Quinta-feira, 4 de junho de 2026 - 08h10

O cientista
político Luiz Felipe D'Avila, o economista Marcos Cintra, o diretor da
Faculdade Brasileira de Tributação, Filipe Silva, e eu preparamos dois livros
em prol da cidadania.
As obras contam com a colaboração de mais de 40 dos
mais importantes juristas e professores do Brasil, especialistas em suas
respectivas áreas de atuação, para tentar, de forma científica e racional,
auxiliar todos os segmentos da sociedade a pensar sobre o nosso atual cenário
político, econômico e social, bem como sobre o futuro do País.
O primeiro livro, “Trincheira da liberdade”, sob a
coordenação de Luiz Felipe D'Avila e minha, analisa a importância de uma
democracia baseada na liberdade de expressão — considerando que a palavra
é a grande arma de uma sociedade democrática —, na liberdade de empreendimento
— essencial para permitir o desenvolvimento, como ocorre nas grandes nações —,
e na liberdade religiosa.
Defendemos que aqueles que acreditam em Deus não podem
ser escanteados sob a alegação de um termo que sequer existe na Constituição: o
“Estado laico”. O que a Carta Magna estabelece, em seu artigo 19, é que as
instituições públicas e as religiosas são esferas diferentes, cada uma com seu
próprio estatuto. Isso não significa que o cidadão de fé esteja impedido de
opinar e manifestar suas convicções de ordem moral, ética, fami liar e
profissional para o bem da nação. Trata-se da liberdade na sociedade, a ser
respeitada pelos Poderes para que — após a histórica luta que travamos na OAB d
e 1979 a 1984, período em que fui conselheiro da instituição para restabelecer
uma autêntica democracia no Brasil — não vejamos a liberdade manietada com a
banalização de prisões e o receio das pessoas em falar.
O nosso “Trincheira da Liberdade” objetiva, por meio
de grandes autores, empresários, economistas, juristas e jornalistas, reunir
aqueles que desejam que o Brasil volte a ser a democracia sonhada na
Constituição Federal de 1988 (como declara seu relator Senador Bernardo
Cabral), a qual Ulysses Guimarães chamou de “Cidadã”. O propósito é termos
novamente, aqui no País, uma democracia na qual as ideias de esquerda e de
direita sejam apresentadas em um debate elevado, e n&ã e;o sob o pálio do
discurso do ódio.
O título do segundo livro é “Equívocos e fragilidades
da reforma tributária do consumo”. Este eu coordeno com o economista Marcos
Cintra e com Filipe Silva. A obra reúne mais de uma trintena de autores, todos
abordando os enganos e erros que estamos detectando no atual texto da reforma
tributária. Os artigos apontam como teríamos de corrigir determinados pontos e
discutem o amesquinhamento da federação em um cenário no qual ela será reduzida
e dominada por um consel ho gestor em Brasília.
A análise rigorosa da ordem jurídica e tributária não
constitui mero exercício acadêmico, mas necessidade urgente para salvaguardar a
segurança jurídica e a autonomia dos entes federativos. Sem diretrizes técnicas
claras, as reformas estruturais correm o risco de desfigurar os pilares que
sustentam o equilíbrio entre os Poderes e a livre iniciativa.
Propomos, por meio desta união de mentes brilhantes,
resgatar o espírito de conciliação nacional, essencial para o fortalecimento
das nossas instituições. A verdadeira maturidade política de uma nação se
manifesta quando o conhecimento especializado serve de farol para iluminar as
decisões coletivas, superando radicalismos e paixões partidárias efêmeras.
Nossa meta é ter os dois livros publicados ainda em
agosto, antes do período eleitoral, para permitir que o eleitor e todos aqueles
que se interessam por esses temas possam ler as diversas posições de múltiplos
autores e, assim, tomar uma decisão consciente entre as propostas que os
candidatos apresentarão para o pleito de outubro, que elegerá o Presidente da
República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.
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Esperamos, dessa forma, junto a todos os nossos amigos
e coautores, dar uma sólida contribuição de cidadania para pensarmos o Brasil
de forma racional, técnica e soberana. O objetivo é buscar a melhoria real do
País, independentemente de disputas que visem meramente ter poder.
Trata-se de uma proposta de cidadãos, e não daqueles
que almejam apenas conquistar o governo. Afinal, a função do cidadão é lutar
por seu país para consolidar a verdadeira democracia, que é o que de fato
constrói uma grande nação.
Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades
Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de
Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da
Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das
Universidades Austral (Argentin a), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis
(Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova
(Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal),
presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da
Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo
(Iasp).
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