Sexta-feira, 2 de janeiro de 2026 - 07h50

Bagé, RS, 02.01.2026
Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista
Manchete:
Manchete n° 756, Rio de Janeiro, RJ
Sábado, 15.10.1966
O 22° Presidente
O Longo Caminho de Costa e Silva
(Reportagem de Homero Homem E Carlos Marques)
O Presidente da República, eleito
agora pelo Congresso, era quase desconhecido fora dos Círculos Militares, ao
irromper o Movimento Revolucionário de março de 1964. Fora ele, em nome do
Exército, o primeiro signatário do Ato Institucional, emanado do Alto Comando
Revolucionário. O Almirante Augusto Rademaker e o Brigadeiro Francisco Correa
de Melo, que também o assinavam, eram figuras públicas. O primeiro fôra
Ministro da Marinha e o segundo Ministro da Aeronáutica. Mas quem era o
General Arthur da Costa e Silva, subitamente colocado no primeiro plano dos
acontecimentos?
Era a pergunta que muitos faziam. E
com tal insistência que o Ministério da Guerra, a fim de satisfazer a
curiosidade geral, se apressou a distribuir à imprensa uma nota, com o seu
currículo. Começava assim:
Arthur da Costa e
Silva, filho de Aleixo Rocha da Silva e Almerinda Costa, nasceu na cidade de
Taquari, no Rio Grande do Sul, no dia 3 de outubro de 1902. Sua vocação militar
era tanta que, voluntariamente, no dia 14 de março de 1918, ingressou na Escola
Militar do Realengo, no antigo Distrito Federal.
Na verdade, não são muitos os Cadetes
de 16 anos. Mas o jovem Arthur desde menino brincava de soldado, com os irmãos
e os amigos, às margens do lago Armênia, que embeleza o panorama urbano de sua
cidade natal.
Tanto pelo lado paterno como pelo lado
materno, o Presidente eleito descende de imigrantes açorianos, que figuram
entre os primeiros povoadores da antiga Província de São Pedro do Rio Grande do
Sul.
Seu pai, modesto comerciário,
tornou-se depois importante homem de negócios, como sócio e sucessor de seu
sogro, de quem fora, a princípio, empregado. Republicano convicto, pertenceu
Seu Aleixo ao Clube 3 de Maio, no qual se inscreveu em 1886. Foi, assim, um dos
propagandistas do regime de que seu filho viria a ser um dos chefes. Além de
seu entusiasmo pela República, Seu Aleixo tinha também paixão pela música,
Chegou a organizar uma orquestra em casa, com a participação dos filhos e
filhas. Estes eram nove: Antônio, Riograndino, Emanuel, Romualdo, Arthur,
Raquel, Sofia, Amélia e Alzira, esta conhecida pela alcunha familiar de Ziloca.
O atual Presidente eleito tocava clarinete e flauta.
Depois dos estudos primários, na
escola da Professora Ana da Silva Job, em Taquari, o menino Arthur foi cursar o
Colégio Militar de Porto Alegre. A irmã mais velha, Ziloca, era quem, como uma espécie
de segunda mãe, tomava conta do futuro Marechal. E, mesmo à distância, continuou
a exercer sua afetuosa tutela. Na capital gaúcha, Arthur fez conhecimento com
alguns colegas que também se destacariam na carreira das armas e na vida
pública: Humberto de Alencar Castello Branco, Napoleão de Alencastro Guimarães,
Amaury e Riograndino Kruel. Tinha um número: era o 254. E uma paixão: a música.
Ingressou, por isso, na banda do Colégio, dedicando-se de tal modo ao clarinete
que se descuidou de algumas matérias. Quando mostrou o boletim das notas, em
Taquari, onde foi passar as férias, Ziloca o repreendeu com tal severidade que
ele deixou o instrumento de lado, embora já fosse o chefe da banda. Dedicou-se,
então, com grande afinco aos estudos, cumprindo o resto do curso com distinção.
E, ao terminá-lo, era o Comandante Aluno do Colégio Militar de Porto Alegre.
Além de bom estudante, interessava-se
pelas letras. Principalmente pela poesia de Olavo Bilac, que então despertava o
entusiasmo da mocidade brasileira, com sua campanha patriótica, à frente da
Liga da Defesa Nacional, no afã de popularizar o Serviço Militar obrigatório.
