Porto Velho,
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Abnael Machado

ABNAEL MACHADO DE LIMA Prof. de História da Amazônia/Universidade Federal do Pará Prof. de Geografia Regional/Universidade Federal de Rondônia Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO Membro da Academia de Letras de Rondônia

Santo Antônio a Fênix do Rio Madeira

24/01/2010 - [07:18] - História

 
Fênix, ave fabulosa que vivia muitos séculos, morta e queimada renascia das próprias cinzas, desta forma era a Cidade de Santo Antonio do alto Madeira. Fundada em 1728 pelos padres jesuítas João San Payo e seu adjunto Manoel Fernandes nas condições de missão, denominada Santo Antônio das Cachoeiras situada na margem direita do rio Madeira em frente a cachoeira de Aroaya, a qual em 1723 o sargento-mor Francisco de Melo Palheta denominou São João. A povoação crescia em quantidade de moradores lusos paraenses e indígenas catequizados, assim como em desenvolvimento econômico, agricultura e extrativismo vegetal (as drogas do sertão) e produção animal (couro e pele de animais silvestres). Tinham várias edificações tais como capela, barracões armazéns dos produtos de exportação e  de importações, residência dos padres, morada dos trabalhadores solteiros, muitas barracas de moradia das famílias, cais do porto todos construídos com materiais locais (folhas de palmeira, lascas de paxiuba, madeira, cipó, barro e areia). Anualmente uma vez por ano, os padres coletavam ouro em arucumacuã.  A permanente ameaça à comunidade eram os indígenas da nação Mura, adversários dos invasores portugueses. O padre João San Payo conseguiu um encontro amistoso com o tuxau de uma das aldeias dos Mura próxima à missão, resultando no estabelecimento de um pacto de amizade pelo qual o chefe indígena se comprometia no prazo de doze meses, mudar-se com seu povo para residirem na Missão. Para tanto San Payo assumia o compromisso de construir 

Santo Antônio do Alto Madeira no início do século XX - Fonte: Abnael Machado - Foto cedida pelo fotógrafo Luiz Brito.
Foto: Ivo Feitosa
Foto: José  Carlos Sá
Foto: Serginho/Gentedeopinião
Foto: Serginho/Gentedeopinião
as habitações, fazer os roçados com plantio de macaxeira, milho, batata, jerimum e feijão, realizar a colheita e armazenamento, o qual executado seria comunicado ao Tuxau para efetivação da mudança. Esta era a parte primordial da estratégia, visto que os índios vindo morar na missão, asseguraria a sua segurança, superando a constante ameaça de ser atacada, como também por intermédio desses conquistar a confiança e a amizade de outras tribos Mura. 

Um português preador de índios, conhecedor do acordo celebrado, dirigiu-se à aldeia se apresentando ao tuxaua como emissário do padre San Payo a fim de lhe comunicar que já se encontrava tudo realizado conforme contratado, e ele encarregado de transportar o pessoal para Santo Antônio. O tuxaua ponderou que não havia decorrido o prazo estabelecido para a mudança e suficiente tempo para a execução das medidas combinadas. Porém os argumentos do falso emissário foram tantos e tão convincentes, resultando em ser ordenado o embarque de quantas pessoas comportasse o batelão. Homens e mulheres adultos de todas as idades e crianças, os quais foram levados para Belém-do-pará e vendidos como escravos. Os muras ao tomarem conhecimentos do ocorrido  iniciaram uma guerra contra os colonos atacando, destruindo e incendiando suas propriedades, matando-os indistintamente. O alvo de sua vingança era os padres, os quais consideravam traidores. Em 1748 atacaram e incendiaram a missão
Santo Antônio das Cachoeiras. Os padres João San Payo, Manoel Fernandes lideres da missão e os remanescentes do morticínio abandonaram Santo Antonio descendo o rio Madeira sempre acossados por seus implacáveis adversários. Acamparam próxima a foz do rio Ji-Paraná no local denominado Camuan, o padre João San Payo enfermo, prosseguiu para Belém do Para, falecendo em 1743 (22 de Janeiro), no engenho Ibirajuba. Os Muras continuaram a perseguir os refugiados de Santo Antônio, o padre Manuel Fernandes retirou-se com seus missionados para a Missão de *Trocano (atual cidade de Borba/AM). 

