Sexta-feira, 13 de março de 2026 - 07h58

Manchete n° 915, Rio de Janeiro, RJ
Sábado, 1°.11.1969
Médici Acerta o Passo
(Reportagem
de Murilo Melo Filho)
A Convenção da Arena e a Nova
Constituição Enquadram-se no Processo de Normalização da Vida Política do País
As outras cinco Constituições
republicanas não foram menos turbulentas e perigosas do que a atual.
A “Primeira”
foi elaborada por uma Assembleia Constituinte no clima de entusiasmo que se
seguiu à queda do Império. Redigida dentro do modelo americano e com enorme
influência de Ruy Brabosa, foi promulgada a 24 de fevereiro de 1891 e vigorou
durante 43 anos. Era a que teria vida mais longa.
A “Segunda”
aconteceu em 16 de julho de 1934, após a Revolução de 1930 e como uma exigência
feita por São Paulo, dois anos antes, com sua Revolução Constitucionalista.
Seus erros e contradições deram-lhe vida curta.
A “Terceira”
surgiu em 10 de novembro de 1937, com a inauguração do Estado Novo,
cancelamento das eleições, fechamento do Congresso e início de um período
ditatorial. Com ela, o Brasil atravessou a II Guerra Mundial mas não pôde
ingressar na paz que lhe sucedeu.
A “Quarta”
emergiu na onda redemocratizada que se seguiu à queda do Sr. Getúlio Vargas.
Coube a elaboração a uma Assembleia Constituinte, que a promulgou a 18 de
setembro de 1946, em meio a agitados debates.
A “Quinta”
sobreveio em 24 de janeiro de 1967, quase três anos depois de vitoriosa a
Revolução de Março de 1964, e com o objetivo de aglutinar os vários Atos
Institucionais que haviam sido editados ao longo dos últimos meses.
A “Sexta”,
com data de 17 de outubro de 1969, custou dez meses de crises, iniciadas em 13
de dezembro de 1968 com o Ato Institucional n° 5, que decretou o recesso do
Congresso e reativou as cassações. Durante esses dez meses, aconteceram a
doença do Marechal Costa e Silva e o sequestro do Embaixador Burke Elbrick, que
levaram a crise já latente a um ponto de quase fusão. Com paciência e
habilidade, os três Ministros Militares que se investiram temporariamente no
exercício da Presidência conduziram as Forças Armadas à escolha de um candidato
realmente capaz de transformar-se num denominador comum das tendências
militares. Embora contestado de saída por alguns setores do Exército e da
Marinha, o candidato escolhido conseguiu impor-se imediatamente à confiança
geral, através de um pronunciamento pela televisão, recebido com desafogo e
aplausos em todo o País. Antes que ele pudesse ser eleito e empossado, tiveram
de cumprir-se várias etapas do ritual:
1. As cassações restantes nos planos
federal, estadual e municipal que serviram para limpar a área e possibilitar ao
novo Presidente o menor uso possível de poderes extraordinários.
2. A reunião da Arena para a homologação
das candidaturas indicadas pelos Chefes Militares.
3. O registro dos dois nomes pela Mesa do
Senado para que pudessem ser levados à votação pelo plenário.
4. A convocação do Congresso e sua
reabertura com poderes para eleger o novo Presidente e Vice-Presidente da
República.
No
Início de Novembro, mês em que se Comemora o 80° Aniversário da Proclamação da
República, o Presidente Médici, já Empossado, Estará Governando o Brasil
Ao mesmo tempo, dois outros Atos
tiveram de ser editados. Um para declarar a vacância presidencial, tanto a do
Marechal Costa e Silva, que terá honras de Chefe de estado e domicílio no
Palácio Rio Negro, como a do Sr. Pedro Aleixo, que não recebeu maiores
explicações. Outro Ato cuidou de advertir os rebeldes militares sobre os riscos
que correriam na hipótese de contestações ou indisciplinas: serão transferidos
para a reserva. O primeiro atingido pelos novos dispositivos foi o Almirante-de-Esquadra
Ernesto de Melo Batista, ex-Ministro da Marinha, que havia lançado um manifesto
contra o critério adotado para a indicação do General Garrastazu Médici.
Tendo deixado aos três Ministros
Militares todo esse trabalho preparatório do terreno para sua posse, o novo
Presidente cuidou de organizar o seu Ministério. No Rio, mantinha contato com
os membros da Junta de Governo e com os seus prováveis Ministros. Em Porto
Alegre, foi homenageado com um almoço pelo Governador Peracchi Barcelos,
durante o qual se despediu, emocionado, dos conterrâneos, e passou o Comando do
III Exército ao General Campos de Aragão. Usando a residência do Ministro da
Aeronáutica no Galeão, o General Médici ali fez os seus primeiros convites:
1. Ao Sr. Delfim Neto para que, com sua
equipe, continue no comando financeiro do País, revigorando toda a confiança
nos meios econômicos.
2. Aos Srs. Hélio Beltrão (Planejamento),
Dias Leite (Minas), Costa Cavalcanti (Interior), Mário Andreazza (Transporte) e
Márcio Melo (Aeronáutica), para que permaneçam à frente dos seus respectivos
Ministérios.
Os novos Ministros, convidados logo
nos primeiros dias, foram os Srs. Mário Gibson (Exterior), Fábio Yassuda (Agricultura),
Adalberto Nunes (Marinha), Orlando Geisel (Exército) e Jarbas Passarinho (Educação),
além do Coronel Otávio Costa (Assessoria Especial de Relações Públicas). Foi
deixada para a etapa final a escolha dos Ministérios restantes: Indústria,
Saúde, Trabalho e Justiça.
De Porto Alegre, o General Médici fez
questão de trazer seus auxiliares mais diretos e todos eles gaúchos: o General
João Batista Figueiredo (Chefe da Casa Militar), o Sr. João Leitão de Abreu (Chefe
da Casa Civil), o General Carlos Alberto Fontoura (Chefe do SNI), o Coronel Leo
Etchegoyen (Secretário Particular), o Major Coutinho (Assistente Militar), o
Capitão Ivo Pachali (Ajudante de Ordens) e o jornalista Carlos Fehlberg (Secretário
de Imprensa).
De modo geral, o novo Presidente manteve
seus convites envoltos em sigilo, para reduzir ao mínimo as pressões e
solicitações, e para também poder anunciá-los todos de uma vez só, já em
Brasília, para onde pretende transferir-se definitivamente, ainda esta semana,
após nova e breve passagem pelo Rio. Enquanto isto, eram reunidos os dados e
elementos necessários ao discurso presidencial de posse e o Cerimonial cuidava
de organizar o programa do dia 30:
Juramento perante o Congresso às 10h,
colocação da faixa no Palácio do Planalto às 11h, primeira reunião do novo
Ministério às 15h, recepção ao Corpo Diplomático às 16h e logo em seguida os
cumprimentos de autoridades civis e militares e de convidados especiais. No dia
seguinte, já empossado e instalado, o Presidente Emílio Garrastazu Médici
iniciará o Governo da VI República. (MANCHETE N° 915)
(*)
Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas,
Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
YYY
Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão
do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente
da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor
do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador
do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente
do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro
do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente
da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro
da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro
do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
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