Segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026 - 18h05

“Tudo é político, inclusive seu silêncio conivente e fantasiado de neutralidade”
Antonio Gramsci (filósofo marxista, escritor, jornalista, crítico literário, linguista, historiador e político italiano)
No balanço energético do planeta Terra uma parte
importante da energia vinda do Sol, que chega na superfície terrestre é
reenviada para o espaço na forma de calor (radiação infravermelha). Uma fração
considerável da energia calorífica é absorvida pela atmosfera, impedindo sua
saída para o espaço. Este fenômeno físico é chamado efeito estufa, que
garantiu por milênios uma temperatura média do planeta em nível estável e
adequado para as condições de vida. A atmosfera, que tem um papel fundamental
neste processo, é constituída de uma fina camada de ar com vários gases,
predominando o nitrogênio (79%), o oxigênio (21%), o dióxido de carbono (CO2),
vapor de água, entre outros que bloqueiam o calor, chamados de gases de
efeito estufa (GEE’s).
A partir da Revolução Industrial (RI), meados do
século 18 e 19, o uso intensivo dos combustíveis fósseis se tornou realidade,
inicialmente com o carvão mineral, depois petróleo e gás natural nos nossos
dias. O aumento da concentração do gás carbônico (CO2), principal GEE emitido
pela queima dos combustíveis fósseis, é que têm afetado o clima planetário,
provocando aquecimento, com o aumento da temperatura média global.
A tentativa de vários países em conter suas
emissões teve início em 1992, quando a ONU organizou a ECO-92, no Rio de
Janeiro. O evento marcou a adoção da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas (em inglês, UNFCCC). Na ocasião foi criado o Secretariado
de Mudanças Climáticas da ONU.
Através desta convenção, as nações concordaram em
“estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera para
evitar interferências perigosas da atividade humana no sistema climático”. Até
agora, 197 países assinaram o documento. Desde 1994, quando o tratado entrou em
vigor, todos os anos a ONU reúne os países do planeta nas cúpulas climáticas
globais ou “COPs”, a “Conferência das Partes”.
Estas conferências anuais do clima começaram em
1995 com a primeira COP realizada em Berlim, Alemanha. Desde então, elas
acontecem anualmente para avaliar o progresso das medidas tomadas pelos países
para enfrentar as mudanças climáticas. O objetivo principal é avaliar o
progresso das medidas para alinhar os esforços com os objetivos da Convenção, a
mitigação de emissões de gases de efeito estufa e a adaptação aos impactos do
aquecimento global.
Nos últimos anos, as COPs têm se tornado um “campo
de batalha”, uma disputa entre os países produtores de petróleo, representantes
de grandes empresas petrolíferas, de quem tem negócios com combustíveis fósseis;
e os que defendem que chegou a hora de traçar um novo rumo para a humanidade,
abandonando os combustíveis responsáveis pelo aquecimento global, e implantando
mudanças estruturais nas formas de consumo e produção da sociedade. A batalha
tem se mostrado desigual, pois a força dos fósseis se baseia no poder do
dinheiro, o que tem adiado o inadiável.
Outras propostas adotadas para reduzir as emissões
têm sido impulsionadas com soluções de mercado e mecanismos financeiros, como o
protocolo de Kyoto (COP 3, 1997), primeiro tratado vinculante focava nos países
desenvolvidos, estabelecendo uma redução média de 5,2% das emissões entre
2008-2012, com base nos níveis de 1990.
O Acordo de Paris (COP 21, 2015), substituiu o
Protocolo de Kyoto agora abrangendo quase todos os países do mundo (195
signatários). Seu objetivo é limitar o aumento da temperatura média global
"bem abaixo de 2°C" e envidar esforços para limitá-la a 1,5°C acima
dos níveis pré-industriais (1850-1900). As metas de cada país são voluntárias e
revisadas a cada 5 anos. O que aconteceu em 2024, foi que o mundo terminou
acima da meta de 1,5°C, o que mostrou a insuficiência das ambições de cada
país, expostas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, em inglês). O
fato é que as promessas atuais de redução das emissões indicam um cenário de
aquecimento de 2,9°C, até o fim do século.
Para proteger as florestas, principal sumidouro do
CO2, mecanismos de proteção foram criados, como o Mercado de Carbono Florestal,
o Programa de Redução de Emissões Provenientes do Desmatamento e Degradação
Florestal (REDD+), o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), a criação de
Fundos de Investimento Específicos. Na COP 30, por proposta brasileira, foi
criado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (em inglês, TFF).
Infelizmente estas medidas não impedem que 10,9
milhões de hectares de florestas ainda continuem sendo desmatadas anualmente,
conforme assegura a Organização das Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura (FAO), no seu mais recente Relatório de Recursos Florestais
Mundiais 2025, publicado a cada cinco anos.
...continua ....
_________________________________
*Físico, graduado pela Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP, com mestrado em Ciências e Tecnologia Nuclear na UFPE, e doutorado em Energética na Universidade de Marselha/Centro de Estudos de Cadarache-Comissariado de Energia Atômica-França.
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