Porto Velho (RO) sábado, 8 de agosto de 2020
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O mundo pós-pandemia será diferente?


O mundo pós-pandemia será diferente? - Gente de Opinião

Chegando próximo de quatro meses imersos numa pandemia que estabeleceu restrições, nos distanciou fisicamente, modificou nossos hábitos e nos colocou frente a frente com nossas fragilidades. Ela veio sorrateira, mudou tudo e almejamos que vá passar. Quando começou a pandemia, tínhamos a impressão que seria uma grande e inesperada onda. E como conselho de um bom marinheiro ou, quem sabe, de um bom surfista deveríamos nos manter à tona, flutuando sobre a onda, flexíveis e obedientes perante à sua dimensão, não iria acontecer nada de muito ruim e em seguida reencontraríamos a calmaria. Mas não adiantou conselhos. Como um pesadelo de uma noite mal dormida, a pandemia chegou, se instalou e ficou. Estamos esperançosos que esse momento passe.

É natural que reflitamos sobre como o novo coronavírus transformará nossas vidas no futuro, mas o certo é que estamos cientes: a pandemia já alterou o mundo. Alguns exemplos são a maneira como nos relacionamos, trabalhamos, sentimos e pensamos. O que vivemos na atualidade, mudará por completo o que conhecíamos até agora. As próximas gerações não serão as mesmas, tampouco essa o será.

Entender que mundo novo é esse se torna importante para nos prepararmos para o que vem por aí. Porque uma coisa é certa: o mundo não será como antes.

Alguns países estão retomando as atividades cotidianas, dando um passinho de cada vez. O nosso querido e idolatrado Brasil, “atrapalhado” por natureza, vai levar mais tempo. Três, nove, doze meses ou até dois, quatro ou cinco anos? Quando teremos nosso cotidiano de volta? Talvez nunca! Nunca como era antes. É provável que a nossa atual incerteza determinará novos modelos de comportamento daqui para frente.

Usar máscaras, utilizar álcool, lavar as mãos e evitar aglomerações são feitos que estamos nos habituando. Poderíamos nos afeiçoar agora com o desprestígio da ostentação e do consumismo extravagante. Permaneceremos comprando alimentos, roupas e medicamentos, isso é necessário. Nossos luxos quem sabe mudem, espero que mudem.

Estamos com a oportunidade de privilegiar as demandas humanas, se compreendermos e aproveitarmos a ocasião, provocando em nós a tendência de reavaliarmos nosso estilo de vida. Quantas pessoas buscaram refúgio em zona rural, em procura de desintoxicação, mais atividades ao ar livre, mas outros preferiram cidades menores com menos concentração populacional. As capitais não foram mais motivo de sonho para fixar residência. E a arte? Ela também se beneficiou desta pandemia. Não só por sua valorização, pois o que seria de nós sem livros, música e filmes nesse extenso isolamento, digo do surgimento de talentos até então incógnitos. Quantas pessoas foram forçadas a descobrir em si algum dom? Gente que não imaginava cozinhar, se descobriu um master chef, pessoa que achava não ter habilidade com artes manuais, hoje tricota, costura, pinta e borda. Fotografar? Não é para mim... mudou de ideia, hoje tem vários portas retratos, blogs e até cogita uma exposição. Escrever, nem pensar...neste momento está pensando como será a capa do seu livro, e assim continua a saga do que descobriram seus dons, vá saber quantos outros. O que fica é que a demonstração artística poderá ser nosso aporte à humanidade. Não seremos apenas consumidores da arte, mas fornecedores também. Vamos descobrir o valor do real dos relacionamentos, não importa se é amoroso, de amizade ou familiar. O bom será encontrar os amigos, beber e comer com eles; namorar, celebrar as sensações, não as obtenções.

Já que esta anormalidade é inevitável, que a gente ao menos transforme nosso susto em esperteza. Talvez saiamos dessa pandemia com espírito mais voluntário, refletirmos em ajudar idosos ou grupos ameaçados pelas novas ondas do vírus, ter maior respeito por quem trabalha como profissionais de saúde, heróis indiscutíveis no combate à pandemia e tantos outros profissionais que não pararam diante deste vírus.

Agora, nossa realidade já não mais é a mesma é certo que o mundo também não será mais o mesmo. Que nos tornemos seres humanos melhores e mais evoluídos. Em uma visão otimista, poderemos rumar para um mundo em que a ameaça comum do vírus acabe por gerar mais união em vez de divisão.

Dias melhores virão, com certeza!

* Mestre em Letras

[email protected]  fone: 69 9 9315-1829

Endereço para acessar o CV: http://lattes.cnpq.br/0631273529100177

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