O rei de Portugal tentou ressuscitar
Santo Antônio expedindo a carta régia de 14 de novembro de 1752, ordenando ao governador da Capitania do Grão-Pará a acantonar uma esquadra de soldados nesta localidade. Porém não foi possível executar a determinação por falta de recursos financeiros. Assim sendo, Santo Antônio permaneceu mergulhado em seu sono letárgico. 

Decorridos quarenta e seis anos da hecatombe que a destruiu e dizimou seus habitantes, Santo Antônio ressurge de suas próprias cinzas, como a fênix mitológica. O local por ter uma estratégica localização foi integrado no programa de ocupação e desenvolvimento econômico Amazônico, incluindo a definitiva conquista e exploração dos vales dos rios Madeira, baixo e médio Mamoré e Guaporé, estabelecendo-se uma hidrovia por intermédio destes rios citados e mais o rio Amazonas, interligando à Vila Bela de Santíssima Trindade na região aurífera do alto rio Guaporé, em Mato Grosso, à Santa Maria de Belém do Grão Pará, na foz do rio Amazonas no litoral do oceano Atlântico. Projeto elaborado por Sebastião José de Carvalho e Melo (marquês de Pombal), ministro do rei de Portugal Dom Jose I (1750 a 1777), para tanto criou companhia de Navegação do Maranhão e Grão-Para. Santo Antônio foi escolhido para ser um empório comercial no alto do rio Madeira, em 1798, já no reinado de Dona Maria I, sendo mandado construir armazéns para estocar mercadorias e produtos de exportação e de importação, cais do porto para ancoragem das igarites (barcos movidos a remo e a vela) provenientes de Belém/PA, quartel para os soldados, casas para as repartições publicas e residências dos servidores administradores, operários e trabalhadores em geral, fábrica de canoas. Foi criada e instalada a ouvidoria sendo nomeado para o cargo de Ouvidor o advogado Luiz Pinto de Cerqueira, o qual vindo de Belém/PA acompanhado de degredados homens e mulheres portugueses e ciganos provenientes de Lisboa e famílias indígenas trazidas do rio Negro se instalou no povoado em 1798. O serviço de navegação e transporte fluvial foi assim estruturado: as igarites transportavam os produtos manufaturados de importação, no trecho entre Belém/PA e Santo Antônio, e deste o ouro e os artigos nativos de exportação. Os primeiros de abastecimento das minas auríferas do Vale do rio Guaporé, eram entregues ao comandante da guarnição militar, o qual os repassava ao comandante da flotilhas de canoas, que os transportava navegando no curso encachoeirado do Alto Madeira e do baixo Mamoré, até a cachoeira de Guajará-Mirim, repassando-os ao comandante militar. Este os entregava ao comandante da frota de canoas que transportava até Vila Bela. O ouro e os produtos nativos eram transportados em sentido inverso, da mesma forma até o Belém/PA. 

O povoado de Santo Antônio o mais importante do alto Madeira, tudo indicava ter assegurado um futuro promissor, porem a remoção das guarnições militares do vale do Madeira para do Paraguai ameaçado de invasão pelos espanhóis, no inicio do século XIX, forçou por medida de segurança o Ouvidor se transferir desse povoado acompanhado de auxiliares, trabalhadores e indígenas, para São João do Crato frontal à foz do rio Jamari (atual Vila de São Carlos). Gradativamente Santo Antônio foi se despovoando em decorrência da exaustão dos depósitos auríferos do alto Guaporé ocasionando o êxodo de sua população, a paralisação do tráfego das embarcações da empresa estatal e o conseqüente desemprego dos servidores e a deteriorização de suas instalações. O povoado afunda na decadência e mais uma vez desaparece tomando pela floresta. 

