Quinta-feira, 30 de abril de 2026 - 08h25

Poucos lugares sintetizam com tanta força a origem de Porto Velho quanto
o Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Para além do conjunto de
estruturas históricas, o espaço carrega marcas profundas de um ciclo econômico,
de fluxos migratórios e de histórias de vida que ajudaram a moldar a identidade
da região Norte do país. Neste 30 de abril, Dia do Ferroviário, essas memórias
ganham voz por meio de quem viveu, na prática, a rotina dos trilhos.
Lord Jesus Brown é um desses personagens. Filho de ferroviário, ele
construiu sua trajetória dentro da ferrovia e se tornou, ao longo das décadas,
uma espécie de guardião informal de sua história. Sua relação com o local
atravessa gerações e se mistura com a própria formação social da cidade. “Meu
pai chegou aqui para trabalhar na construção da ferrovia. A nossa história está
toda ligada a esse lugar. Eu tenho muito orgulho disso e sempre lutei para que
essa memória não se perdesse”, afirma.
A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, construída entre 1907 e 1912, foi um
empreendimento marcado por desafios extremos e pela presença de trabalhadores
de diversas nacionalidades. A obra, considerada estratégica à época, consolidou
rotas comerciais, impulsionou o ciclo da borracha e contribuiu diretamente para
o surgimento de Porto Velho e de outras localidades ao longo dos rios Madeira e
Mamoré.
A vida nos trilhos
Décadas depois, já em funcionamento regular, a ferrovia seguia como eixo
logístico e econômico da região. Brown relembra uma rotina intensa, marcada por
disciplina e esforço físico. “A gente acordava de madrugada para preparar a
locomotiva. Era preciso deixar tudo pronto cedo, organizar os vagões e seguir
viagem. O trajeto até Guajará-Mirim era longo, com muitas paradas. Levávamos
borracha, castanha, gado e outras mercadorias. Era um trabalho pesado, mas era
o que movimentava tudo aqui”, relata.
As viagens podiam durar mais de um dia, atravessando comunidades, áreas
de mata e pontos de apoio ao longo do percurso. Mais do que transportar cargas,
a ferrovia conectava pessoas, histórias e culturas em um fluxo contínuo pela
região.
Abandono e resistência
Com o encerramento das atividades ferroviárias, em 1992, o complexo
entrou em um período de abandono. Estruturas foram deterioradas pela ação do
tempo e pela falta de manutenção. “Isso aqui ficou jogado. Não tinha
iluminação, não tinha cuidado. Eu vi esse lugar se acabar aos poucos. Achei que
essa história ia morrer”, relembra.
Mesmo diante desse cenário, Brown permaneceu ligado ao espaço, movido
por um sentimento de pertencimento. “Minha vida sempre foi aqui. Eu não podia
simplesmente deixar isso para trás”, diz.
Nos últimos anos, o processo de revitalização trouxe um novo momento
para o Complexo Madeira-Mamoré, que passou a receber eventos, atividades
culturais e visitantes.
Brown destaca a importância da gestão atual e faz um reconhecimento
direto ao trabalho realizado. “Eu quero agradecer o grupo Amazon Fort que pegou
isso aqui. Hoje tá um brinco. Não é fácil manter um lugar desse tamanho, mas o
pessoal vem fazendo esse trabalho e isso faz toda a diferença”, afirma.
A permanência dessa história, no entanto, não depende apenas dos trilhos
preservados ou das estruturas restauradas. Ela se sustenta, sobretudo, no
reconhecimento coletivo de seu valor. É quando a população se apropria desse
passado, visita, respeita, compartilha e se reconhece nele, que o legado da
Madeira-Mamoré e dos ferroviários deixa de ser apenas memória e passa a ser
identidade viva.
Ao refletir sobre o Dia do Ferroviário, Brown reforça a importância da
preservação como responsabilidade coletiva. “Porto Velho começou aqui. Isso é
patrimônio histórico. As pessoas precisam vir, conhecer e valorizar. Essa história
não pode parar”, conclui.
Quarta-feira, 3 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
A Jirau Energia e a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) inauguraram, na quinta-feira (23), em Porto Velho, um espaço expositivo com 16 blocos de

Homenagem a Antônia Quintão Sampaio: A Pioneira da Educação e a Força do Guaporé
Homenageamos hoje uma das figuras mais notáveis e dedicadas ao desenvolvimento da região que viria a ser Rondônia, ainda nos tempos do Território Fe

Desfile de 7 de setembro: símbolo de democracia e cidadania em Rondônia
Em comemoração à Independência do Brasil, alguns municípios de Rondônia irão realizar o desfile cívico-militar. Em Porto Velho, o evento acontec

A ex-prefeita e ex-deputada estadual Mileni Mota estreia como autora solo com o livro Entre Ninhos: a história de uma menina que venceu, publicado p
Quarta-feira, 3 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)