Porto Velho (RO) domingo, 27 de setembro de 2020
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Cafeína e borra de café são tiro e queda contra o mosquito da dengue



O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da dengue hemorrágica e da febre amarela, já mostrou do que é capaz. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), foram registrados, no País, 29.258 casos só em janeiro de 2002. O Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de casos (12.957), seguido de Mato Grosso do Sul (2.735), Pernambuco (2.474) e São Paulo (2.015). Para somar esforço no combate ao mosquito transmissor, a UNESP apresenta uma solução pouco ortodoxa, mas bastante eficaz: o uso de borra de café.

A descoberta vem do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da UNESP, câmpus de São José do Rio Preto, e é assinada pela bióloga Alessandra Laranja. Alessandra apresentou há pouco a dissertação "O efeito da cafeína e da borra de café em Aedes aegypti", onde demonstra que, em quantidades adequadas, a borra e a cafeína são capazes de bloquear o crescimento das larvas do mosquito. "Quanto maior a concentração de cafeína, mais precoce é o bloqueio", explica a bióloga. Da mesma forma, a borra de café também mostrou sua eficácia: duas colheres de chá de borra diluídas em meio copo de água impedem o crescimento do mosquito já na segunda fase do ciclo.

Essa descoberta é tão mais importante quando se sabe que, diante do potencial extremamente tóxico dos inseticidas organofosforados granulados - um risco para crianças, animais domésticos e plantas -, muitas famílias se recusam a usá-los. "Essa forma de combate ao mosquito chega em boa hora, já que, com a elevação da temperatura, as populações do Aedes se multiplicam muito mais rapidamente", considera a também bióloga Hermione Bicudo, do Ibilce, professora de Regulação Gênica e orientadora do estudo.
Não passam da larva

O ciclo do Aedes aegypti compreende as fases de ovo, larva, pupa e adulto. Em laboratório, a cafeína utilizada na concentração de 500 microgramas por mililitro de água bloqueou o desenvolvimento do mosquito já na fase de larva, impedindo-o, portanto, de chegar à fase adulta.

Tanto a cafeína quanto a borra de café alteram as enzimas esterases, responsáveis por vários processos fisiológicos do mosquito, como o metabolismo hormonal, a transmissão do impulso nervoso, a digestão e a reprodução. A cafeína também reduziu a longevidade dos mosquitos adultos, especialmente das fêmeas, responsáveis pela transmissão do vírus da dengue.

As larvas do Aedes aegypti se desenvolvem em águas paradas, limpas ou sujas, e se alimentam das partículas nelas encontradas. Na fase do acasalamento, para garantir o desenvolvimento dos ovos, as fêmeas necessitam de sangue. É nessa fase que ocorre a transmissão das doenças. A fêmea pica uma pessoa infectada, mantém o vírus na saliva e o retransmite indefinidamente.

Fonte: Genira Chagas/UNESP

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