A fênix do alto Madeira após mais de cinqüenta ano s na segunda metade do século XIX, desperta motivada por novo cíclo de atividade econômica, extração do látex da seringueira exportado em forma de pelotas para os parques industriais europeus e norte-americanos. Em Santo Antônio são construídas galpões para armazenagem de borracha, quina, poaia e outros produtos nativos de exportação provenientes dos gomais (seringais) do Guaporé, Mamoré, Beni, Madre de Dios, Orton e Alto Madeira dos empresários extrativistas em maioria bolivianos. Assim como para estocarem os de importação de abastecimento dos centros produtores. Foram instalados agências comerciais filiais de empresas brasileiras e estrangeiras, tais quais a do guaporense Balbino Maciel, a Suarez&Hermanos boliviana. Foi reativada a Navegação fluvial havendo intenso trafego entre os seringais e Santo Antônio realizado por embarcações movidas a remo, transportando para este os produtos de exportação, os desembarcando num porto acima da cachoeira, sendo carregados com os importados trazidos de Belém/PA, nas igarités movidas a remo e a vela, as quais ancoravam abaixo da cachoeira, eram abastecidas retornando a Belém, e as primeiras aos seringais. Santo Antônio tornou-se no mais importante empório do rio Madeira, em cuja população predominavam os bolivianos e sua posse era disputada pelas províncias de Mato Grosso e do Amazonas. Em 1867 o povoado foi escolhido para ser o ponto inicial e a sede da ferrovia projetada a ser construída contornando os trechos encachoeirados do alto rio Madeira e do baixo rio Mamoré, interligando-o a um local imediatamente acima da cachoeira de Guajará-mirim, em frente a cidade boliviana Guayaramerín, crescendo a sua importância estratégica e econômica. O imperador Dom Pedro II em 1870 concedeu autorização ao coronel engenheiro do exército norte-americano, George Eral Church para construir a Estrada de Ferro “the Madeira and Mamoré Railway” e explorá-la por cinqüenta anos. Este no período de 1872 a 1879 contratou quatro empresas construtoras para executarem a obra, todas fracassaram. Apenas a norte-americana P&TCollins (25 de Outubro de 1877 a 18 de agosto de 1879) permaneceu um ano e dez meses em Santo Antônio, conseguindo com muito sacrifício, prejuízos materiais e perdas de vidas, construir sete quilômetros de ferrovia. Ao se retirar desistindo do empreendimento, deixava abandonada as suas instalações: galpões de paredes e coberturas de folhas de zinco, um prédio de alvenaria, uma elevada quantidade de materiais, inclusive uma locomotiva a primeira trazida para a Amazônia e o registro de 221 óbitos entre o pessoal vindo dos Estado Unidos, não sendo contabilizados os trabalhadores bolivianos e brasileiros que faleceram na construção. Em 1881 o governo imperial cancelou a concessão concedida ao coronel Church, constituindo em 25 de novembro do ano seguinte a Comissão Morsing chefiada pelo engenheiro Carlos Alberto Morsing, incumbia de projetar e construir a ferrovia Madeira-Mamoré. Morsing e sua equipe chegaram em Santo Antônio, em 19 de março de 1883 e se retiraram no mês de agosto, deste mesmo ano, registrando vinte mortes entre os membros da Comissão, sendo um destes o engenheiro Índio do Brasil de projeção internacional. Apresentaram ao Ministro de Viação o projeto da construção da ferrovia com 361,7 quilômetros de extensão iniciando-se em local situado a sete quilômetros abaixo do Santo Antônio, denominado Ponto Velho e também Porto do velho e concluindo-se em frente a cachoeira de Guajará-Mirim fronteira à Bolívia. 