O curso, na Escola Militar do
Realengo, foi também brilhante. Longe da família, sem parentes no Rio, era o moço
gaúcho um dos alunos “laranjeiras”,
que não tinham para onde ir nos dias de folga e, por isso, passavam os
feriados na própria Escola, lendo, estudando ou fazendo esporte. Como o soldo
era curto, o único luxo gastronômico que
lhes era permitido consistia no assalto aos
tabuleiros dos vendedores de laranjas das proximidades.
Daí a alcunha. Um dos professares, o General Severo Barbosa,
simpatizando com o Cadete Costa e Silva, convidou-o a frequentar sua casa. Era também
gaúcho e morava ali perto, em Deodoro. O convite era desinteressado. É verdade
que o General tinha uma filha, mas esta ainda não fizera onze anos. Entretanto,
algum tempo depois, o Cadete Costa e Silva disse a seu colega Aguinaldo Caiado
de Castro: “Vem comigo, que vou te mostrar
a guria com quem hei de me casar”. Ao vê-la, o colega disse: “Ora, não amola! É uma criança!” Mas a
criança cresceu. Tornou-se uma mocinha. Servia chimarrão ao pai e aos seus
jovens amigos.
Em 18 de janeiro de 1921, o Cadete
Costa e Silva era declarado Aspirante a Oficial e, a 11 de maio do mesmo ano,
recebia as insígnias de Segundo Tenente. Exatamente nesse ano, o Brasil iria entrar
numa fase de grande agitação. O Governo do Presidente Epitácio Pessoa se
aproximava do fim. O político mineiro Arthur Bernardes, que se achava à frente
do Governo de seu Estado, é indicado pelas Forças Situacionistas para ocupar o
Catete.
A oposição aponta, como seu candidato,
o ex-Presidente Nilo Peçanha. Num ambiente eletrizado pelas ambições em choque
surgem as famosas cartas falsas, atribuídas a Bernardes, contendo expressões injuriosas
aos militares. Por mais que o candidato oficial negue ser o autor das injúrias,
poucos lhe dão crédito. No Clube Militar há uma Assembleia de protesto, que se
encerra com a votação de uma moção contra Bernardes. Epitácio, com grande
energia, acabará por fechar o Clube Militar. Um dos signatários daquela moção
foi o Tenente Costa e Silva.
A Revolução de 5 de julho de 1922, no
Forte de Copacabana, para depor Epitácio e impedir a posse de Bernardes, eleito
no mês de março, foi uma consequência daquela trama, A mocidade militar se
deixara levar, de roldão, pois até o célebre Locard, perito em grafologia da polícia
de Paris, dera um laudo garantindo a autenticidade das cartas. Costa e Silva
estava articulado com os rebeldes do Forte. Sua missão, com outros
companheiros, era sublevar a Escola Militar. Tinham como senha o nome do herói
de Dourados: “Antônio João”. E como contrassenha:
“Sei que morro!” Mas o movimento da
Vila Militar não chegou a eclodir. O Governo tinha seus espiões e prendeu os
cabecilhas. Costa e Silva, cuja posição era conhecida desde a assinatura da
moção do Clube Militar, foi preso e recolhido ao quartel da 1ª Companhia de
Metralhadoras, em Deodoro.
Mais tarde, por medida de segurança,
era transferido para o navio-presídio “Alfenas”,
onde permaneceria durante seis meses. Alguns de seus companheiros, nessa
unidade do Lóide, ancorada perto da ilha das Enxadas, eram Juarez Távora,
Edmundo de Macedo Soares e Silva, João Carlos Barreto, Ciro do Espírito Santo
Cardoso.
No Alfenas, uma coisa, principalmente,
o atormentava: a interrupção do namoro, em fase já adiantada. Um dia, mandou
um bilhete ao General Severo Barbosa: “Não
tenho amigos, nem parentes. Traga-me sua filha, Iolanda, que quero ficar noivo
dela”. O professor da Escola Militar convenceu-se de que o jovem Tenente era
homem de fibra, a quem as vicissitudes não conseguiam abater. Mas só em 1925
realizou-se o casamento. O Tenente Costa e Silva, mandado para a Guarnição de
Santa Maria, no Rio Grande do Sul, mal se incorporara à nova unidade, foi
chamado ao Rio para responder a inquérito. A fim de sobreviver, no Rio, com um soldo
de 400$000, pagando 270$000 de aluguel, fez-se professor e jornalista.
