Porto Velho (RO) terça-feira, 29 de setembro de 2020
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Anísio Gorayeb

O SERTANISTA FRANCISCO MEIRELLES


 O SERTANISTA FRANCISCO MEIRELLES - Gente de Opinião

Nesta semana estive na inauguração da revitalização da Biblioteca Municipal Francisco Meirelles. Após a cerimônia fui abordado por um jovem de aproximadamente 16 anos que me perguntou por que a biblioteca tem esse nome, ou seja, quem foi Francisco Meirelles? Respondi que foi um grande sertanista e que tive a honra de conhecê-lo, devido sua amizade com meu saudoso pai.

Percebi que seria importante pesquisar a vida desse grande sertanista, para que as pessoas saibam um pouco mais sobre os personagens da nossa historia. Deparei-me, na própria biblioteca, com um texto escrito pelo Professor Vitor Hugo em 1981, na época do Governador Jorge Teixeira, o qual retrata toda a trajetória do sertanista Francisco Meirelles, conhecido como “Chico Meirelles”.

Ele era descendente de uma ilustre família portuguesa e nasceu no sertão pernambucano há 105 anos. Seus ancestrais mais famosos foram o Padre Gonçalo Inácio de Loyola Albuquerque e sua avó, D. Maria do Livramento, a primeira mulher a receber o título de “redentora” antes de a Lei Áurea ser decretada pela Princesa Isabel.  D. Maria do Livramento libertava seus escravos por conta própria.

“Chico Meirelles” se mudou para o Rio de Janeiro em 1922. Época em que, ainda muito jovem, participou de alguns movimentos políticos e de anseio de liberdade, onde servia de estafeta a alguns revolucionários.

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O sertanista Francisco Meirelles, cujo trabalho junto aos povos indígenas foi reconhecido nacionalmente, morreu aos 65 anos em 1973. (Fonte: Arquivo FUNAI)

 

Com o fracasso da revolução, não foi incomodado pela polícia por ser menor. Porem sempre foi muito vigiado, pois viam nele um futuro revolucionário, visto que tinha três irmãos que já atuavam nos movimentos.

Já na revolução de 1930, foi preso por 28 dias no quartel da guarda civil, onde na ocasião conheceu o estudante de medicina Ary Tupinambá Pena Pinheiro. Durante a prisão sofreu alguns espancamentos, que só foram cessados com a intervenção da mãe do estudante Ary Pinheiro, que reclamou diretamente ao General José Portela, comandante da região, muito conhecido pela sua conduta e integridade.

“Chico Meirelles” era um revolucionário nato, tanto que mesmo após a prisão de 30 continuou sua atuação revolucionária. Isto lhe causou uma nova prisão na revolução de 1935. Desta vez, junto com seus irmãos Silo e Rosa. Cumpriu pena de três anos.

Algum tempo depois, em 1942 procurou o General Manoel Rabelo, que conseguiu para ele uma vaga no Serviço de Proteção aos Índios (SPI) no posto de Ribeirão em Porto Velho.

Seu trabalho de aproximação e pacificação com tribos indígenas (Xavantes, Pakaá-Novos, Kaiapós, Cinta Largas e Surís) foi reconhecido nacionalmente. Sendo também muito importante seu auxilio na construção de rodovias próximas a terras indígenas.

Durante dez anos ocupou a Chefia do SPI no antigo Território do Guaporé (1942 a 1952) e afastou-se para tratamento de saúde. Retornou ao mesmo posto em 1957. Em 1964 assumiu a Divisão de Produção do Território de Rondônia. Devido seus relevantes serviços prestados à Nação e ao Território, recebeu em 1969 a Medalha Mérito Rondon, a maior codecoração concedida pelo Governo de Rondônia.

Francisco Furtado Soares Meirelles nasceu na cidade pernambucana de Gameleira no dia 21 de fevereiro de 1908. Era filho de Francisco Ribeiro Soares Meirelles e de Rosa Soares Meirelles. Morreu no dia 25 de junho de 1973, após um ataque cardíaco.

 Até a próxima semana.

ANÍSIO GORAYEB

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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