Sexta-feira, 3 de abril de 2026 - 16h28

O Jeep Willis do
exército passava pontualmente às 5h45m, quando o dia mal acabara de nascer. O
motorista era o sargentão Valdomiro, gaúcho, que já tinha avisado: “Se você não
estiver na hora que eu passar você fica “tchê”, ou terá que ir na caçamba”, junto
com a peãozada! Nos meus 17 anos não podia nem pensar em perder aquele emprego.
A velha pedreira de Sto. Antônio ficava cerca de 11 km do centro de Porto
Velho.

Minha
função era anotar a produção das pedras que o britador quebrava e que era
embarcada em caminhões ou caçambas. Além disso, eu era o responsável também
pelo depósito de guarnição de explosivos (TNT) e de gêneros alimentícios. Como
trabalhador civil passava o dia todo naquele acampamento destacado do exército
(5º Batalhão de Engenharia e Construção 5º Bec). Havia lá cerca de 30 a 40
homens que trabalhavam duro: quebravam pedra literalmente! Bem cedo as
marteletes já estavam roncando, com sua brocas penetrando nas rochas como se
fosse um estupro! No final da tarde, um dos “especialistas” colocava as
dinamites com seus estopins interligados em série e ateava fogo! Antes, porém
acionava a sirene que, espalhafatosamente, se fazia ouvia a quilômetros de
distância e até mesmo do outro lado do rio madeira, além da cachoeira. Ninguém
devia estar por ali, desprotegido, quando a explosão ocorresse e centenas de
pedras voassem estilhaçadas pelos ares, caindo em qualquer lugar: um acidente
poderia ser fatal! Todo cuidado era pouco! Após a explosão, no final da tarde,
voltávamos todos para casa. No dia seguinte, o trabalho era manual, quebrando
as pedras em pedaços menores e carregando as pás carregadeiras que, por sua
vez, carregavam as caçambas.

Estas subiam à rampa e despejavam suas cargas no britador que começava a
moer as pedras com voraz apetite.
Ali então, embaixo do britador, iam se formando pequenas montanhas de
pedra britada, as quais, posteriormente eram transportadas para o asfaltamento
de ruas, rodovias e tantas outras obras na cidade. De todos aqueles
companheiros que ali trabalharam, alguns ainda povoam até hoje minha lembrança:
“Seu” Zé, que dizia ter pertencido ao bando do Lampião!... O Mineirinho, um
negro que se dizia ainda “virgem” aos 25 anos e andava com uma bíblia embaixo
do braço. Era o encarregado oficial de acender os estopins para a grande
explosão. O neguinho, O “Arigó” sempre com seu facão, os cabos Quaresma e
Mendes, o motorista civil "Calango", etc.
Como passa o tempo!... E passa de
forma inexorável! Hoje, tantos anos já se passaram e às vezes, sozinho na
sacada do meu apartamento, nas noites chuvosas, quando as nuvens estão
carregadas e os relâmpagos e trovões começam a riscar a escuridão e ribombar no
céu, olho naquela direção da antiga pedreira de Sto. Antônio e, estranhamente,
com o olhar perdido e úmido tenho a impressão que o “nêgo” Mineirinho está
tocando fogo nos estopins e que, centenas de pedras estão voando pelos ares, lá
na velha pedreira.
Sexta-feira, 3 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)
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