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É possível prevenir a morte súbita no esporte?


É possível prevenir a morte súbita no esporte?   - Gente de Opinião

A morte de um atleta amador durante a prova de 21km da Maratona do Rio no dia 14 de novembro, a primeira grande corrida de rua do Brasil desde o início da pandemia, acendeu um alerta para os médicos e cardiologistas do esporte.  

Com o aumento de casos de morte súbita ou mal súbito durante atividade física, nos últimos anos, especialistas abriram um fórum de discussão para tentar prevenir acidentes fatais como esses e outros casos dentro dos esportes.  

A primeira forma de prevenção para boa parte das causas de morte súbita é manter acompanhamento constante de um médico especialista em esporte. Nessas consultas e avaliações, é possível diagnosticar alterações cardíacas que podem se manifestar a qualquer momento como a cardiomiopatia hipertrófica, causa número 1 quando se fala de morte súbita em atletas. Não só a cardiomiopatia hipertrófica, como boa parte das doenças estruturais no coração podem ser diagnosticadas apenas com eletrocardiograma de repouso e uma boa avaliação clínica.  

Outra manifestação que chama atenção em tempos de pandemia são as miocardites pós infecção por COVID-19. Sabe-se que até 20% dos casos graves podem ter manifestação cardíaca. No entanto, nos casos moderados e leves, que são a maioria dos atletas, não é possível saber. Por isso, é preciso estar sempre acompanhando clinicamente esses atletas, pois alterações clínicas podem surgir de 8 a 12 semanas após os casos de infecção e a morte súbita pode ser uma dessas manifestações. 

Outras questões importantes para manter no radar das causas da morte súbita são os níveis de hidratação e isotônicos usados pelos atletas, assim como o uso de anabolizantes, temperatura ambiental nos dias de provas ou jogos, termogênicos em exagero e condicionamento físico prévio para a realização de determinadas intensidades de exercícios.  

A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Exercício e a Sociedade Brasileira de Cardiologia lançaram, em 2019, uma atualização da avaliação pré-participação de atividades físicas, além de vários protocolos e orientações para estarmos atentos a alterações clínicas que possam causar mal súbito. É fundamental não colocarmos essas orientações de lado e darmos a devida importância a elas, já que esses fatores podem deflagrar problemas graves em pessoas que não estão saudáveis.  

*Dr. Mateus é médico cardiologista, com especialização em Medicina do Esporte. Ocupa, atualmente, o cargo de Diretor da Sociedade de Medicina do Exercício e do Esporte do Rio de Janeiro (SMEERJ).  O especialista, que participa também como membro do Comitê de Medicina Desportiva da Associação Médica Fluminense (AMF), trabalha há três anos como médico de esporte do Clube de Regatas Vasco da Gama. Dr. Mateus atua também como coordenador médico da clínica Fit Center, uma das mais tradicionais clínicas de reabilitação cardiometabólica do Brasil. Faz parte também da equipe do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), como médico cardiologista da Unidade de Soluções

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