Terça-feira, 1 de julho de 2008 - 10h55
Dos mais de 17 mil médicos formados, nas 175 faculdades de medicina do Brasil, apenas 30% tem acesso a residência médica. A abertura de novos cursos voltados para a área médica, desvinculados da construção de hospitais-escolas, tende a agravar o problema em todo o País. Quem alerta é o tesoureiro do Conselho Federal de Medicina, médico rondoniense José Hiran Gallo.
A falta de hospitais universitários gera um outro problema, que é a superlotação nos hospitais públicos. Conforme destacou Hiran Gallo, citando afirmação do médico Odair Ferrai, em Porto Velho, cerca de 1,2 mil acadêmicos de medicina irão disputar vagas para estágio no Hospital de Base Doutor Ary Pinheiro. "É impossível tantos alunos dentro de um hospital de 400 leitos".
Hiran Gallo elogiou o projeto de autoria do ex-ministro da saúde Adibe Jatene que regulamenta a abertura de escola médica. "Sem ter o hospital escola, com no mínimo quatro médicos, clínica médica, clínica cirúrgica, ginecologia/obstetrícia e pediatria, nenhuma nova faculdade de medicina pode ser aberta".
Para impedir que centenas de acadêmicos e a população do Estado sejam prejudicados pela má formação do médico, o Conselho Regional de Medicina, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, realizou semana passada em Porto Velho, o 'I Fórum Sobre Ensino Médico em Rondônia'. O evento, segundo Hiran Gallo, serviu para que fossem discutidas soluções práticas e urgentes para as principais deficiências do ensino superior de medicina.
Participaram dos debates representantes de faculdades, da Unir, do Ministério da Saúde Ana Estela Haddad - e do Ministério da Educação (MEC) José Wellington A. dos Santos, e da Associação Médica Brasileira, Renato Passini.
Ao fim dos debates, foi produzido um documento sobre o que ficou acertado entre o MEC o Ministério da Saúde. "O documento será encaminhado à Brasília. A representante do MS, Estela Haddad, ficou sensibilizada com os problemas apresentados. Tenho plena convicção de que ela os levará ao ministro Haddad, para que nós possamos forçar a implantação de hospitais universitários nas iniciativas públicas e privadas do País", explicou Hiran.
Hiran Gallo ressaltou que sem a residência médica o médico é apenas bacharel em medicina. "Não tem como a pessoa se formar médico sem a ferramenta principal que é o hospital e o paciente. Com profissionais formados apenas na teoria com certeza eles não serão bons médicos. E esta é nossa preocupação", reitera.
Fonte: Ascom/Cremero
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