Sábado, 18 de abril de 2026 - 15h28

Essa não é uma
pergunta retórica. É um diagnóstico.
Enquanto um terço da
humanidade ainda é castigado pela fome, nos cinco continentes, o patrimônio físico
acumulado por instituições religiosas ultrapassa trilhões de dólares e euros. Não se trata de fé
— trata-se
de contradição.
Enquanto se prega o
amor divino, milhares de seres humanos indefesos são mortos em nome de Deus. E
o mais perturbador não é apenas a violência em
si, mas o fato de que grande parte da humanidade, direta ou indiretamente,
aceita, justifica ou silencia diante dela. Muitos são capazes de matar para
impor sua fé — mas incapazes de viver
o amor que proclamam.
Não é novo.
Nunca foi.
Desde os primórdios das civilizações, sacrificamos,
crucificamos, idolatramos — sempre em nome
de algo maior. Hoje, apenas sofisticamos os instrumentos. A destruição permanece tão brutal quanto
antes, apenas mais eficiente — e ainda assim,
sempre injustificável.
Uns provocam, ameaçam, impõem.
Outros respondem com a mesma moeda, alegando defesa da própria existência. E assim seguimos, presos a
um ciclo onde a razão cede lugar ao instinto, e a capacidade de discernir se
dissolve.
Habitamos um universo
extraordinário, raro, quase milagroso. E, no entanto, somos a única espécie capaz de destruí-lo conscientemente.
Diante disso, o que
dizer do silêncio?
Um silêncio que muitos
atribuem ao divino — inerte, surdo aos
clamores, cego diante do sofrimento. Ou talvez não seja o divino que falha, mas
os sistemas humanos que se arrogam falar em seu nome.
Sistemas que proclamam
justiça, mas operam contaminados por interesses, corrupção e retórica vazia.
Sistemas
que vestem togas ou vestes sagradas não
como símbolos
de verdade, mas como disfarces de uma hipocrisia cuidadosamente bordada.
E, em muitos casos, ostentam
logomarcas religiosas ou ideológicas como se
fossem insígnias de virtude — símbolos de
uma liberdade frágil que normalizou a dominação. Marcam consciências,
identidades e destinos com o peso da submissão, pouco diferindo — em
essência — do ferro e do
fogo usados para marcar animais como propriedade. A diferença é apenas
estética; o mecanismo de controle permanece.
Em nome da fé,
acumulam riquezas.
Em
nome da salvação, vendem promessas.
Em
nome da moral, impõem medo.
Prometem paraísos que ninguém pode
verificar, enquanto negligenciam a dor concreta que está diante dos olhos. Falam
de compaixão, mas praticam indiferença.
E o mais grave:
institucionalizam isso.
Chamam de “ciência
teológica” o conjunto de mecanismos que mantêm essa
engrenagem funcionando — uma estrutura
que não liberta, mas aprisiona; não esclarece, mas condiciona; não eleva, mas
explora.
E assim, gerações
inteiras são educadas não para questionar, mas para aceitar. Não para
compreender, mas para temer.
Diante disso, a
pergunta retorna — mais urgente do que
nunca:
Por que insistimos em
desprezar os valores mais básicos da civilização?
Onde
nossa razão se atrofiou?
Em
que ponto a abandonamos — e por quê?
Talvez a resposta seja
incômoda demais para ser admitida.
Talvez não a tenhamos
perdido de uma vez, mas aos poucos — trocando
consciência por conveniência, verdade
por conforto, responsabilidade por delegação.
E talvez o maior
problema não seja a ausência de razão…
“mas a escolha silenciosa —
e
moralmente desumana — de não utilizá-la.”
O propósito desta reflexão não é condenar
percepções — sejam elas sadias ou doentias, justas ou
injustas, lúcidas ou embrutecidas pela ausência de conhecimento imposto a
mentes condicionadas a enxergar segundo interesses que, na prática, se opõem à própria evolução, sustentados por uma conveniência deplorável.
