Porto Velho (RO) segunda-feira, 8 de agosto de 2022
×
Gente de Opinião

Crônica

Que país é esse? a pergunta que não envelhece


Que país é esse? a pergunta que não envelhece - Gente de Opinião

Confesso que é desestimulante você escrever sobre política num país sem memória, com um povo tolerante, que aceita atos de corrupção vergonhosos, sem nenhum espanto, com os poderes republicanos sem o mínimo de pudor, agindo em prol dos seus próprios interesses, com um STF sem a mínima isenção. O poder emana do povo e em seu nome será exercido, determina a democracia/Piaimã. O que esperar do povo/Macunaíma: põe, mas não depõe?

Até hoje eu sinto vergonha do episódio dos R$ 51 milhões em dinheiro vivo, pertencente ao pilantra baiano, Geddel Vieira Lima, mostrados ao vivo e a cores para o Brasil e o mundo, pela Rede Globo. Dinheiro sem origem conhecida, guardados num apartamento da família. A Bahia esqueceu as imagens absurdas e a justiça mandou o processo para um dos inúmeros buracos negros da política brasileira.

Pois bem, Geddel, um dos caciques do MDB baiano, fechou com o candidato do PT, esquecendo Simone Tebet, candidata de seu partido, assim ele se aproxima de novo do Lula/corrupção, pois sabe que na Bahia Simone não tem vez. Pura política de interesses. No Sudeste, Aécio Neves do PSDB, caminha a passos largos para apoiar Bolsonaro. Salve-se quem puder.

O Nordeste, apesar de todo avanço no mundo da informática, ainda sofre o efeito do voto de cabresto, do tempo dos coronéis. O senador Renan Calheiros, herdeiro político dos demagogos alagoanos, mestre nas mutretas para se chegar ao poder, também ignorou a candidata de seu MDB e fechou com Lula, apostando na vitória do PT e no retorno à manipulação de milhões de reais, com a complacência das Côrtes do judiciário. No Nordeste, durante as campanhas políticas, a miopia e o Alzheimer tomam conta da maioria.

 As pesquisas voltaram ao noticiário, apresentadas como reais tendências do eleitorado, mas nunca deixaram de sofrer do conhecido Mal do Meteorologista: quando acertam ninguém se lembra, quando erram ninguém se esquece. Por outro lado, pesquisas não mostram mudanças de última hora, como aquela que levou Erundina (4º lugar) a ganhar de Maluf 1º lugar), em São Paulo, ou a que colocava Bolsonaro nas últimas posições e ele acabou ganhando a eleição, em 2018.

Os especialistas em mídias ou redes sociais estão apostando no sucesso do Pablo Marçal, lançado pelo Pros, como pré-candidato ao cargo de Presidente da República. Num país carente de alternâncias no poder, tudo é possível. Tomara que não seja um novo Color.

Ademais, muitos eleitores não votarão em Lula, nem em Bolsonaro. A 3ª Via continua aberta. Se Pablo Vittar, o pupilo multigênero da Rede Globo, entrar na campanha, pelo xará, não se surpreendam com os resultados. Que país é esse? É uma pergunta que não envelhece, apesar das comemorações pelos 200 anos da independência.  

Mais Sobre Crônica

Laranjas douradas

Laranjas douradas

Na voz de Ataulfo Alves, “laranja madura na beira da estrada tá bichada Zé ou tem marimbondo no pé”. Em Porto Velho, às margens do majestoso rio Made

ESTARTANDO a Flor do Lácio

ESTARTANDO a Flor do Lácio

A gente aprende na escola que a língua é dinâmica, muda a todo instante e é comum receber influências de outros idiomas. A gente até entende a globa

A janela dos setenta

A janela dos setenta

Aos setenta, a janela da vida perde o tamanho e o formato, e se posiciona num espaço entre brumas, que camuflam a vista. Quase sempre, só se vê a vi

Sou uma adolescente

Sou uma adolescente

Tenho 13 anos, sim, sou uma adolescente; e como todos, às vezes sou confusa e procuro minha verdadeira personalidade.Sim, sou adolescente, mas sei o