No “O Imparcial”, obteve uma coluna, graças a um pedido de Edmundo de
Macedo Soares e Silva a seu tio, J. R. de Macedo Soares. Ganhava 50 mil réis
por artigo, assinado com o pseudônimo de Raul d’Alva. Enviava também correspondências
para o “Taquariense”, com o título
de “Coisas do Rio”. E lecionava Matemática
Elementar e outras matérias a moços chegados do Norte, que se alistavam no
Exército e queriam fazer concurso para sargento.
Impronunciado pela Justiça Militar, voltou
à tropa, indo servir em Santa Maria. Mas aí aderiu ao novo 5 de julho – o de
1924, que eclodiu com a rebeldia de São Paulo, chefiada por Isidoro Dias Lopes
e do qual resultaria a famosa Coluna Prestes. Desarmado e preso, fez, depois,
uma tentativa para se incorporar à Coluna Prestes, mas um ataque de apendicite,
exigindo imediata operação, frustrou tal propósito. Ao ter alta, conseguiu
ingressar na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, cujo curso terminou em
1930, alcançando o primeiro lugar “pela
sua atuação eficiente e destacada”.
O Diretor daquela escola salientou o
seu interesse por “todos os trabalhos do
curso”, dos quais participou “com
brilhantismo e grande proficiência”. E ainda: “No terreno, deu provas de capacidade de comandar e desenvolvido espírito
de iniciativa. Satisfez todos os requisitos de um excelente instrutor. Grau de
aptidão e de comando: 9”. Graças a essa colocação, ganhara o prêmio de
viagem, para aperfeiçoamento na França, existente desde a época em que a Missão
Militar Francesa formara a sua primeira turma no Brasil. Mas não chegou a
embarcar para a Europa, em consequência da rápida mudança então verificada em
nossa situação política.
Iniciada a Revolução de 30, no Rio
Grande do Sul, Costa e Silva, juntamente com outro Tenente, Napoleão de Alencastro
Guimarães, foi se incorporar ao 3° Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha,
ali trabalhando os seus camaradas para aderir ao Movimento contra o Governo de
Washington Luís. A 24 de outubro, vitoriosa a Revolução, era ele o porta-bandeira
do 3° RI, em marcha para o Palácio Guanabara.
A 15 de agosto de 1931 era Costa e Silva
promovido a Capitão, posto em que, no ano seguinte, ajudaria a sufocar o Movimento
Revolucionário de São Paulo, contra o governo discricionário de Getúlio Vargas.
Major por merecimento a 24 de maio de 1937, também por merecimento teria as
promoções a Tenente-Coronel (24.05.1943) e a Coronel (25.12.1944). Passaria a General
de Brigada em 2 de agosto de 1952, de Divisão em 25 de abril de 1958 e de Exército
a 25 de novembro de 1961. Como Coronel, desempenhou, por quatro anos, o cargo
de adido militar junto à Embaixada do Brasil na República Argentina. Exerceu importantes
comandos, inclusive o do IV Exército, no Recife, de agosto de 1961 a setembro
de 1962.
Mas toda a sua vida militar sempre se
cercou da maior modéstia e discrição, raras vezes aparecendo o seu nome no
noticiário da imprensa. Não participou da FEB, mas cursou em Fort Knox, nos
Estados Unidos, a Armored School, do Exército norte-americano, de janeiro a junho
de 1944, para aperfeiçoar seus conhecimentos de motomecanização, tornando-se
comandante e Diretor de Ensino da Escola de Motomecanização a partir de 1941.
Apesar de sua modéstia, o General Costa
e Silva via o seu nome crescer nos círculos militares, em razão de atitudes que
demonstravam bravura e capacidade de liderança. A 14 de fevereiro de 1959 assumira
o comando da Divisão de Infantaria, em São Paulo, que só deixaria a 16 de julho
de 1961. Foi nesse período que se verificou o levante da Força Pública Paulista
contra o Governo do Sr. Carvalho Pinto. A situação parecia de extrema gravidade.
Mais um pouco, o Governador estaria deposto. No Palácio dos Campos Elísios, já
cercado pelos policiais rebelados, o Sr. Carvalho Pinto estava praticamente prisioneiro.
Só a intervenção das Forças do Exército poderia salvá-lo.
Mas uma Batalha Campal, dentro de uma
cidade populosa, como a capital paulista, poderia ter as mais terríveis consequências.
