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Política - Nacional

Marina Silva começa negociação para discutir novo programa do PV


O desligamento dos quadros do PT, partido que ajudou a fundar no Acre e onde construiu uma carreira política de 30 anos, é apenas o início do processo de migração para o Partido Verde (PV), segundo a senadora Marina Silva. Ela agora inicia as conversas com o PV para dar andamento à revisão do programa do partido.

Na entrevista coletiva convocada para oficializar seu desligamento do PT, a ex-ministra do Meio Ambiente deixou claro que a construção de uma candidatura presidencial se dará em etapas. Sem partido, a senadora disse que "se sente livre" para discutir a revisão programática pretendida pelos verdes que defendem um modelo de crescimento da economia compatível com a preservação ambiental.

A senadora esquivou-se de falar, neste momento, sobre a possibilidade de ser candidata à Presidência da República em 2010. Ela acrescentou que sua ida para o Partido Verde não foi condicionada a qualquer decisão do partido em afastar dos quadros filiados que não tenham compromisso com a questão ambiental.

"A discussão do convite [feito pelo PV] se deu a partir do movimento do partido de se reavaliar. O movimento veio de dentro do próprio PV", afirmou a ex-petista.

Marina Silva rebateu declarações feitas por políticos de vários partidos e até mesmo analistas de que sua campanha seria "monotemática" ao tratar prioritariamente de um novo modelo de crescimento para o país vinculando-o à preservação ambiental. Na opinião da senadora este é um raciocínio simplista que pode ser comparável à discussão, há 30 anos, de um modelo social como o que foi implantado no país.

"O Brasil, há 30 anos, talvez não estivesse preparado para ter um programa social como o que temos hoje. No contexto atual das crises econômica e ambiental não será preciso 30 anos para modificar o atual modelo [de desenvolvimento]."

A senadora destacou, por exemplo, que o Brasil tem uma matriz energética de 45% de geração por meio de energia limpa que pode chegar a 65% com a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia. Ela considera isso perfeitamente possível desde que essas usinas não comprometam a qualidade de vida na região e a preservação da floresta.

Ela também criticou a iniciativa do Congresso de tentar alterar todo o Código Florestal em vigor. De acordo com a ex-ministra, o que os deputados e senadores fazem, neste momento, "é descartar todo um trabalho construídos pelos constituintes [em 1988]". Ela citou, por exemplo, iniciativas de flexibilização dos crimes ambientais e mudanças das regras para a criação de unidades de conservação ambiental.

Marina Silva, por mais de uma vez durante a entrevista coletiva, destacou que o modelo de desenvolvimento autossustentável proposto não será efetivado por vontade exclusiva do Partido Verde. "A questão ambiental não se resume a um partido. Esse tem que ser um trabalho de todos os partidos e da sociedade."

Ao deixar o PT, Marina Silva esclareceu dois pontos: não encerrará uma parceria construída com seus colegas de partido ao longo de 30 anos e tampouco incentivará correligionários a seguirem o mesmo caminho que resolveu adotar.

Ela também evitou qualquer confronto com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, eventual candidata do PT à sucessão do presidente Lula e com quem teve divergências administrativas quando ocupou a pasta do Meio Ambiente.

"Não me colocarei como vítima da ministra Dilma. Ela tem os pontos de vista dela e eu tenho os meus [sobre o modelo de crescimento econômico] e ambos são legítimos", disse Marina Silva.

Marcos Chagas
Agência Brasil  

 

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