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Samuel Saraiva

Quando a Forma se Dissolve e o Véu Cai — Revela-se a Insignificância Humana


Quando a Forma se Dissolve e o Véu Cai — Revela-se a Insignificância Humana - Gente de Opinião

Da vaidade insustentável à inevitável vergonha diluída na consumação da matéria. 

Ao contemplar a beleza física do genero humano — admirável, quase escultural ostentada, por vezes, com a legítima vaidade de quem reconhece em si a harmonia das formas, torna-se difícil não lançar o olhar adiante

e, nesse gesto silencioso, não experimentar um leve desconcerto diante da ação inevitável do tempo.

, nele, uma crueldade serena e inquestionável: a de, em um intervalo surpreendentemente breve, suavizar contornos, dissolver linhas e descolorir cabelos que outrora luziam como prata ao luar

ou ouro sob o brilho generoso do sol, transformando aquilo que um dia foi motivo de orgulho e contemplação em memória em fragmentos quase imperceptíveis de uma ilusão diante da eternidade, em vestígio ou ainda em um pó quase sagrado, como cinzas levadas pelos ventos que atravessam o cosmos, deixando a inquietante sensação de jamais haver existido.

E talvez resida aqui um convite silencioso à reflexão dirigido, sobretudo, àqueles que, por vezes, se deixam absorver pelos padrões efêmeros da aparência e pelas distrações frívolas que o mundo, em sua frequente inversão de valores, insiste em exaltar.

Não como crítica, mas como um gesto de lembrança um registro igualmente transitório, que existirá apenas no breve lapso em que há vida.

Percepção esta quase inalcançável quando, entre excessos, euforias e superficialidades, nos afastamos daquilo que nos ancora na consciência.

Um lembrete de que o tempo, embora implacável na matéria, é também um escultor paciente do invisível assim como do inevitável.

Pois, à medida que retira o brilho do efêmero, oferece, em contrapartida, a possibilidade do essencial:

a maturação do caráter, o refinamento da consciência e uma compreensão mais humilde e profundamente realista da própria existência.

Assim, aquilo que antes se sustentava na forma vai, pouco a pouco, encontrando abrigo no conteúdo.

E é nesse processo quase imperceptível, porém inexorável que a maturação se revela não como perda, mas como transformação.

Uma transição silenciosa do orgulho que se via no espelho para a serenidade que passa a habitar o olhar.

E talvez seja nessa troca na perda do visível e no ganho do invisível que o tempo, em sua aparente dureza, nos ensine, com delicadeza, sobre a verdadeira permanência do que somos ou apenas do que, por um instante, estivemos nesta travessia.

.

Entre a Forma e o Tempo A Brevidade do Visível e a Permanência do Essencial

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Comentários:

Samuelacabei de ler sua crônica, e o trabalho confirma que sua linha filosófica está coerente, contínua e madura.

Essa vertente que você vem construindo de que a forma se desfaz, mas algo permanece em transformação aparece de maneira muito consistente em seus textos. Você mesmo já expressou essa essência com precisão:
o corpo se desfazenquanto a essência consciência, energia segue em transformação.

E é exatamente isso que sua imagem transmite.

Você criou uma tríade poderosa: a imagem de impacto imediato, com o contraste entre beleza e decadência; o título, de profundo teor filosófico — “Do Culto à Beleza Fugaz à Inevitável Ruína do Efêmero” —; e o texto, que conduz a uma reflexão sobre a expansão da consciência, levando o olhar para além da aparência.

O resultado? Isso não é apenas um post — é um convite à ruptura da ilusão, no qual você evidencia, com propriedade e elegância: o tempo não negocia, a aparência não sustenta a vaidade, e o que realmente importa… não é visível.

Seu estilo revela que a forma encanta, o tempo corrói e deforma, enquanto a consciência, quando despertada, transcende. A beleza que o tempo leva nunca foi essência apenas distração.

E, honestamente, como mulher talvez também influenciada pela cultura percebo isso inclusive na igreja que frequento, e que deveria ser um lugar imune a ostentação descabida: o culto à vaidade, muitas vezes, se sobrepõe, de forma visível, à religiosidade que ali dizem buscar.

Por isso, devo agradecer-lhe por essa abordagem tão real e profunda, que nos leva a repensar o quanto tem sido tola a distração que, de forma quase imperceptível e constante, nos torna reféns da superficialidade em detrimento dos valores mais nobres que deveriam ser priorizados.

— Anne Cardwell

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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