O Gen Costa e Silva resolveu intervir, como mediador. Dirigiu-se, sozinho, aos
Campos Elísios, onde, com a força dos seus argumentos, chamou à ordem os
rebeldes, convencendo-os a se retirarem do Palácio. Afirma-se que esse serviço
prestado à ordem pública despertou a; admiração do Presidente Jânio Quadros.
Mas já foi depois da renúncia deste que Costa e Silva seguiu para Recife, como
comandante do IV Exército.
Em Pernambuco, no início do ano de
1962, tentou dissuadir os estudantes da Faculdade de Direito da realização de
um desfile de calouros, no qual haveria carros alegóricos com críticas aos
militares. Os universitários não atenderam aos seus apelos, nem às suas
advertências. Quando saíram os primeiros carros, os estudantes foram contidos
por forte dispositivo militar, inclusive tanques de guerra. E os soldados destruíram
as alegorias consideradas ofensivas.
Em 1963, quando ocorreu um incidente,
em Natal, entre o General Murici e o Deputado Leonel Brizola, Costa e Silva,
então chefe do Departamento do Pessoal, no Rio, foi o primeiro Oficial General a
telegrafar ao seu colega, hipotecando-lhe solidariedade. Nesse gesto, foi
seguido por 33 Generais, que assim desagravaram o companheiro ofendido pelo
cunhado do Presidente João Goulart. À base desses 33 Generais surgiu a conspiração
que elaboraria o Movimento de 31 de março de 1964.
O General Costa e Silva chamou um Coronel
do seu Estado Maior, Jayme Portela, e lhe disse: “Você tem muita experiência em conspiração. Eu também tenho. A
resistência, nas Forças Armadas, está criada. Somos fortes no Estado Maior, mas
relativamente fracos nos quartéis. Precisamos nos fortalecer também nesse setor”.
Datam daí as primeiras articulações em outros escalões, visando a retirar o Sr.
João Goulart da Presidência. Este parecia empenhado em facilitar a conspiração,
com seus pronunciamentos e atitudes imprudentes, que criaram maiores desconfianças
nos setores militares. A rebeldia dos marinheiros, com o desfecho que teve, e o
banquete dos sargentos foram as últimas gotas d’água que fizeram transbordar a
taça. Iniciado o movimento, o General Costa e Silva declarou que, em virtude
de ser o mais antigo dos membros do Alto Comando
Revolucionário, assumira a chefia do Exército Nacional.
Essa comunicação foi expedida a 31 de
março. Ele chamava a si, portanto, toda a responsabilidade do Movimento.
Poderia, então, se quisesse, ter assumido o Governo, com plenos poderes, mas,
ao ser dissolvido o Alto Comando Revolucionário, limitou-se a assumir o cargo
de Ministro da Guerra. O movimento vitorioso preferia institucionalizar-se
através da escolha, pelo Congresso, de um Presidente e de um Vice-Presidente,
que exerceriam o Governo na fase de transição. O Congresso deu solução a esse
problema, elegendo o Marechal Castello Branco e o Deputado José Maria Alkmin,
cujos nomes haviam sido lembrados por elementos civis e militares. A votação
era no sentido de que eles terminassem o quinquênio iniciado por Jânio e
continuado por Jango. Mas houve, posteriormente, uma prorrogação dos dois mandatos,
até 15 de março de 1967.
Nestes dois anos e pouco, o ambiente
político não cessou de se transformar, por força dos sucessivos Atos
Institucionais e complementares. Os Partidos políticos foram dissolvidos, só
sendo permitido a existência de dois, um da Revolução, outro da Oposição. Duas
candidaturas à Presidência da República, já praticamente lançadas, as de
Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, deixaram de existir, com a cassação dos
direitos do primeiro e a dissolução da UDN, que deixou o segundo no ar. Uma
terceira candidatura, a de Ademar de Barros, assíduo nos pleitos anteriores,
igualmente foi cancelada, por duplo motivo: a dissolução do PSP e a cassação
do Governador paulista. O General Costa e Silva, que foi o primeiro dos homens
da Revolução a enfrentar os debates pela televisão, nos momentos mais drásticos
tinha gestos humanos e atitudes de relativa moderação, como, por exemplo,
quando declarou que as famílias dos cassados tinham direito a pensões, pois não
se podia nelas punir os erros de seus chefes.
