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Leo Ladeia

Euforia e ansiedade: o impacto emocional das festas de fim de ano


Euforia e ansiedade: o impacto emocional das festas de fim de ano - Gente de Opinião

Festas de fim de ano estão associadas a alegria, celebração, encontros familiares e renovação de esperanças, luzes, músicas, confraternizações, votos de prosperidade dominando o ambiente social, mas por trás do clima festivo, há pessoas que oscilam com sentimentos contraditórios: euforia intensa junto a ansiedade, angústia e até tristeza. É um paradoxo, mas não incomum. As festas de fim de ano amplificam emocionalmente tudo o que foi vivido nos meses que antecedem dezembro de forma intensa, num curtíssimo período quando a euforia está presente quase que como exigência social. Há uma sensação de que é preciso viver em sua totalidade a ruidosa, alegre e indescritível “felicidade natalina”.

Dezembro traz a quase obrigação coletiva de estar feliz. Uma psicoterapeuta diz que é a “dezembrite”. A ideia de que o ano precisa ter um grand finale com celebração e isto cria uma pressão silenciosa. Reuniões familiares, troca de presentes festas corporativas e postagens nas redes sociais levam a narrativa de felicidade contínua, que não correspondem às realidades individuais. A atmosfera é de euforia, a excitação emocional suprida por estímulos, expectativas elevadas e sensação de fim de um ciclo. Mas há um senão. A euforia não espontânea tende a uma tentativa de corresponder ao desejo social que passa longe da verdade emocional legítima.

Dezembro é tempo de balanços pessoais. Questões como “o que fiz”, o que ganhei”, “onde eu queria estar”, surgem e somadas a comparações com parentes, amigos ou influenciadores tonificam a inadequação. E existe o lado financeiro. Gastos extras, compromissos e sonhos de consumo elevam o nível de estresse e se junto estiverem um luto, conflitos familiares ou a solidão, o clima de festa irá reforçar ausências e feridas emocionais impactando o humor e prejudicando interação social. Mesmo pessoas bem sociáveis podem se desgastar. A mente não encontra pausas para processar as emoções, a irritabilidade, a insônia e as crises de ansiedade se juntam a uma euforia exagerada que tem ares de fuga emocional ou tentativa inconsciente de evitar sensações desagradáveis que emergem quando o ritmo cai. E não há uma explicação padrão para as diferentes reações. A forma como cada um vivencia a “dezembrite” está ligada à sua história pessoal, experiências familiares, saúde mental, momento atual e rede de apoio. Para uns é tempo de recomeço e para outros, sinal de objetivo não realizado. Reconhecer essa diversidade é fundamental para reduzir os próprios julgamentos e expectativas irreais. Buscar caminhos é imprescindível. A festa acaba com ou sem final feliz, mas a vida continua.

Terapeutas apontam atitudes práticas para ultrapassar esse período com equilíbrio emocional, respeitando os seus próprios limites, aprendendo a dizer não a compromissos excessivos, reduzir ou eliminar as comparações e muito especialmente nas redes sociais, manter rotinas básicas, como sono e alimentação adequados, criar momentos de pausa e de silêncio mesmo em meio às celebrações e validar sentimentos, pois não existe a obrigação de ser feliz o tempo todo. Fale às pessoas certas sobre seus sentimentos como suporte para o seu conforto. Ter ansiedade ou ambivalência emocional no fim de ano é comum, mas crises frequentes, sensação persistente de vazio, exaustão extrema, alterações intensas de humor ou isolamento prolongado indicam que é hora de buscar apoio profissional. As festas passam, mas sua saúde emocional precisa de cuidado contínuo.

Busque um fim de ano mais humano e talvez o maior desafio seja ressignificar o período. Em vez da utopia da felicidade plena pense sobre o fim de ano como o seu momento de honestidade emocional que implica em reconhecer as suas conquistas, ganhos, limites, perdas e aprendizados. Faça um balanço honesto e anote. Entre a euforia e a ansiedade, há espaço para algo bem realista: aceitação, cuidado e gentileza consigo mesmo.

Este artigo substitui a última coluna de 2025. Vou aproveitar o fim de ano para olhar para dentro de mim e findo desejando a todos um bom natal e um abençoado ano novo. Sejamos felizes. Todos nós merecemos. 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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