Apesar do alto índice de mortes ocasionadas pelas epidemias, Santo Antônio continuava a crescer em população e em empreendimentos econômicos, incrementado pelo tráfego no rio Madeira, de navios mercantes de todas nacionalidades, movidos a vapor, transportando cargas e passageiros autorizados pelo Decreto-Lei 5.024, de 15 de janeiro de 1873, ancorando no porto de vapores (porto novo), abaixo da cachoeira interligando ao porto das canoas acima da cachoeira por uma estrada de ferro para vagonetes movidos a força humana os empurrando. Neste ano e mês 25/01, o governo de Mato Grosso instalou no povoado a Mesa de Renda, este vivia um período áureo propiciado pela indústria extrativista e comercialização de gomas elásticas de elevada cotação no mercado internacional. Em 07 de julho de 1891 foi instalada a Coletoria e em 1907 a sede da Seção Norte da Linha Telegráfica Estratégica de Mato Grosso/Amazonas. A empresa construtora norte-americana May Jelyll & Randolf, contratada por Percival Farquhar para construir a ferrovia Madeira Mamoré, transferiu o ponto inicial da ferrovia e sua sede administrativa de Santo Antônio para um local situado a sete quilômetros abaixo deste povoado, conhecido como Ponto Velho e também Porto do velho. Em 02 de junho de 1908, pela Lei Estadual/MT nº 494, foi criado o Município de Santo Antônio do Rio Madeira, mas não foi instalado, aguardando ser derimida o litígio de limite entre Mato Grosso e Amazonas pelo Supremo Tribunal Federal de Justiça. Neste ano em 08 de abril foi criada a Paróquia de Santo Antônio pela Prelazia do Amazonas e demarcando o terreno para a construção da capela. Em 31 de dezembro de 1909 o coronel Mariano da Silva Rondon, chegou em anto Antônio, dando por concluídos os trabalhos da terceira expedição de exploração do trajeto da Linha Telegráfica iniciada em junho na serra do Norte. O povoado foi elevado à categoria de vila por intermédio da Lei Estadual/MT n° 566 de 27 de setembro de 1911. O supremo tribunal Federal decidiu que os limites entre os litigantes era o rio Madeira, por este descendo a partir da foz do rio Abunã, até a cachoeira de Santo Antônio no paralelo 8°48’Ls, seguindo por uma linha reta de Oeste para leste, cruzando os rios Candeias, Ji-Paraná, Marmelo e Theodoro Roosevelt até alcançar a confluência dos rios Juruema e Teles Pires. Com esta decisão favorável a Mato Grosso, foram em sessão solene instalados a Comarca e o Município de Santo Antônio, tomando posse no cargo de Juiz de Direito Dr. João Chacon e no de Promotor Público Dr. Vulpiano Tancredo Rodrigues Machado, os quais encontravam-se nomeados desde 10 de janeiro de 1912, exercendo as funções dos respectivos cargos, desde 02 de abril. O presidente da solenidade o coronel Leopoldo de Moraes Matos representando o governador de Mato Grosso Dr. Joaquim Augusto da Costa Marques, deu posse aos nomeados para provisoriamente administrarem o município no período de 1912 a 1914 até a realização das eleições municipais, sendo esses: 

No cargo de Prefeito Municipal – Dr. Joaquim Augusto Tanajura; 

No cargo de Membro da Comissão Municipal – Antônio Marcelino Cavalcante; 

- José Fortunato Conceição;
- José Alves Damacena;
- José Ribeiro Dantas. 

Dr. Joaquim Augusto Tanajura demonstrando competência e tirocínio administrativo, empreendeu a organização estrutural urbana, política, econômica e social do recém criado município. 

Construiu ruas paralelas ao rio Madeira denominando-as Padre João San Payo; Felix de Lima; Severino Fonseca, Costa Marques e outras. Instalou o sistema de iluminação elétrica pública e residencial, criou e instalou a Escola Municipal de Santo Antônio tendo matriculado 68 alunos de ambos os sexos, sob a direção da professora Constanza Pestana Pires, editou o código de Postura Municipal, criou e instalou a Escola Municipal de Abunã, construiu uma casa paroquial para a residência dos padres e providenciou a construção da capela, a qual foi inaugurada em 1914. Projetou a criação de um Centro Indígena na margem do rio Mutum Paraná e a construção de uma rodovia interligando o porto do rio Candeias à cidade de Santo Antônio, para facilitar o escoamento da produção de borracha do vale do rio Jamari. 

Ao final do seu governo, o município começou a enfrentar problemas financeiros em conseqüência da baixa cotação da borracha no mercado internacional. Santo Antônio começou a perder a sua importância de ativo empório comercial e seus habitantes começaram a migrarem para outras localidades, principalmente para o povoado de Porto velho surgido a partir de 1907, nas vizinhanças das instalações do ponto inicial da ferrovia Madeira-Mamoré, em terras do município de Humaitá/AM. Em dezembro de 1914 presidiu as eleições municipais, sendo eleito prefeito o candidato Salustiano Alves Correa para o mandato de 1915 a 1917, foi inaugurada estação da Linha Telegráfica Estratégica Mato Grosso/Amazonas, construída pela Comissão Rondon, ligando a cidade de Santo Antônio do Rio Madeira, sede da seção Norte à cidade Cuiabá/MT e a do Rio de Janeiro/RJ. 