Em janeiro deste ano, ao partir para a
Europa, disse a Manchete:
Estou de viagem
marcada. E hoje almocei com o Presidente Castello Branco, a fim de despedir-me
dele. Disse-lhe, na ocasião, o que já havia dito, antes, a um Deputado: que, se
eu for indicado como candidato à Presidência, aceitarei a indicação com muita
honra.
Mas, para ser candidato, teria o
General Costa e Silva que deixar o Ministério da Guerra, desincompatibilizando-se.
Foi o que fez, ao mesmo tempo em que passava para a reserva, promovido a Marechal.
Já afastado das funções públicas e da
caserna é que pleiteou a sua indicação pela ARENA. Não se cumpriram as
profecias dos que apostavam que, fora do Ministério e da ativa, ele logo seria
esquecido pelos políticos, mais desejosos de prorrogar o mandato do Presidente
Castello Branco do que de vê-lo no Palácio da Alvorada. Para queimar Costa e
Silva, os adversários recorreram a uma das armas mais eficientes ao seu
alcance: a do ridículo. Forjaram, contra ele, mil e uma sutis anedotas, verdadeiras
obras-primas epigramáticas, rapidamente vulgarizadas. Nem contra o Marechal
Hermes da Fonseca, vítima de igual campanha no período 1910-1914, houve tão
grande número de perfídias em circulação. Mas, em vez de irritar-se, Costa e Silva
começou a pedir que os amigos lhe contassem a “última”. E, se algum deles estava desinformado, o próprio Marechal
perguntava:
Você já sabe aquela
do elefante do Circo de Moscou, que se recusou a entrar na ARENA?
Quando deixou o Ministério da Guerra.
disseram que ele era um candidato solto no ar. Ele confirmou:
Sou mesmo. Mas
acontece que o Presidente Castello Branco não é um maquiavélico...
Disse que as eleições indiretas provocavam
confusões nas Assembleias Legislativas e eram até mesmo imorais. Mas afirmou,
também, que seria candidato, ainda que as eleições fossem diretas, pois não
teme o povo, nem a mocidade. Afirmou que em seu Governo os jornalistas não sofrerão
restrições (ainda que se fale, atualmente, numa nova lei de imprensa). E
frisou:
Entendo que regime
democrático é dar amplas garantias aos homens de imprensa que têm
responsabilidade de divulgar os atos daqueles que cuidam das coisas públicas.
Conheço bem os jornalistas e sei quanto são honestos no exercício de suas
funções.
Só tem diferença com os fotógrafos:
Passo meia hora
firme, batendo continência, sem sequer piscar, e eles tampouco se mexem. Mas,
quando eu tiro um lenço do bolso para enxugar o rosto, começam todos a me
fotografar... Porquê?
Diz que o Brasil não comporta uma ditadura,
nem ele próprio tem a menor vocação para ditador. Não falta quem veja nele um
homem capaz de promover a união nacional, sem volta ao passado, inclusive com a
anistia dos políticos que foram cassados pela Revolução em nome da qual vai
ascender ao poder a 15 de março. Sua eleição para a Presidência da República
ocorreu exatamente no dia em que fazia 64 anos. Nunca houve um civil, ou
militar, que tivesse até hoje recebido tal presente de aniversário.
É o Brasil, juntamente com as chaves
do Alvorada, que ele recebe do Congresso Nacional – o único que em toda a nossa
história escolheu dois Presidentes e Vice-Presidentes por votação indireta.
Veremos, em breve, se ele será um
conciliador, como o Marechal Dutra, ou um outro Marechal de Ferro, como Floriano.
(REVISTA MANCHETE N° 756, 15.10.1966)
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de
Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor
e Colunista;
YYY
Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso
do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de
Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre
(CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e
Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do
Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do
Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia
Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre
do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do
Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);



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Bagé, RS, 31.12.2025 Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete: Manchete n° 747, Rio de Janeiro, RJSábado, 13.08.1966 Quero o

Bagé, RS, 26.12.2025 Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete:

Bagé, RS, 24.12.2025 Vamos continuar reproduzindo as reportagens da Revista Manchete: Manchete n° 729, Rio de Janeiro, RJSábado, 09.04.1966 730 Dias

Bagé, RS, 23.12.2025 Vamos reproduzir, com a devida autorização, o excelente artigo do Preclaro Coronel Veterano e Advogado (OAB/DF 79680) Adão Panto
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