Porto Velho (RO) sexta-feira, 19 de outubro de 2018
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Viviane Paes

Modernidade para a Transmissão nossa de cada dia - Por Viviane Paes


Foto: Acervo Memória da Energia Eletrica de Rondõnia - Eletronorte - Gente de Opinião
Foto: Acervo Memória da Energia Eletrica de Rondõnia - Eletronorte

Em dois de julho de 1994, o Diário da Amazônia trazia na capa uma manchete animadora para os moradores dos municípios de Cacoal, Ji-Paraná e Pimenta Bueno: Acaba o racionamento de energia!

A matéria principal destacava a chegada do “Linhão” as três cidades do interior, com recursos do governo estadual, pois elas não estavam incluídas no projeto inicial do governo federal, de levar a energia elétrica gerada na UHE Samuel, em Candeias do Jamari.

Não era apenas a oportunidade de assistir a Copa do Mundo de 94 que a população comemorava. Era dar adeus ao racionamento constante de energia e todos os desconfortos e prejuízos que essa ausência provocava. Na mesma edição, o gerente da antiga Ceron – Centrais Elétricas de Rondônia, hoje Eletrobrás Distribuidora, alertava os consumidores para utilizarem a energia com parcimônia com medo de um colapso no sistema elétrico...

24 anos depois, Rondônia antes ausente do SIN – Sistema Interligado Nacional é desde novembro de 2013 responsáveis pelo envio da energia elétrica gerada no Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira: UHE Jirau e Santo Antônio aos consumidores do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.

Maior linha de transmissão do mundo

A linha de transmissão em corrente contínua com 2.375 km de extensão é a maior linha do mundo em 600 kV DC, interligando a subestação Coletora de Porto Velho com a subestação Araraquara em São Paulo.

Para atender a obra foram instaladas cinco mil torres em 81 municípios, partindo de Rondônia e passando por Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. O Complexo do Madeira é considerado um dos maiores polos de geração do País.

Vale destacar e muito o trabalho da Eletrobrás Eletronorte, responsável pela construção da UHE Samuel, o Linhão de 94, a UTE Rio Madeira, dezenas de subestações e um moderníssimo Centro de Operações – COR que acompanha 24 horas o sistema de energia elétrica. Resumindo: quando uma árvore cai em determinado trecho ou uma queimada atinge uma torre, os técnicos conseguem identificar onde está o problema. Antes quando isso acontecia, engenheiros tinham que percorrer trechos imaginados por vias terrestres e até utilizar helicópteros para descobrir o problema.

A Eletronorte é responsável ainda por 1.808 km de linhas em 230 kV de norte ao sul do Estado. Pode parecer texto de assessoria, mas não é. Deveria ser afinal é impossível escrever algo sobre a energia elétrica na região Norte e não citar o pioneirismo dessa Estatal. Nunca escondi que trabalhei por quase uma década na empresa e aprendi a amar o tema da energia elétrica ao escrever um livro comemorativo dos 25 anos de atuação dela em Rondônia.

Modernização

Li recentemente um artigo no Canal Energia da necessidade da modernização das linhas de transmissão no Brasil e o que isso beneficiaria ao consumidor final do produto.

A modernização do setor elétrico deverá alterar o papel das distribuidoras de energia. Especialistas creem que a maior migração ao mercado livre transformará concessionárias em prestadoras de serviços de infraestrutura para garantir reserva de capacidade.

No modelo atual, a distribuidora compra energia da geradora e entrega ao consumidor do mercado cativo. Esses contratos são firmados através de leilões de energia e são de longo prazo, entre 15 e 30 anos. O consumidor paga energia, fio e tributos na tarifa. Já no mercado livre, o consumidor pode negociar diretamente a compra e venda de energia com o gerador, ou por intermédio das comercializadoras. “No ato da compra de energia, vai haver liberdade de negociação. Mas todo mundo vai pagar pela infraestrutura do fio”, explica o presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos.

Para especialistas, essa transformação deve ser acompanhada da tarifa binômia, que separa a cobrança do consumo de energia dos investimentos de infraestrutura para que a distribuidora seja corretamente remunerada. A dona de casa entenderá finalmente aquele monte de tarifas cobradas!

Atualmente, o consumo de energia corresponde a cerca de um terço da tarifa. O restante é composto pelo fio e tributos. A proposta da tarifa binômia está sendo discutida na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A previsão é que seja aberta uma audiência pública sobre o tema no segundo semestre de 2018 e a votação acontecerá em 2019.

A ONS – Operador Nacional do Sistema disponibiliza o aplicativo Sindat – Sistema de Informações Cadastrais do SIN. Nele um leigo no tema consegue informações relevantes do Sistema Interligado Nacional, com dados e mapas digitais. Acesse para mais informações: http://ons.org.br/paginas/sobre-o-sin/mapas

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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