Porto Velho (RO) domingo, 8 de dezembro de 2019
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Viviane Paes

Dia Mundial da Luta Contra o HIV/Aids - (Ainda) Precisamos falar sobre isso!


Dia Mundial da Luta Contra o HIV/Aids - (Ainda) Precisamos falar sobre isso! - Gente de Opinião

No dia 27 de outubro de 1988, a Assembleia Geral da ONU e a Organização Mundial de Saúde instituíram o dia 1º de dezembro como o Dia Mundial de Luta contra a Aids.

Cinco anos após a descoberta do vírus causador dessa doença, o HIV, 65,7 mil pessoas já tinham sido diagnosticadas com o vírus, e 38 mil já tinham falecido. Era “proibido” até falar da doença em voz alta, devido o desconhecimento total de como ela era transmitida. No entanto, isso não impediu que achassem a causa da epidemia: os homossexuais foram julgados, condenados e considerados culpados durante muitos anos...

Em 96, dois anos após ter iniciado minha carreira no jornalismo recebi a missão do editor-chefe do jornal “O Estadão do Norte”, Antônio Queiroz de entrevistar um portador do vírus HIV. Infelizmente eu tinha um personagem para essa matéria especial da capa do segundo caderno de domingo! Infelizmente porque era um ser humano que enfrentava uma doença ainda repleta de preconceitos. Era uma jovem de 23 anos, mãe que havia contraído o vírus em relações sexuais! Pronto era o caso perfeito!

50% da carreira de um jornalista é definida pela sorte de estar no lugar certo, na hora certa mesmo que isso signifique estar no meio de uma tragédia física, pessoal ou política!

A minha personagem era uma vizinha do bairro em que morava, mas não sabia quem ela era. Havia comentários de que alguém do conjunto residencial havia contraído  o vírus e estava em tratamento. Consegui marcar a entrevista e convencê-la da importância de divulgar sua estória. Deu muito certo!

Porquê não falamos mais sobre isso?

23 anos depois dessa matéria eu conheci outras pessoas com o vírus, pessoas que estão vivas até hoje e outras que não. As vítimas foram mulheres solteiras e casadas, novas e velhas; homens solteiros e casados, novos e velhos; homossexuais, bissexuais como os cantores Freddy Mercure, Cazuza e o ator Lauro Corona com relações estáveis ou não; crianças, bebês que já nasceram com o vírus; hemofílicos iguais o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho; milhares de drogadictos por uso compartilhado de seringas...

E então houve um silêncio sobre esse tema.

Segundo o último Boletim Epidemiológico HIV-Aids, de ontem, 29/11, emitido pela Secretaria em Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, em 2018 foram diagnosticados  no Brasil: 43.941 novos casos de HIV e 37.161 casos de Aids. No período de 1980 a junho de 2019, foram detectados 966.058 casos de Aids no país.

Boas notícias

Desde o ano de 2012, observa-se uma diminuição na taxa de detecção de Aids no Brasil, que passou de 21,4/100.000 habitantes (2012) para 17,8/100.000 habitantes em 2018.

Um chamado decréscimo de 16,8% que é resultado de políticas públicas e consciência cada vez maior da população. Mesmo assim esse ainda é um tema considerado “tabu”, daí a importância das redes sociais onde surgiu o movimento “Precisamos falar sobre isso: HIV/Aids”.

Apesar da queda no número de vítimas do HIV-Aids, dados do Boletim demonstraram que nos últimos 10 anos, as maiores taxas de detecção de Aids foram observadas entre aqueles com 30 a 49 anos. Foi observada também uma tendência de aumento nas taxas de detecção entre jovens de 15 a 24 anos e entre adultos com 50 anos ou mais.

Ou seja, nesse dia dedicado a Luta Mundial contra o HIV/Aids precisamos e devemos muito falar sobre isso com nossos  avós, pais, tios, sobrinhos, filhos, amigos, colegas de trabalho, vizinhos... Eu fiz minha parte falando com vocês. Agora continuem essa corrente de positividade compartilhando esse despretensioso artigo!

 

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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