O propósito é outro:
lançar alguma luz sobre a penumbra densa que nos envolve — e
que, silenciosamente, dificulta o exercício pleno do discernimento.
Porque, no fim, a
escuridão que nos cerca jamais será tão perigosa quanto aquela que escolhemos não iluminar.
De que forma, se
houver, podemos individualmente nos eximir da cumplicidade diante dessa
realidade — livres da influência e
da dominação de sistemas aos quais, muitas vezes involuntariamente e sem plena
consciência, fomos cooptados?
Acreditamos, com frequência, que somos úteis.
Que
participamos de algo maior.
Que
cumprimos um papel necessário.
Mas raramente paramos
para perguntar:
úteis a quê… e a quem?
Se a engrenagem se
mantém pela repetição inconsciente, talvez o primeiro ato de
ruptura não esteja na revolta coletiva, mas na lucidez individual.
Recusar o automatismo.
Questionar
o que parece óbvio.
Revisar
convicções herdadas.
Não delegar à estrutura aquilo que
é responsabilidade da consciência.
Talvez não seja possível
romper totalmente com os sistemas — mas é possível não se
entregar a eles de forma cega.
Porque a verdadeira cumplicidade
não está apenas na ação…
mas na ausência
deliberada de reflexão.
E é nesse
ponto que a liberdade deixa de ser um conceito…
e passa a ser uma
escolha.
______
Comentário (World Press)
— Martin Donelll, Professor de Filosofia
O texto apresentado não
se limita a uma crítica — configura-se como um chamado à responsabilidade
intelectual e moral.
Seu alcance não reside
no volume das acusações, mas na forma como expõe uma incoerência estrutural: a
distância entre os valores que a humanidade proclama e aqueles que, na prática,
sustenta como comportamento.
Não se trata de um
texto destinado a agradar ou convencer massas.
Trata-se
de um texto voltado a despertar consciências individuais, capazes de não
se submeter automaticamente.
E isso, em qualquer
tempo da história, sempre foi mais perigoso — e mais transformador — do que
qualquer discurso de poder.
______
🇺🇸 ENGLISH
VERSION
At what point along the way did we lose reason, the capacity for self-criticism, morality, and even our own memory?
This is not a
rhetorical question. It is a diagnosis.
While one-third of
humanity is still plagued by hunger across all five continents, the physical
wealth accumulated by religious institutions exceeds trillions of dollars and
euros. This is not about faith — it is about contradiction.
While divine love is
preached, thousands of defenseless human beings are killed in the name of God.
And what is most disturbing is not only the violence itself, but the fact that
much of humanity, directly or indirectly, accepts, justifies, or remains silent
in the face of it. Many are capable of killing to impose their faith — yet
incapable of living the love they proclaim.
This is not new. It
never was.
Since the earliest
civilizations, we have sacrificed, crucified, idolized — always in the name of
something greater. Today, we have merely refined the tools. Destruction
remains as brutal as ever, only more efficient — and still, always
unjustifiable.
Some provoke,
threaten, impose. Others respond in kind, claiming self-defense. And so we
remain trapped in a cycle where reason yields to instinct, and the capacity for
discernment dissolves.
We inhabit an
extraordinary, rare, almost miraculous universe. And yet, we are the only
species capable of consciously destroying it.
In light of this, what
can be said about silence?
A silence many
attribute to the divine — inert, deaf to cries, blind to suffering. Or perhaps
it is not the divine that fails, but the human systems that presume to speak
in its name.
Systems that proclaim
justice, yet operate corrupted by interests, power, and empty rhetoric.
Systems
that wear robes or sacred garments not as symbols of truth, but as disguises of
carefully embroidered hypocrisy.
And, in many cases, they
display religious or ideological symbols as badges of virtue — emblems of a
fragile freedom that has quietly normalized domination. They mark minds,
identities, and destinies with submission, differing little — in essence — from
the branding of animals as property. The difference is merely aesthetic; the
mechanism of control remains.
In the name of faith,
they accumulate wealth.
In
the name of salvation, they sell promises.
