Porto Velho (RO) sexta-feira, 16 de abril de 2021
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Viviane Paes

A Covid mata e destrói almas

Negativamente inicio o artigo da semana.


A Covid mata e destrói almas - Gente de Opinião

Vamos dizer que não está fácil para ninguém e você sabe disso. Chegamos naquela fase que especialistas adiantaram há um ano e muitos acharam que era um desatino espalhar notícias fantasiosas!

Tudo era uma manobra política da Esquerda querendo retornar ao poder, ou da Direita querendo se manter até o último momento, ou do Centrão demostrando que era ele o salvador da nação e como somos muitos modestos: “a situação era mesma no mundo inteiro”... E eu que sou a escritora imaginativa demais, dizem por aí!

Para recordar como chegamos até aqui, 05/04, onde o Brasil superou a marca de 13 milhões de casos de Covid registrando em 24 horas, 1.623 mortes pela doença, totalizando 333.629 vítimas. A média móvel de óbitos no país chegou a 2.698! E, lembrem-se alguns especialistas alertaram ainda ano passado, que caso não conseguissem controlar a pandemia poderiam ocorrer diariamente mais de 3 mil mortes brasileiras. Claro, duvidamos!

Refiz a linha do tempo do novo agente do coronavírus (nCoV-2019), descoberto em 31/12/2019, após casos registrados na China para nos situarmos.

A Covid mata e destrói almas - Gente de Opinião

Fonte: https://coronavirus.saude.gov.br/ 1

Como foi dito por muitos epidemiologistas brasileiros e estrangeiros, “caso não adotássemos as medidas sanitárias e combatêssemos a disseminação do coronavírus chegaria o dia em que não haveria uma pessoa em todo o mundo que diria não possuir parente, amigo ou conhecido contaminado ou vítima fatal do coronavírus”.

Eu sei disso como ninguém e duvido que você não recorde de algum ente querido, ou amigo que não está mais nesse plano em decorrência dessa doença.

Domingo infernal

Exemplificando tudo dito acima. Na noite de domingo recebi a ligação de um amigo jornalista perguntando por outro colega de profissão, que supostamente estaria entubado por conta da Covid. Por sorte, ou algo assim, eu havia falado com o referido amigo uns três dias antes, sabia que ele estava em tratamento domiciliar.

O alarde do entubamento do repórter-fotográfico, José Hilde Tacaña, um dos mais talentosos e antigos do Estado causou comoção na categoria. Já perdemos tantos comunicadores em 2020 e só no início deste ano mais quatro: Marcelo Bennesby. Chagas Pereira, Anísio Gorayeb na capital e no interior: Elessandro Alves.

Fica impossível não utilizar o ditado popular: “Casa de ferreiro, espeto de pau”! Nossa habilidade de questionar as informações verificando sua autenticidade antes da publicação ou compartilhamento, em tempos atuais, foi para o espaço!

Felizmente, o Hilde estava em uma UPA, sendo medicado por conta de alterações da diabetes e estava com uma tosse muito forte. Por conta da comorbidades teve prioridade na transferência para um hospital de campanha da capital, juntamente com outros pacientes após uma dia de internação.

Depois de muitas ligações, trocas de mensagens com amigos que moram em outros estados e até países pude respirar aliviada ao ouvir a voz do Hilde em um áudio. Já havia conversado com a filha dele, mas ouvi-lo realmente acalmou minha alma que já sofria a perda de um vizinho de quase 30 anos de convivência, da internação em UTI do esposo de uma amiga-irmã, que perdeu a mãe e estava com duas irmãs entubadas num hospital de Porto Velho...

Ou seja, eu vivi tudo que assisti nos últimos meses nos noticiários. Aí esse acontecimento me fez relembrar uma ligação assustadora da minha filha residente no Pará, em agosto do ano passado.

Quando especialistas, representantes da OMS diziam que o coronavírus atingia apenas idosos e pessoas com comorbidades, tive que ouviu o choro desesperador dela pela perda do namorado, um jovem de 24 anos, saudável. Em menos de uma semana, os pais do Jason ficaram sem o filho mais novo, foram contaminados pelo mesmo vírus, sofreram com o isolamento social obrigatório e o preconceito que vem junto com a pandemia.

Momentos assustadores, inacreditáveis que temos vividos em todas as classes sociais, profissões, opções sexuais, raças, religiões... Tempos pandêmicos que matam e destroem almas, eu falei no início!

Recuperei recentemente um poema que escrevi em 93, a Vela que abre o conto vencedor do 1º Concurso de Revelação Literária de Rondônia, promovido pela extinta Funcer – Fundação Cultural.

A Vela

A Vela translúcida que se acende e cuja chama queima silenciosa leva o pedido esperançoso de alguém...

Ela vai queimando, se desfazendo como uma vida sem sentido

A vela queima e vai se acabando sem afetar quem a acendeu

Depois que essa vela acabar, talvez outra tomará seu lugar e outro ciclo igual se repetirá: uma vela acessa que queima, queimará e irá acabar sem que alguém recorde aquela primeira vela que iniciou tudo...

 A vida nesse período pandêmico tem sido assim! Pai, filhos; avós e netos, tios e sobrinhos; afilhados e padrinhos; madrastas e enteadas; amigos e colegas, vizinhos e desconhecidos que estão morrendo todas as horas dos últimos 14 meses sem que recordemos dos primeiros iniciantes desse ciclo fatídico.

A Vida não precisa ser assim...

Sejamos a primeira vela que teve o propósito de auxiliar e amparar uma outra pessoa. O nome disso não é empatia!

A chama que queima é a nossa vida. E vida que se preocupa com outra chamamos de amor, Amor sem interesses, amor sem paixões. Apenas amor ao próximo, que salva vidas!

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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