Segunda-feira, 18 de março de 2019 - 07h30

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo se aproxima. Como mãe de dois meninos dentro do TEA, sinto que a parte mais difícil é a falta de conscientização e conhecimento da população em geral. É alta a incidência do TEA em todo o mundo, e a falta de informação e de entendimento têm causado um impacto com graves consequências na vida desses indivíduos e seus familiares. Como jornalista tenho a convicção sobre o papel fundamental da imprensa neste processo de quebras de paradigmas através da informação de qualidade. Por isso, peço à vocês a atenção necessária que este assunto merece.
No dia 02 de abril, data instituída pela ONU, milhares de pessoas em todo mundo levantam a bandeira azul com o intuito de alertar governantes e sociedade, e desmistificar sobre a condição. De acordo com a ONU existem 70 milhões de pessoas no mundo dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), no Brasil não há estatísticas oficiais, estima-se que sejam mais de 2 milhões. Relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CD), dos Estados Unidos apontam para 1 caso a cada 60 crianças.
A conscientização do autismo deveria acontecer todos os dias, é algo importante e necessário, tanto para sociedade que precisa aprender a aceitar e respeitar o que lhe foge a regra, quanto para classe política e gestores públicos que precisam criar políticas públicas voltadas à essa população.
Importante ressaltar que,
como falamos em um espectro
a intensidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa. Não existem
duas pessoas iguais dentro do TEA. Uma pessoa no extremo do espectro
pode ter seu comportamento bastante comprometido enquanto no outro
extremo temos as mentes brilhantes. Ao longo desses
extremos, temos milhares de crianças com total capacidade de aprender e
tornar-se indivíduos
Em Vilhena por exemplo, não temos um neuropediatra, ou psiquiatra infantil. Não temos profissionais da psicologia, pedagogia, fonoaudiologia, entre outros, qualificados em Analise do Comportamento Aplicada -ABA (Applied Behavior Analisys), campo da Analise do Comportamento, unica linha de tratamento baseada em evidencias científicas. Não temos escolas que façam uma verdadeira inclusão. Lembrando que incluir não é aceitar. Incluir é tornar o aluno parte daquela classe, através de atividades adaptadas às suas necessidades. É tornar possível o aprendizado dele. Incluir não é fazer salinha separada só com alunos especiais. Inclusão é um todo, é um trabalho feito pela família, escola e comunidade. Não se pode entrar onde as portas estão fechadas pela falta de conhecimento.
Só na rede municipal de ensino existem 60 crianças com diagnóstico fechado, destas, nem metade recebe algum tipo de tratamento. O município, através do CER, não consegue atender essa demanda. E então essas crianças perdem um tempo precioso de suas vidas em filas de espera, para receber terapias muito aquém do necessário para seu desenvolvimento.
Sugiro aos colegas que procurem informações que vão além do trivial. Algo grave tem acontecido debaixo de nosso nariz, milhares de crianças estão com seus futuros comprometidos por conta de negligência de diversas áreas da sociedade.
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