In
the name of morality, they impose fear.
They promise paradises
no one can verify, while neglecting the tangible suffering before them. They
speak of compassion, yet practice indifference.
And most critically:
they institutionalize it.
They call “theological
science” the set of mechanisms that sustain this machinery — a structure
that does not liberate, but imprisons; does not enlighten, but conditions; does
not elevate, but exploits.
Thus, entire
generations are taught not to question, but to accept. Not to understand, but
to fear.
And so the question
returns — more urgent than ever:
Why do we insist on
abandoning the most basic values of civilization?
Where
did our reason atrophy?
At
what point did we abandon it — and why?
Perhaps the answer is
too uncomfortable to admit.
Perhaps we did not
lose it all at once, but gradually — trading conscience for convenience,
truth for comfort, responsibility for delegation.
And perhaps the
greatest problem is not the absence of reason…
“but the silent — and
morally inhumane — choice not to use it.”
The purpose of this
reflection is not to condemn perceptions — whether healthy or
distorted, fair or unjust, lucid or dulled by the absence of knowledge imposed
upon minds conditioned to see according to interests that, in practice, oppose
true evolution, sustained by a deplorable convenience.
Its purpose is
different: to cast some light upon the dense twilight that surrounds us — and
that quietly hinders the full exercise of discernment.
For in the end, the
darkness around us will never be as dangerous as the one we choose not to
illuminate.
If possible at all,
how can we individually free ourselves from complicity in this reality — from
systems that have, often unconsciously, co-opted us?
We often believe we
are useful.
That
we are part of something greater.
That
we fulfill a necessary role.
But we rarely ask:
useful to what… and to
whom?
If the machinery is
sustained by unconscious repetition, perhaps the first act of rupture lies not
in collective revolt, but in individual lucidity.
Refuse automatism.
Question
what appears obvious.
Reexamine
inherited beliefs.
Do
not delegate to structures what belongs to conscience.
Perhaps it is not
possible to fully break away from systems — but it is possible not to
surrender to them blindly.
For true complicity
lies not only in action…
but in the deliberate
absence of reflection.
And at that point,
freedom ceases to be an idea…
and becomes a choice.
_______
Commentary — Martin
Donelll, Professor of Philosophy
The text presented
goes beyond mere criticism — it stands as a call to intellectual and moral
responsibility.
Its reach does not lie
in the volume of its accusations, but in the way it exposes a structural
inconsistency: the gap between the values humanity proclaims and those it
actually upholds in practice.
This is not a text
meant to please or persuade the masses.
It
is a text aimed at awakening individual consciousness, capable of
resisting automatic submission.
And throughout
history, this has always been more dangerous — and more transformative — than
any discourse of power.
________
🇪🇸 VERSIÓN EN ESPAÑOL
¿En qué punto del camino perdimos la razón, la capacidad de autocrítica, la moral y hasta la propia memoria?
¿En qué punto del
camino perdimos la razón, la capacidad de autocrítica, la moral y hasta la
propia memoria?
Esta no es una
pregunta retórica. Es un diagnóstico.
Mientras un tercio de
la humanidad sigue siendo castigado por el hambre en los cinco continentes, el
patrimonio físico acumulado por instituciones religiosas supera los billones de
dólares y euros. No se trata de fe — se trata de contradicción.
Mientras se predica el
amor divino, miles de seres humanos indefensos son asesinados en nombre de
Dios. Y lo más perturbador no es solo la violencia, sino que gran parte de
la humanidad la acepta, la justifica o guarda silencio.
Muchos
son capaces de matar para imponer su fe — pero incapaces de vivir el amor
que proclaman.
No es nuevo. Nunca
lo fue.
Desde los orígenes de
la civilización, hemos sacrificado, crucificado e idolatrado — siempre en
nombre de algo superior. Hoy solo hemos perfeccionado los instrumentos. La
destrucción sigue siendo igual de brutal — solo más eficiente.
Unos provocan,
amenazan, imponen. Otros responden de la misma manera, alegando defensa propia.
