Porto Velho (RO) domingo, 27 de setembro de 2020
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Gente de Opinião

José Carlos Sá

José Alencar, um bravo que conheci


 
José Carlos Sá é jornalista

Conheci José Alencar na CNI, em Brasília. Ele fazia parte da Confederação das Indústrias e nas reuniões de diretoria sempre estava lá, mesmo já não sendo mais presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais. Fui apresentado pelo Miguel de Souza, então presidente da FIERO. Alencar falava com todos, empresários, assessores e pessoal de apoio, dando atenção a seus interlocutores.

No início do governo Lula, acompanhei o vice-governador em audiências com o Alencar ministro da Defesa. Continuava do mesmo jeito. Cumprimentos a todos, um dedo de prosa e entrava no assunto da José Alencar, um bravo que conheci - Gente de Opiniãoagenda. Em 2003, trabalhando novamente na FIERO, fui encarregado de coordenar o grupo que prepararia as solenidades de inauguração do prédio da Casa da Indústria e de uma palestra sobre empreendedorismo a ser ministrada pelo vice-presidente José Alencar.

O pessoal do Itamaraty, que veio orientar o cerimonial, deixou tudo por nossa conta, ajustando o evento às formalidades e liturgias do cargo. As reuniões foram feitas com representantes da Polícia Federal, Polícia Militar e cerimonial do Governo do Estado. Também fui encarregado de escrever o roteiro de apresentação de José Alencar a ser lido pelo mestre de cerimônia antes da palestra.

Fui pesquisar na internet e achei pouca coisa sobre ele. O melhor perfil estava no site do PCdoB, Vermelho, redigido quando o empresário foi indicado para ser o candidato a vice do Lula. Ainda assim liguei para a FIEMG para checar alguns dados e teci a colcha de retalhos. No dia do evento, à medida que o locutor lia o texto a fisionomia de Alencar foi do sorriso às lagrimas e novamente ao sorriso, especialmente quando se falava do primeiro emprego dele como balconista, aos sete anos de idade, no comércio do pai.

As solenidades foram encerradas e depois do almoço um descanso no prédio recém inaugurado, antes do embarque. De improviso fui responder aos questionamentos de Alencar sobre a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, já que ele foi presenteado com um entalhe em madeira representando uma Maria Fumaça. Ele ouviu, agradeceu e perguntou: - Você é daqui mesmo? Antes que eu respondesse, o Miguel de Souza falou por mim. “Não, o Zé é seu conterrâneo, presidente”. Aí veio a pergunta inevitável: “Você é de onde?” – Teófilo Otoni, presidente. “Conheço sua terra, aquela região toda... Interessante, encontro mineiros no mundo todo”. Aí a prosa tomou outro rumo e os meus 15 minutos de fama se esgotaram.

Acompanho, agora, a agonia lenta e a tenacidade de José Alencar para manter a vida. É um forte, um vencedor e como ele mesmo disse: “O homem deve viver preparado para morrer a qualquer instante, e deve proceder como se não fosse morrer nunca”.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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