Segunda-feira, 29 de novembro de 2010 - 05h35
"Marginal sem casa, sem arma, sem território, sem moeda de troca é muito menos marginal do que era antes”. – José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio de Janeiro
01-A guerra do Rio – Direitos humanos
"Esta violência é totalmente inaceitável, mas a resposta da Polícia colocou em situação de risco às comunidades". A pérola aí é de um pesquisador da Anistia Internacional especializado em Brasil, sabe Deus talvez o que isso signifique. Seu nome é Patrick Wilcken e como se pode depreender está preocupado com o que pode acontecer aos traficantes. Politicamente incorreto e nem um pouco incomodado com Patrick e sua opinião, aplaudo a ação no Rio de Janeiro
02-A guerra do Rio – Guerrilha urbana
O enfrentamento entre forças policiais e os diversos bandos dos morros do Rio, mostrado à exaustão durante uma semana e com desfecho no domingo, revela o que todos sabem desde a década de 80: existe guerrilha urbana no Brasil e a ação de hoje no Complexo de Favelas do Alemão é uma das muitas que terão que acontecer no país nos próximos anos. Quem possui um míssil para abater um tanque de guerra não é anjinho brasileiro. É inimigo e o alvo a ser abatido.
03-A guerra do Rio – O sócio oculto
O foco inicial das forças militares e policiais eram os traficantes, as drogas e as armas. Ação absolutamente necessária para que a ação subseqüente, de levar a instituição estado à favela, possa ocorrer num ambiente sem confronto. Mas, senti a falta de um grupo ainda maior formado por sócios ocultos do tráfico. Na boate da moda, nas baladas, apartamentos de luxo, nas festas do high-society e até nos intervalos entre reuniões, lá estão, cheirando e financiando as armas e drogas. O sócio oculto, de Armani, dirá qual o próximo endereço do tráfico.
04-A guerra do Rio – Rei morto, rei posto?
O poder paralelo do tráfico deixará de existir ou continuará sob outras formas? Não há vácuo de poder. O alto consumo de drogas no Brasil revela que há uma demanda cujo montante aparece tomando-se por base o número da apreensão oficial. Sabe-se que o grande cliente não é o favelado, que não tem onde cair morto e sim o morador do asfalto. A procura vai continuar, como vão continuar as marcha da maconhas, a pressão por penas brandas para o consumidor e a visão de que o “narigueta” precisa de tratamento e de preferência pelo SUS. No subterrâneo, os “narizes de platina” acharão os meios e buscarão um novo rei.
05-A guerra do Rio – O estado ausente
A frase da repórter me sacudiu: “O estado abandonou a comunidade”. Nada é tão falso. No Brasil a figura do estado está ligada a partidos, pessoas e grupos que jamais abandonam uma comunidade, ou região. Eles a cultivam como se cultiva uma plantação de maconha. É ilegal mas, lucrativa com a safra do voto. Miseráveis, incultos e famintos pedem pouca coisa e mantém uma fidelidade canina a quem lhe dá o básico. Assim é no Nordeste, em guetos e favelas. Nos anos 80 um acordo tácito criou o estado paralelo no morro e em alguma hora o estado paralelo se agigantou e enfrentou o estado oficial. Aí o “baguio fedeu”.
06-A guerra do Rio – The Day after
O governo usou a violência que lhe assegura a Constituição na ação de guerra. A força desproporcional resultou num assalto perfeito mas, amanhã é um novo dia. O governo terá que ocupar o lugar que lhe foi tomado, fruto da sua própria leniência. Primeiro com UPPs e depois com serviços que levarão dignidade ao morador. Infelizmente “o governo salvador” será credor em votos dessa mesma população. Meno male. Um dia o cidadão irá entender que não recebe favor de ninguém e que paga antecipadamente, e muito por qualquer ação do governo.
07-A guerra do Rio – Fim da lei do silêncio
“Ganhamos ao prêmio maior da loteria da vida: a paz”. A frase estava em um bilhete de um morador não identificado. Ainda que ao lado da polícia, o medo o calou. No final do dia cenas incomuns nas favelas: moradores abertamente se manifestavam e ajudavam a polícia denunciando os esconderijos e práticas dos traficantes. É o fim da lei do silêncio e o início de uma nova era de colaboração do cidadão com o governo. Uma conquista que terá de ser cultivada todo dia.
08-A guerra do Rio – Os filhos do tráfico
Para a grande maioria dos jovens das favelas o futuro sempre foi complicado. A vida difícil do pai, a saída do local onde nasceram, o sonho de jogar futebol e o dinheiro fácil do tráfico. Mora aqui com certeza, o maior problema do governo terá que enfrentar amanhã mesmo. Não basta libertar. Tem que inserir o jovem na sociedade. A tarefa aponta dois caminhos: uma “bolsa-alemão” ou coragem para ouvir, trabalhar em conjunto com jovens construindo escolhas. Pedreira...
09-A guerra do Rio – Construindo políticas
Como integrar sonhos de favelados à realidade e glamour da Zona Sul? Como dar emprego a quem ganhava uma grana preta para ser olheiro? Como reprimir o uso de entorpecentes entre as classe mais abastadas? Como manter, depois de ocupar, a confiança da população favelada? Como criar e equipar espaços de convivência entre becos, vielas ladeiras e escadarias? O que fazer depois de pacificar os morros? As cobranças irão surgir e o dinheiro é curto para isso.
10-A guerra do Rio – O recado
O Brasil vive novos e bons tempos. Ficha limpa, políticos e verbas fiscalizados, crítica cada vez mais aberta, acesso a notícias em tempo real e consciência de que nossas mazelas precisam de soluções. Somos ainda um país injusto mas, que começa a discutir o tema. Não somos uma ilha. Ligados a tudo de bom e de mau temos que fazer escolhas que envolvem por exemplo, as relações com vizinhos produtores e fornecedores de armas e drogas. Não dá para confundir partido e ideologia com governo. Não dá para viver com a impunidade e com o faz de conta. Não dá para ver bolsões de miséria sem portas de saída. Não dá para esquecer a tragédia do Rio e que poderia ser de qualquer lugar do Brasil como... Rondônia inclusive.
Fonte: Léo Ladeia - leoladeia@hotmail.com
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