Porto Velho (RO) quinta-feira, 18 de agosto de 2022
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Viviane Paes

Dia dos Pais: Pai Queiroz


Dia dos Pais: Pai Queiroz  - Gente de Opinião

Sou a filha única mais cheia de pais que você irá conhecer!

Tenho um pai biológico, de quem certamente herdei o dom da escrita fácil, despretensiosa, muito cedo.

Graças a essa característica - repassada aos meus filhos também, ganhei duas figuras paternas que influenciaram e moldaram minha vida profissional nas últimas décadas: o jornalista Antônio Queiroz – conhecido como professor Queiroz e Fernando Manuel Fernandes da Fonseca – o engenheiro Fernando Fonseca da Eletrobrás/Eletronorte.

O paiêeee Queiroz

Em julho de 1994, um pai entrou na antiga sede do jornal “O Estadão do Norte” localizado, na Rua Duque de Caxias, centro de Porto Velho, para fazer um pedido ousado ao editor-geral do maior periódico do Estado. Ele foi recebido da mesma maneira que uma autoridade, um artista ou qualquer leitor seria de portas abertas com um cordial aperto de mãos, numa sala simples com cheiro de impressão!

A filha desse senhor fazia alguns textos no espaço dedicado ao leitor e por esse motivo, o pai achava que a mesma merecia uma oportunidade de trabalhar no jornal como “foca” – vamos dizer o estagiário do Jornalismo.

O professor Queiroz apesar de comovido com o pedido, paraibano de coração mole apesar da cara de séria – a primeira vista, pediu para conhecer a autora dos artigos pessoalmente e verificar o interesse e o talento que o pai alegava.

A jovem magricela, cabeluda, um pouco curvada pela altura, de 18 anos entrou na redação do jornal, no dia seguinte, como se estivesse entrando em um clube inglês, dedicado apenas aos homens. E ela era tímida, acreditem!

Essa jovem que sou eu mesma gaguejou um pouco, mesmo tendo ensaiado o diálogo nos 45 minutos de percurso de sua casa, na periferia da cidade, até o centro, quando começou a conversar com o professor Queiroz e falar de suas ambições profissionais. Ele a convidou para participar de um processo seletivo que nada mais era que trabalhar durante um mês no jornal disputando uma vaga de repórter com outro candidato...

Vinte três anos depois desse encontro fui entregar um exemplar de “Enaiviv” para o professor Queiroz, na assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual de Saúde – Seduc, e ele relembrou cada uma das frases que trocamos para ilustrar que o livro que eu estava lhe entregando era fruto daquele dia...

Quando você ouve uma pessoa que abriu as portas do jornal de maior circulação para alguém que ainda estava terminando o ensino médio, por ter visto um potencial escondido que poucos teriam tempo e boa vontade para perceber a sensação é de: “Meu Deus, eu achava que tinha uma dívida impagável com ele, agora tenho certeza”.

Poucos meses depois de ter sido admitida no “Estadão do Norte”, primeiro emprego com carteira assinada da minha vida, a sede passou a ser na Avenida Tiradentes, um prédio moderno que foi o primeiro ou segundo a ter a redação informatizada na região Norte.

Quase tive minha primeira filha, Victória Libertad, nos corredores desse prédio, pois na madrugada que iria trabalhar senti as primeiras contrações.

Recebi total apoio do professor Queiroz e de figuras únicas no jornalismo rondoniense como: Paulo Queiroz, Martinez, Laura Vendas, Ivonete Gomes, Chagas, Aurimar Lima, Analton Alves, Zuza Carneiro, Berta Zuleika e tantos outros! Fiz minha primeira faculdade na redação diariamente por três anos.

No nosso último encontro paiêee Queiroz, que jamais me pediu um favor, um agrado ou me cobrou algo quando estive à frente da Comunicação da Eletronorte, local estratégico político e financeiro, reforçou a única coisa que pedia a todos os seus “pupilos”:” Façam o mesmo por outra pessoa quando tiverem a oportunidade”.

Eu jamais esqueci e prestei contas no momento oportuno. Em 1999 apresentei ao Luka Ribeiro (editor do Gente de Opinião), e editor da TV Norte, uma colega do curso de Letras da Universidade Federal de Rondônia – Unir, para fazer o teste para apresentadora do jornal matutino que seria lançado pelo canal retransmissor da Rede TV (ambos do grupo Mário Calixto de Comunicação). Exatos 19 anos depois, formada em Jornalismo e com passagem pela assessoria do Tribunal de Justiça de Rondônia, Ana Lídia Daibes esteve representando Rondônia na bancada do JN.

Quando soube desse momento único passei uma mensagem para o paiêee Queiroz e relembrei aquele pedido. Esse autodenominado índio Tabajara da Tribo Cariri ficou emocionado e eu senti que a minha dívida estava paga. Sê bem sabemos a inexistência de dívidas assim entre pais e filhos...

Feliz e abençoado todos os seus Dias dos Pais, paiêee Queiroz!

Vamos deixar para falar do pai Fernando Fonseca no próximo artigo

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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