Santo Antônio entrou em irreversível processo de declínio econômico e de esvaziamento demográfico agravado com a falta de compromisso do governo de Mato Grosso com o município o maior do mundo em área geográfica, o relegando ao abandono. Os prefeitos que se sucediam se empenhavam na busca de alternativas de soluções minoritária da calamidade sócio-econômico. Em 1922 o prefeito municipal Dr. Jose Adolfo de Lima, os vice-prefeitos Delphin P. de Figueiredo e Antônio M. Cavalcante e os vereadores Salustiano Alves Correa, João Ranulpho Brasil, José Francisco da Conceição e Raul Meira organizaram as solenidades cívicas e festivas comemorativas do centenário da independência  do Brasil, entre estas e inauguração  de monumento erigido alusivo à efeméride. 

Porém o núcleo urbano se deteriorava, os galpões, as casas comerciais e residências vazias jaziam transformando-se em escombros invadidos pela floresta. A Fênix do Madeira retornava ao seu inexorável sono por tempo imprevisível. Assim é que quando ocorreu o segundo ciclo econômico da borracha resultante dos Acordos de Washington firmados entre o Brasil e o Estado Unidos/EUA por ocasião da Segunda Guerra Mundial, direcionados à revitalização dos seringais da Amazônia, concorrendo para retomada do desenvolvimento econômico dos vales dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé, Santo Antônio continuou na inatividade, no marasmo no quais se encontrava. 

Em 1943 ao serem criados os Territórios Federais pelo decreto-Lei n° 5.812, de 13 de Setembro, o do Guaporé, teve sua divisão político-administrativa instituída pelo Decreto-lei n° 5.832, de 21 de Setembro de 1943, compondo-o com os seguintes municípios: 

- Porto Velho;
- Lábrea;
- Alto Madeira – com sede na cidade de Santo Antônio;
- Guajará-Mirim.

Tendo em vista ser concluído a inviabilidade de revitalizar Santo Antônio, o município de Alto Madeira foi extinto pelo Decreto-Lei n° 7.470 de 17 de Abril de 1945, seu espaço geográfico foi integrado no município de Porto Velho. 

Da outrora Santo Antônio só existiram como remanescente a capela, o pequeno monumento aluzivo ao cenário de independência do Brasil, a casa de madeira coberta de folhas de zinco estação dos trens da Madeira-Mamoré, o majestoso sobrado o qual foi sede da P&T Collins, agencia da empresa Soarez & hermanos, Consulado da Bolívia, sede administrativa da empresa May Jekyll & Randolf, loja comercial de vários proprietários, clube recreativo social, restaurante e motel.  E o cemitério no qual foram sepultados centenas de peças principalmente os construtores da ferrovia, brasileiros e estrangeiros, estes oriundos de todos os continentes, relegado ao abandono tomado pelo matagal. Na década de 1960 foi reativado para o sepultamento dos mortos da cidade de Porto velho. Em sua frente surgiu um aglomerado de casas que foi se adensando e se expandindo dando a parecer o ressurgimento da velha persistente Santo Antônio. Porém mera expectativa, o consórcio construtor de hidrelétricas de Santo Antônio, detonou os rochedos da cachoeira Aroaya dos Muras, barrarão o curso do rio Caiari e construirão um imenso e profundo lago, o qual afogará para sempre a Fênix do Rio Madeira, sem possibilidade de ressurgir das próprias cinzas, porque estas estarão transformadas em lodo e lama nas profundezas das águas. 

*(Trocano, nome de um grande tambor de guerra dos Mura)

“Requiescat in pace” Santo Antonio do Alto Madeira. 

Abnael Machado de Lima
Ex-Professor de Historia da Amazônia/Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia
Membro Fundador da Academia de Letras do Estado de Rondônia   

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