Y así permanecemos atrapados en un ciclo donde la razón cede ante el
instinto.
Habitamos un universo
extraordinario, raro, casi milagroso. Y, sin embargo, somos la única especie
capaz de destruirlo conscientemente.
Ante esto, ¿qué decir
del silencio?
Un silencio que muchos
atribuyen a lo divino — pero que tal vez revela la falencia de los sistemas
humanos que hablan en su nombre.
Sistemas que proclaman
justicia, pero operan contaminados por intereses, corrupción y retórica vacía.
Sistemas
que no representan la verdad — sino una hipocresía cuidadosamente estructurada.
Y, en muchos casos,
ostentan símbolos religiosos o ideológicos como insignias de virtud — cuando
en realidad perpetúan mecanismos de control.
En nombre de la fe,
acumulan riquezas.
En
nombre de la salvación, venden promesas.
En
nombre de la moral, imponen miedo.
Prometen lo que nadie
puede verificar — mientras ignoran el sufrimiento que sí es real.
Y lo más grave: lo
institucionalizan.
Llaman “ciencia teológica”
a un sistema que no libera — sino que condiciona, limita y explota.
Así, generaciones
enteras son educadas no para cuestionar, sino para aceptar.
No
para comprender — sino para temer.
No es solo una crítica
— es un llamado a la responsabilidad intelectual y moral.
El propósito es otro:
arrojar algo de luz sobre la densa penumbra que nos rodea — y que compromete el
pleno ejercicio del discernimiento.
Y
estimular, de forma constructiva, distintas corrientes de pensamiento,
ampliando el acceso a información esencial para la formación de una visión
macro — sustentada en múltiples perspectivas y sin descuidar los registros históricos.
El texto no se
sostiene en la cantidad de acusaciones, sino en la forma en que expone una
incoherencia estructural:
la
distancia entre lo que la humanidad declara como valor y lo que, en la práctica,
sostiene como comportamiento.
Vivimos bajo la cómoda
ilusión de principios elevados, mientras toleramos prácticas que los
contradicen.
Esta
disociación no es accidental — es funcional.
En este contexto, no
se puede ignorar el papel de las estructuras que moldean la percepción
colectiva.
La
comunicación de masas ha dejado de elevar la conciencia — y ha pasado, muchas
veces, a administrarla.
Cuando la atención se
convierte en activo económico,
la
superficialidad se vuelve producto — y la reflexión, un residuo.
La sociedad pasa
entonces a estar sobreinformada — pero profundamente desprovista de
conciencia.
No es un texto para
agradar ni convencer a las masas.
Es
un texto para despertar conciencias individuales.
Y eso — en cualquier
momento de la historia —
siempre ha sido más peligroso que cualquier discurso de poder.
Y la pregunta vuelve —
más urgente que nunca:
¿Por qué insistimos en
despreciar los valores más básicos de la civilización?
¿Dónde
se atrofi ó nuestra razón?
¿En
qué momento la abandonamos — y por qué?
Tal vez la respuesta
sea demasiado incómoda.
Tal vez no la perdimos
de una vez, sino poco a poco —
cambiando conciencia por conveniencia, verdad por comodidad y
responsabilidad por delegación.
Y tal vez el mayor
problema no sea la ausencia de razón…
sino la elección
silenciosa — y moralmente inhumana — de no utilizarla.
_____
Comentario — Martin
Donelll, Profesor de Filosofía
El texto presentado no
se limita a una crítica — se configura como un llamado a la responsabilidad
intelectual y moral.
Su alcance no radica
en el volumen de las acusaciones, sino en la forma en que expone una
incoherencia estructural: la distancia entre los valores que la humanidad
proclama y aquellos que, en la práctica, sostiene como comportamiento.
No se trata de un
texto destinado a agradar o convencer a las masas.
Se
trata de un texto orientado a despertar conciencias individuales,
capaces de no someterse automáticamente.
Y esto, en cualquier momento de la historia, siempre ha sido más peligroso — y más transformador — que cualquier discurso de poder.
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