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Gente de Opinião

Samuel Saraiva

O Imperativo da Autopreservação

Entre a vaidade risível, delírios e a realidade factual, a perigosa caminhada humana cambaleante sobre a tênue linha que separa a razão e a loucura


O Imperativo da Autopreservação - Gente de Opinião

Quem cultiva inveja, despeito e negatividade crônica atua como um dreno de energia e atenção. Tais indivíduos — oportunistas em sua essência — não justificam apreço, consideração ou apego, independentemente de consanguinidade, tempo de convivência ou convenções sociais. Vínculos não possuem valor intrínseco; sua legitimidade reside na qualidade da reciprocidade que sustentam.

Nem toda presença merece permanência. Existem pessoas cuja dinâmica existencial se alimenta da disputa velada, do ressentimento e da incapacidade de suportar a realização alheia. Permitir a proximidade desses agentes é aceitar um custo operacional alto demais para quem busca evolução, lucidez e paz interior.

O afastamento, portanto, não é um ato de hostilidade, frieza ou egoísmo, mas uma medida de higiene psicológica e sábia racionalidade. Romper com o que é disfuncional e tóxico não exige culpa; afirma-se como um imperativo de autopreservação.

Isso é aplicável àqueles que não aprenderam a compreender o significado da fraternidade e optam pelo silêncio e pela ausência, passando a clara lição de que as pessoas valem apenas pelo que pode atender ao permanente oportunismo. Por isso, respeite a escolha deles e, igualmente, não ofereça consideração, apreço e cordialidade a quem o trata com eloquente indiferença.

Creem na onipresença do Altíssimo e dizem temê-lo, enquanto escondem suas transgressões dos semelhantes, sem entender que nada se oculta daquele que louvam. É a hipocrisia burra cristalizada: beiram a histeria coletiva em espetáculos circenses e desprezam a vida como o verdadeiro laboratório da evolução. Querem o prêmio da eternidade sem apresentar o único bilhete de entrada: a fraternidade. Permanecem indiferentes à miséria e aos que padecem como órfãos do próprio Criador — um Deus que se revela surdo, cego, inoperante e imaginário diante do fim precoce de uma criança pura ou das preces insistentes de um devoto que clama no vazio.

Deixe que permaneçam em suas próprias órbitas de estagnação, como se jamais tivessem existido. Siga em frente com leveza, firmeza, pragmatismo e a serenidade daqueles que governam a si mesmos pela razão.

______

 

English

 

The Imperative of Self-Preservation

 

Amid laughable vanity, delusions, and factual reality, the perilous, tottering human walk upon the thin line between reason and madness.

 

Those who cultivate envy, spite, and chronic negativity act as a drain on energy and attention. Such individuals — opportunists in their essence — do not warrant esteem, consideration, or attachment, regardless of consanguinity, length of acquaintance, or social conventions. Bonds hold no intrinsic value; their legitimacy resides in the quality of the reciprocity they sustain.

Not every presence deserves permanence. There are people whose existential dynamics feed on veiled rivalry, resentment, and the inability to tolerate another’s fulfillment. Allowing the proximity of such agents is to accept an operating cost far too high for anyone seeking evolution, lucidity, and inner peace.

Estrangement, therefore, is not an act of hostility, coldness, or selfishness, but a measure of psychological hygiene and wise rationality. Breaking away from what is dysfunctional and toxic demands no guilt; it asserts itself as an imperative of self-preservation.

This applies to those who have failed to understand the meaning of fraternity and choose silence and absence, delivering the clear lesson that people are only valued for what can serve permanent opportunism. Therefore, respect their choice and, likewise, offer no consideration, esteem, or cordiality to anyone who treats you with eloquent indifference.

They believe in the omnipresence of the Most High and claim to fear Him, while concealing their transgressions from their peers, failing to understand that nothing is hidden from the One they claim to praise. It is fatuous, crystallized hypocrisy: they border on collective hysteria in circus-like spectacles and despise earthly life as the true laboratory of evolution. They demand the prize of eternity without presenting the only ticket of admission: fraternity. They remain indifferent to misery and to those who suffer as orphans of the Creator Himself — a God who reveals Himself as deaf, blind, obsolete, unfeeling, and imaginary in the face of the premature end of a pure child's life or the persistent prayers of a devotee crying out into the void.

Let them remain in their own orbits of stagnation, as if they had never existed. Move forward with lightness, firmness, pragmatism, and the serenity of those who govern themselves by reason.

______

 

 

Espanol

 

El Imperativo de la Autopreservación

 

Entre la vanidad risible, los delirios y la realidad fáctica, el peligroso caminar humano que tambalea sobre la fina línea que separa la razón y la locura.

 

Quienes cultivan la envidia, el despecho y la negatividad crónica actúan como un drenaje de energía y atención. Tales individuos —oportunistas en su esencia— no justifican aprecio, consideración ni apego, independientemente de la consanguineidad, el tiempo de convivencia o las convenciones sociales. Los vínculos no poseen un valor intrínseco; su legitimidad reside en la calidad de la reciprocidad que sustentan.

No toda presencia merece permanencia. Existen personas cuya dinámica existencial se alimenta de la disputa velada, del resentimiento y de la incapacidad de soportar la realización ajena. Permitir la proximidad de estos agentes es aceptar un costo operativo demasiado alto para quien busca evolución, lucidez y paz interior.

El distanciamiento, por lo tanto, no es un acto de hostilidad, frialdad o egoísmo, sino una medida de higiene psicológica y sabia racionalidad. Romper con lo disfuncional y tóxico no exige culpa; se afirma como un imperativo de autopreservación.

Esto es aplicable a quienes no han aprendido a comprender el significado de la fraternidad y optan por el silencio y la ausencia, dejando la clara lección de que las personas valen solo por lo que puede servir al permanente oportunismo. Por ello, respete su elección e, igualmente, no ofrezca consideración, aprecio ni cordialidad a quien lo trata con elocuente indiferencia.

Creen en la omnipresencia del Altísimo y dicen temerle, mientras se preocupan por esconder sus transgresiones ante sus semejantes, sin entender que nada se oculta de Aquel a quien dicen alabar. Es la hipocresía burda cristalizada: rozan la histeria colectiva en espectáculos circenses y desprecian la existencia terrenal como el verdadero laboratorio de la evolución. Pretenden el premio de la eternidad sin presentar el único boleto de entrada: la fraternidad. Permanecen indiferentes a la miseria y a los que padecen como huérfanos del propio Creador —un Dios que se revela sordo, ciego, inoperante e imaginario ante el fin precoz de la vida de un niño puro o de las oraciones insistentes de un devoto que clama en el vacío.

Deje que permanezcan en sus propias órbitas de estancamiento, como si jamás hubieran existido. Siga adelante con ligereza, firmeza, pragmatismo y la serenidad de aquellos que se gobiernan a sí mismos por la razón.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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