Sábado, 29 de março de 2025 - 08h05

Segundo a Associação Brasileira de
Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) a venda de novos imóveis atingiu a maior
alta em 10 anos, alcançando 11,8%, em 2024,
mais de 186 mil unidades vendidas. Mesmo com o cenário em aquecimento há
desafios a serem enfrentados que abalam um pouco a estabilidade do setor. O
principal deles é, sem dúvida, a recente elevação da taxa de juros projetada,
para o final do ano em 15%, o que tende a aumentar o custo do financiamento
imobiliário, restringindo o acesso ao crédito para a classe média e população
de baixa renda. Também a inflação, com aumento nos custos de produção, pode
dificultar a construção de novos empreendimentos e diminuir a rentabilidade das
incorporadoras, que, aparentemente, já se faz sentir nos lançamentos
imobiliários. É verdade que o programa
Minha Casa, Minha Vida continua a impulsionar o setor, com lançamentos e vendas
estáveis, porém o orçamento do FGTS está no seu limite, o que pode não ser
suficiente para compensar a falta de financiamento em outros segmentos. De
qualquer forma o mercado segue aquecido e há muitas ofertas disponíveis.
Alerta sobre problemas jurídicos

O momento do setor ainda é favorável e os participantes do mercado, como profissionais e investidores, encontram formas de superar as dificuldades, mas a advogada especializada em direito imobiliário, Suellenn Simas, alerta sobre as alegações futuras de vício de consentimento, abusividade contratual, estruturação jurídica inadequada e a não formalização das garantias. No que a especialista em contratos e negociações, Renata Hütner, também concorda elencando pontos como a estruturação jurídica, escolha do regime de aquisição e formalização das garantias que são agentes determinantes do êxito ou do fracasso do investimento, e devem ser analisados com cautela diante de ofertas atrativas. Outro fator a ser considerado é a qualidade do investimento e a rentabilidade estimada. As advogadas, que são Sócia-fundadoras do escritório Simas e Hütner Advocacia, referência em assessoria jurídica e imobiliária, as advogadas explicam que com o alto fluxo de vendas, a atenção se direciona somente para o fechamento de contratos, desprezando a qualidade do investimento. Para elas, “Não se trata apenas de evitar prejuízos: trata-se de proteger a reputação e a sustentabilidade das operações. Para os corretores e imobiliárias, estar em conformidade com a Lei nº 4.591/64, o Código de Defesa do Consumidor e a legislação urbanística local é indispensável”.
De um modo geral, o momento que o mercado imobiliário brasileiro vive é histórico e não deve ser deixado para trás por medo de investir ou pela falta de prudência no adquirimento dos imóveis. No entanto, requer atenção. “Crescer no mercado é importante. Mas crescer com respaldo jurídico é o que garante permanência”, concluem.
Fonte: Usina de Ideias com informações de Lucas Leão, da Mengucci Imprensa & Mídia.
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