Amarael;  a representante da Sepaz, Adriane Soares e a médica do Centro de Atendimento Psicossocial – Álcool e outras Drogas de Porto Velho (Caps/AD), Brisa Soares, que mediou os debates.

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Auditório da Unopar lotou durante as plaestras

Os principais temas abordados e perguntas feitas pelos participantes foram o uso do daime, mariri ou ayahuasca (bebida psicodélica produzida a partir da combinação da videira Banisteriopsis caapi com várias plantas, em particular a Psychotria viridis e a Diplopterys cabrerana) no tratamento da dependência de cocaína, que parece promissora, segundo pesquisas recentes; uso de medicação ansiolítica no tratamento para a perda de peso, que apresenta resultados expressivos, mas que ainda carece de maiores estudos; e consumo de bebidas energéticas associadas a bebidas alcoólicas, que geram grandes distúrbios físicos por mascarar o excesso de uso do álcool.

O secretário estadual da Saúde, Williames Pimentel, disse que com base no que vem sendo feito pelo Estado e entidades particulares, agregando avanços advindos do evento, nos próximos 90 dias serão  deflagradas novas etapas desse projeto, integrando a Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec). “Poderemos realizar ações integradas nos polos mais vulneráveis e de maior risco com equipamentos sociais e envolvendo o próprio cidadão morador dessa área”, disse.


Fonte
Texto: Marco Aurélio Anconi
Fotos: Admilson Knightz
Decom - Governo de Rondônia

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