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Samuel Saraiva

Quando a popularidade reflete utilidade

Por que a crítica ao ChatGPT ignora evidências concretas de uso social


magem ilustrativa: jornalista analisa informações e ferramentas digitais no contexto do debate contemporâneo sobre inteligência artificial e uso público da IA. Foto: Unsplash. - Gente de Opinião
magem ilustrativa: jornalista analisa informações e ferramentas digitais no contexto do debate contemporâneo sobre inteligência artificial e uso público da IA. Foto: Unsplash.

Nos últimos meses, tornou-se recorrente a publicação de críticas que classificam o ChatGPT como uma ferramenta superestimada”.
O artigo de Geoffrey A. Fowler, publicado recentemente no Washington Post, insere-se nesse debate e levanta questionamentos  legítimos sobre os limites, riscos e expectativas em torno da inteligência artificial.

O debate é necessário. O que não se pode ignorar, porém, é um fato simples e verificável: a adoção massiva e sustentada de uma tecnologia raramente ocorre sem utilidade concreta.

O ChatGPT não alcançou relevância global por acaso, modismo ou ilusão coletiva. Sua popularidade decorre do uso cotidiano por milhões de pessoas em áreas como jornalismo, educação, pequenos negócios, pesquisa, tecnologia e cidadania. Trata-se de uma ferramenta que integra informações, organiza raciocínios e traduz complexidade em linguagem acessível.

Um equívoco comum nas críticas a modelos de linguagem é avaliá-los como substitutos de ferramentas especializadas. Não são.
O ChatGPT atua como uma camada interpretativa, auxiliando o pensamento humano, não o eliminando. Ele não concorre com softwares técnicos; ele conecta saberes.

Vivemos uma era em que os problemas são, cada vez mais, interdisciplinares. Nesse contexto, a capacidade de síntese, integração e apoio à tomada de decisão torna-se central. É exatamente nesse ponto que ferramentas como o ChatGPT demonstram seu valor.

Escrevo como jornalista independente e profissional que utiliza essa tecnologia em contextos reais. Os ganhos são mensuráveis:
economia de tempo, maior clareza argumentativa e decisões mais bem informadas. Não se trata de entusiasmo ingênuo, mas de observação prática.

Historicamente, o progresso construtivo não nasce da amplificação de divisões, mas da capacidade de mentes lúcidas promoverem convergências e circunscreverem divergências, sobretudo quando estão em jogo a responsabilidade moral e o benefício coletivo.

A crítica é saudável quando orienta aprimoramentos. Torna-se estéril quando ignora evidências empíricas. A popularidade do ChatGPT não é um argumento emocional; é um dado social. E dados, quando persistem, merecem ser compreendidos não descartados.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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