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Silvio Persivo

Bule-Bule: tradição, poesia e música que encanta a Bahia

(Uma singela homenagem a um mestre do repente e da arte de cordel)


Bule-Bule: tradição, poesia e música que encanta a Bahia - Gente de Opinião

Existem pessoas que amamos pelo simples fato de serem amáveis. E há outras, como meu ilustre amigo Bule-Bule-que, além de amável, é quem mantém vivas as tradições musicais sertanejas da Bahia e, ao mesmo tempo, referência da literatura de cordel, graças ao seu inegável talento. Tive a sorte de conhecê-lo em Rondônia, acompanhado de Antônio Queiroz, outro grande talento que já subiu para o outro patamar. Como Queiroz diz em versos sobre amizade: “quando a gente está com sorte, encontra sem procurar”. A dupla fez história em Porto Velho e no interior, levando seu canto e sua poesia aos rincões mais distantes, outrora, Santa Luzia, uma vila ainda, ou Cacaulândia onde haviam poucas ruas. Em muitas noites, nos brindaram com música e boas conversas que ficaram na memória tornando suas figuras inesquecíveis em nossa memória.

Naquela época eu estava meio apaixonado e distante do meu amor, e Bule-Bule teve a gentileza de cantar uma bela canção sua (Ela) para minha mulher, pelo telefone coisas do romantismo do século passado. A música e a poesia de Bule-Bule resistem ao tempo e continuam a trazer satisfação a muitas pessoas. Um artista prolífico que não se deixou abalar por uma doença traiçoeira, a diabetes, que lhe deu uns problemas de saúde. Ele superou os obstáculos e, no último dia 31 de julho, em celebração dos 202 anos da Independência da Bahia, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia), o governador Jerônimo Rodrigues (PT) concedeu-lhe a Medalha da Ordem 2 de Julho, no grau de Comendador Antônio Ribeiro da Conceição (Mestre Bule-Bule). A honraria não foi concedida apenas a ele, mas a 18 agraciados, incluindo Maria Bethânia e Daniela Mercury. Além de já possuir títulos como Cidadão Honorário de Salvador e a Ordem do Mérito, ainda há muito a fazer para homenagear esse artista que participa do longa-metragem “Luiz Gonzaga – Légua Tirana”, retratando a vida do Rei do Baião, um dos maiores símbolos da cultura nacional. A obra, produzida pela Mont Serrat Filmes e a Cinema no Interior, apresenta o legado do músico através de ritmos, paisagens e sonoridades de sua origem pernambucana.  Convido você a conhecer o trabalho de Bule-Bule nas redes: Veja, por exemplo, (https://www.facebook.com/reel/9294070697295046); Facebook (https://www.facebook.com/search/top?q=bule%20bule%20oficial%20 )  e confira o clipe “Vá Canarinho” no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=x9Md-KdNem8&list=RDx9Md-KdNem8&start_radio=1). Bule-Bule, meu querido, mojubá! Que os deuses da música e da poesia continuem abençoando seu caminho.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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