Segunda-feira, 21 de novembro de 2022 - 13h34

A Assembleia
Legislativa de Rondônia (Alero) realizou, no dia 18/11, audiência pública para
debater o novo Código de Ética e Disciplina da Polícia Militar (PM) e do Corpo
de Bombeiro Militar - Mensagem 346 do Governo do Estado. O requerimento da
audiência foi feito pelo deputado Jesuíno Boabaid (PSD) a fim de debater o
texto do projeto que trata do novo código de ética com representantes de várias
entidades, associações de oficiais e praças de Rondônia e Mato Grosso (MT) e o
deputado estadual de Mato Grosso, Elizeu Nascimento (PSL).
Conforme o
parlamentar rondoniense, a Lei Federal determina que todos os estados
brasileiros criem o seu próprio código. Por isso, Governo do Estado enviou à
Assembleia Projeto de Lei que altera regulamento disciplinar dos militares.
Mudanças, contudo, que desagradam parte da Polícia Militar. A pauta, de acordo
com o deputado Jesuíno, influencia na vida da tropa militar e dos novos
policiais do estado.
“Essa é uma
oportunidade para que todas as entidades e associações militares defendam suas
categorias e possam discutir o novo Código de Ética da forma devida. A forma
que o texto veio do governador é uma afronta a categoria e atentatória à
democracia. O Código de Ética e Disciplina da PM tem que respeitar os
princípios da dignidade da pessoa humana, da legalidade, da presunção e
inocência e da ampla defesa do policial militar”, destacou o deputado.
O parlamentar
também destacou a necessidade de não haver diferenciação de tratamento entre
Oficiais e Praças nos Códigos de Ética e Disciplina. “O entendimento é que
ninguém está acima da lei e os atos disciplinares devem ter publicidade para
todos”, pontuou Jesuíno.
Um dos
convidados para a audiência, o presidente da Associação dos Praças dos
Policiais Militares do Mato Grosso (Aspramat) Gleyton José Resende destacou que
em seu estado o código vem sendo discutido desde 2020, pois a proposta
apresentada pelo governo era arbitrária e contraria à Constituição Federal.
“Esse novo código de ética apresentado pelo governo de Rondônia não é muito diferente
do que foi apresentado em Mato Grosso. Não respeita os princípios da presunção
de inocência, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, da
razoabilidade e da proporcionalidade”, disse o presidente.
Para o
corregedor Geral da PM, coronel José Carlos França dos Santos, o projeto do
código precisa de nova revisão e de mais estudos. ”São vários pontos que
precisam ser revistos e um dos exemplos é o parágrafo que trata da punição com
a suspensão do tempo de serviço que leva à perda de antiguidade, interferindo
de forma irremediável na carreira do militar e também vários itens no que diz
respeito as infrações disciplinares. Outra crítica é quanto a falta de estudos
sobre quantos policiais são punidos por mês, porque os policiais que estão
atuando na rua estão mais expostos a cometerem mais erros do que os que atuam
no administrativo. São muitas revisões e estudos que precisam ser feitos”,
pontuou o corregedor.
De acordo com
o deputado estadual do MT, Elizeu, o texto apresentado em seu Estado também
afrontava à democracia e a matéria teve que ser retirada da pauta para uma
ampla discussão no parlamento. “Esse debate aqui em Rondônia é de suma
importância para que se tenha um código de ética e disciplinar militar justo e
não uma mordaça. Parabenizo o deputado Jesuíno por lutar pela classe militar e
por debater o texto do projeto que tem interferência direta na vida
profissional do policial”, elogiou o parlamentar. Jesuíno prometeu aprovar um
código de ética que atenda a todos os militares. “Nossa tropa de Rondônia é
ética e eu vou lutar para que se tenha um código de ética justo”, finalizou o
deputado.
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