Sábado, 1 de janeiro de 2011 - 10h03
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Lá fora, nestas primeiras horas da manhã, continuava “neblinando” ou “serenando”, como dizem os rondonienses da gema. Para migrantes paranaenses, gaúchos, paulistas e mineiros seria o equivalente a “garoando”, ou caindo um mero “chuvisco”.
É o primeiro dia do ano. Geralmente, aqui em Porto Velho, nos últimos anos, o primeiro de janeiro é aberto com verdadeiros dilúvios, por isso a lembrança que na minha região da cidade, o Bairro Olaria, estava apenas “neblinando” no amanhecer deste dia 1º .
Ao desejar um feliz 2011 aos rondonienses – das areias de Praia do Tamanduá, ao Norte do estado, aos campos de soja de Vilhena, no cone sul rondoniense – quero ser portador do primeiro puxão de orelhas ao governador Confúcio Moura, que toma posse logo mais as 15H30min. Sua declaração de guerra ao governador João Cahulla e aos prefeitos rondonienses, que receberam os ônibus do transporte escolar foi uma baita besteira, criando um péssimo clima até para sua posse, já que Cahulla - como também vários alcaides - se sentiu ofendido com a intromissão se recusando a passar a faixa sucessória.
Confúcio agiu precipitadamente e deve um pedido de desculpas. Queria mandar na gestão anterior, mesmo não tendo assumido. Queria que os prefeitos rondonienses deixassem de receber os ônibus escolares (o que eles iriam dizer nas suas cidades pela irresponsabilidade?), para ele, Confúcio, adotasse seus próprios critérios para o rateio. Ora, cada macaco no seu galho. E o galho do Palácio Presidente Vargas só é de Confúcio a partir da sua posse, ou seja, a partir de hoje.
É claro que a distribuição de ônibus, de verbas e de tudo mais, tem conotação política nas gestões estaduais e presidenciais. Mas elas foram respaldadas pelo voto popular. O próprio prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT), não recebeu nenhum ônibus da gestão Cassol/Cahulla, enquanto que a pequena Candeias pegou quase uma dúzia, com uma população menor do que um bairro da capital.
Se os critérios de Cahulla foram desiguais na distribuição dos veículos de transporte escolar – no que eu também concordo – resta ao novo governo reparar as injustiças nos próximos anos, atribuindo mais benefícios àqueles que foram prejudicados por razões políticas. Mas ameaçar governador no exercício do mandato, como os prefeitos, foi demais, né?. Eles (os prefeitos) mandaram recado, não estão nem aí para ameaças: 37 não obedeceram de forma direta, mais uns 10 mandarem representantes. E aí, Confúcio, vai encarar? Vai iniciar uma gestão brigando com 47? Mais sensato seria uma conciliação.
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Fonte: Carlos Sperança - csperanca@enter-net.com.br
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