Domingo, 7 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Saúde

Suspeita de febre amarela não é motivo para 'pânico'


Hugo Costa
Agência Brasil


Apesar da morte recente de duas pessoas com suspeita de febre amarela e do temor da população que lota postos de saúde do Distrito Federal e de Goiás em busca de vacinas, o clima de “pânico” é desnecessário. A opinião é do virologista e professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, Paolo Zanotto, entrevistado hoje (9) na Rádio Nacional.

“A preocupação da população tem que ser com questões mais pragmáticas e diretas. Ou seja, o controle do vetor, do Aedes aegypti, que ao mesmo tempo vai ajudar a combater a dengue, e a busca da vacina. Acho que a gente não tem razão para entrar em pânico numa situação dessas”, opinou o especialista, ao explicar que o mosquito transmissor da febre amarela é o mesmo responsável pela dengue.
Outro aspecto relacionado à febre amarela ressaltado pelo professor é a característica silvestre da doença. Segundo ele, a transmissão do vírus em centros urbanos é incomum no Brasil.

“Temos que considerar o fato de que a febre amarela é uma zoonose. É uma doença de animais que é bem estabelecida numa relação entre macacos e mosquitos Aedes haemagogus , que ficam ali na mata, em região não-urbana, transmitindo vírus entre os macacos. Eventualmente, esse vírus pode ser transmitido pelo Aedes aegypt entre humanos”.

Na África, de acordo com o virologista, a transmissão do vírus em cidades ocorre de maneira mais freqüente.

Zanotto afirmou que a razão de não temer um surto de febre amarela está relacionada às medidas adotadas pelo governo até agora. “Não tenho tantas preocupações, dado que se tem a combinação de vacinas e controle de vetores. Acho que o ministério [da Saúde] está agindo de forma muito rápida e intensa”.

Os casos de macacos encontrados mortos com indícios de febre amarela  precisam ser avaliados com cautela, segundo o professor. Nos últimos meses, vários animais foram encontrado em situação suspeita nos municípios de Goiás e no Distrito Federal. A região da cidade de Unaí, Noroeste de Minas Gerais, também registrou ocorrência de micos e macacos mortos após apresentarem sintomas da doença. 

“A morte de macacos pode ser uma indicação de que o vírus esteja conseguindo uma certa prevalência, ou seja, está aumentando a quantidade dos vírus, mas isso precisa ser acompanhado em detalhes e com muito cuidado”, alertou o professor. Segundo ele, o período de incubação do vírus no corpo humano varia entre sete e dez dias.


 

Gente de OpiniãoDomingo, 7 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Saúde de Porto Velho vive nova realidade após ações de Léo Moraes

Saúde de Porto Velho vive nova realidade após ações de Léo Moraes

Há pouco mais de um ano, a saúde pública municipal de Porto Velho foi classificada pelo Ministério da Saúde como estando em situação crítica após um

Ação estratégica garante reposição de estoques e fortalece assistência hospitalar em Rondônia

Ação estratégica garante reposição de estoques e fortalece assistência hospitalar em Rondônia

Com o objetivo de garantir assistência adequada e fortalecer o abastecimento de medicamentos e insumos hospitalares, o governo de Rondônia realiza d

Decisão do TCE-RO exige ação imediata para proteger pacientes diante da falta de insumos na rede estadual de saúde

Decisão do TCE-RO exige ação imediata para proteger pacientes diante da falta de insumos na rede estadual de saúde

Pacientes atendidos na rede estadual de saúde de Rondônia podem ter a segurança e a continuidade da assistência comprometidas em razão da insuficiên

Projeto Embaúba leva saúde, ciência e cidadania à comunidade em mais uma edição no Espaço Alternativo

Projeto Embaúba leva saúde, ciência e cidadania à comunidade em mais uma edição no Espaço Alternativo

O Projeto Embaúba realizou mais uma edição de sucesso no último sábado, reunindo acadêmicos, professores e a comunidade em uma grande ação de extens

Gente de Opinião Domingo, 7 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)